seg 31 mar 2025
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Propostas sustentáveis são alternativas para construções mais eficientes

Cooperativas energéticas e construções sustentáveis se aliam ao bem-estar social e a preservação dos recursos naturais

Reportagem por Alice Lima, Isadora Kovalczuk e Luísa de Cássia

Cooperativismo energético: você já ouviu falar? Feito de pessoas que se unem para gerar energia de maneiras sustentáveis, a prática diminui custos iniciais de instalação, cria um sentimento de comunidade entre os envolvidos e garante a geração de energia limpa. Cooperativismo energético ainda reduz faturas de energia elétrica e impulsiona a distribuição de energia renovável, proposta que pode ser iniciada por qualquer um.

Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entidade privada que promove a competitividade e o desenvolvimento sustentável das empresas, o modelo de cooperativismo energético é o melhor quando falamos de geração de energia distribuída e participativa. A partir de uma gestão democrática, que leva em consideração interesses comuns, é possível promover diversidade e eficiência energética e, ainda, desenvolver o local assistido.

Cooperativa Paraná Energia 

O que começou como uma solução para levar eletricidade às áreas rurais de baixa densidade demográfica, possibilitando desenvolvimento social e econômico, passou a ser um serviço rentável e consolidado no ramo. Dos anos 70 até hoje, as cooperativas energéticas tornaram-se uma solução para tornar os custos do consumo de energia elétrica mais acessíveis. 

Um exemplo desse movimento é a cooperativa Paraná Energia. Em 2019, o engenheiro mecânico Carlos Motta, seu fundador, percebeu no cooperativismo uma oportunidade de negócio no ramo do empreendedorismo sustentável.

“Eu vejo a energia renovável como nosso combustível”

Carlos Motta, fundador da cooperativa Paraná Energia

Para o empreendedor, esse modelo apresenta muitas vantagens: “Além de poder contribuir com o meio ambiente, o cooperado ganha um desconto financeiro e participa da gestão do negócio. Se tiver reserva, pode montar uma usina, arrendar para a cooperativa e ter um ganho de capital. Ainda, no final de ano, tem a divisão das sobras [de dinheiro]. Agora, como estamos no começo, estamos reinvestindo as sobras para sustentar o crescimento, mas é votado democraticamente”, afirma.

Legenda: Carlos Motta como foi o começo da cooperativa e o que ela possibilita atualmente aos cooperados. (Entrevista conduzida por Alice Lima, Isadora Kovalczuk e Luísa de Cássia).

Hoje, a Paraná Energia é uma das principais responsáveis pela geração distribuída no Brasil, com mais de 4 mil cooperados, em seis estados do país. “Eu vejo a energia renovável como nosso combustível”, diz Motta. Para ele, esse modelo é importante para tornar o acesso à energia descentralizado e democrático.

Como funciona

As cooperativas começam a partir de um investimento inicial em usinas de geração de energia elétrica, que pode ser realizado por qualquer pessoa. O valor, que envolve os custos de instalação, é dividido por todos os envolvidos. A partir da produção nas usinas, os custos de manutenção passam a ser arrecadados dos membros da sociedade, os cooperados, que não necessariamente participavam do empreendimento no momento da criação.

Assim, a energia é injetada em uma concessionária de rede elétrica para ser distribuída entre os membros e fornece créditos para a cooperativa, de acordo com a colaboração na compensação de energia excedente. Esses créditos são utilizados para abater o valor da conta de luz dos cooperados e podem gerar um desconto de até 20% na cobrança final, segundo a cooperativa COGECOM.

Desta forma, os espaços físicos e os materiais utilizados na produção limpa, além da relação com a concessionária, ficam na responsabilidade da cooperativa. A energia renovável se torna acessível para quem não tem possibilidade de investir em fontes limpas por conta própria.

Legenda: Cooperadores envolvidos no início da cooperativa energética Paraná Energia. (Foto: Arquivo Pessoal de Carlos Motta)

Sustentabilidade acessível

A energia limpa, produzida de maneira própria, não é uma prática barata. De acordo com a Calculadora Solar disponibilizada pela empresa Portal Solar, adquirir um sistema fotovoltaico que produz energia o suficiente para compensar uma conta de luz no valor mensal de R$100,00 pode custar de R$7.684,37 até R$12.075,43. Ou seja, mais de 77 meses de contas de luz ou quase seis salários mínimos de R$1.412,00.

Mesmo quando a situação financeira não é uma barreira, o local em que se mora pode ser. Cidades grandes, como Curitiba, em que 33,6% da população mora em prédios residenciais, de acordo com dados da Agência Estadual de Notícias do Governo do Estado do Paraná, de 2022, apresentam espaço limitado para a instalação de sistema solar de geração de energia.

Para essa situação, as cooperativas também se mostram como uma solução acessível e sustentável para o consumidor, já que a energia pode ser produzida em um município e conduzida a outros. Assim, mesmo morando em lugares pequenos ou inadequados para a instalação de painéis, o consumo de energia renovável é possível.

Implementação em processo

Por mais simples que seja, a implementação de cooperativas energéticas enfrenta alguns obstáculos, segundo o Relatório de resultados da pesquisa com Cooperativas de Geração Distribuída no Brasil, desenvolvido em 2022.

As 28 cooperativas entrevistadas mencionaram que as barreiras para a implementação de cooperativas energéticas no país são, principalmente, três: o pioneirismo, a dificuldade de captação de recursos e a relação ruim com a concessionária (50%). O desconhecimento sobre esse modelo de mercado também é visto como um problema presente, segundo 32% dos entrevistados. 

Apesar das barreiras, a pesquisa mostra que as cooperativas vêm ganhando espaço no mercado de forma progressiva, com destaque para o estado do Paraná, com o maior número de iniciativas ativas (oito das 28 cooperativas respondentes). De acordo com o relatório, o aumento do número de usinas e de seus cooperados está nos planos para o futuro do movimento. 

Cooperativas como aliadas da arquiteturas sustentáveis

Segundo a Organização das Nações Unidas, atualmente, a construção civil é responsável por um dos maiores níveis de poluição nas cidades, respondendo por 38% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, principal gás poluente e responsável por agravar o aquecimento global. Nesse contexto, a arquitetura sustentável tem o objetivo de realizar construções que utilizam os recursos naturais de forma integrada ao ecossistema, possibilitando a criação de imóveis com designs modernos e confortáveis que também preservam o meio ambiente. 

A integração de soluções energéticas renováveis, como cooperativas, com projetos arquitetônicos que priorizam a eficiência energética, o uso de materiais ecológicos e o design passivo, potencializa o impacto positivo no meio ambiente e na economia local. A alternativa ainda promove a autonomia nas comunidades com a criação de espaços sustentáveis que respeitam o equilíbrio com a natureza, tornando-se um modelo ainda mais poderoso de mudança e inovação nos setores de energia e construção.

Legenda: Urbanização não ecológica colabora para poluição de ar e formação de ilhas de calor. (Foto: Alice Lima)

Como são construções sustentáveis?

Para ser uma construção sustentável, os ambientes precisam ser pensados e projetados para que tenham um melhor aproveitamento dos seus recursos. Desde a escolha por tijolos ecológicos, produção energética alternativa, coleta de água da chuva por cisternas, revestimentos reutilizados, composteiras; tudo entra na conta do cuidado ativo com os recursos naturais.

Reportagem produzida por Alice Lima, Isadora Kovalczuk e Luísa de Cássia.

João Paulo Mehl fala que o projeto surgiu para identificar os principais gargalos de Curitiba em termos de sustentabilidade e, assim, buscar soluções criativas e efetivas para uma relação melhor com o meio ambiente. “O terraço surgiu para tentarmos verdejar a cidade, tornar o concreto em agroecologia urbana, e hoje tem como foco enfrentar algumas questões urbanas que vejo com urgência”. Um deles é tentar solucionar o problema de descarte inadequado de resíduos, tanto orgânicos, como recicláveis.

“Tornar o concreto em agroecologia urbana”

João Paulo Mehl, fundador do Terraço Verde.

O projeto ainda busca criar soluções para as enchentes da cidade. “Quando você impermeabiliza o solo, a água vai direto para a galeria fluvial e para o rio, numa velocidade muito maior que a habitual”, explica Mehl. Mas não para por aí: a conscientização sobre ilhas de calor, assim como sobre a baixa no consumo de energia também são questões tratadas no projeto. Assim, várias ações se unem num só propósito, como diz Mehl: “É uma multiplicidade de soluções”.

Legenda: Terraço verde, localizado no centro de Curitiba, que conta com composteira e vegetação nativa. (Foto: Alice Lima)

O Terraço Verde não apenas se contenta em ser um local que utiliza políticas existentes, mas também cria as suas próprias. Assim como o projeto Panaceia, os dois espaços buscam ser referências de soluções alternativas e fonte de conhecimento sustentável.

Reportagem por Alice Lima, Isadora Kovalczuk e Luísa de Cássia.

Futuro não tão distante

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) o tópico “Cidades e comunidades sustentáveis” como forma de “aumentar a urbanização inclusiva e sustentável” e “fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo”. A ideia é que, até 2030, as cidades sejam mais integradas e organizadas sob aspectos ecológicos e sociais, permitindo a eficiência dos recursos, a prevenção e adaptação às mudanças climáticas e resistência aos desastres  ambientais como questões universais. 

Edição da reportagem por Emilly Cristina Domingues, Pedro Henrique Milano, Pietra Hara e Sam Gomes.

Pietra Dissenha Hara
Estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná.
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Estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná.
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