Propriedade intelectual, patente e inovação não são palavras muito comuns no dia a dia de universitários. É justamente essa falta de recorrência que faz com que o Brasil não seja tão reconhecido no mercado tecnológico e intelectual mundial. Com o objetivo de introduzir e explicar estes temas, a Agência da Inovação UFPR, em parceria com a agência espanhola Clarke, Modet & Co., promoveu no ultimo dia 28 de maio, o 1º Workshop sobre Inovação.

(Foto: Mariana Rosa)
Dividido em dois períodos – palestras e mesa redonda, o Workshop teve como principal objetivo demonstrar o quão importante é, para o meio acadêmico, fazer a patente de uma invenção. Patentear garante ao titular (no caso, o pesquisador), posse e completo domínio da sua pesquisa. A patente é um processo formal e burocrático, concedido por órgãos públicos e atua em cima da propriedade intelectual, que é um mecanismo de proteção do intelecto humano.
Se a pesquisa tecnológica feita na universidade for assegurada e garantida como propriedade intelectual, ela pode ser reconhecida. Uma vez reconhecida, ela terá a possibilidade de investimento de empresas privadas para o seu desenvolvimento.
(Foto: divulgação)
E o que é inovação?
A Clarke, Modet & Co. coordenou uma das palestras. A renomada agência espanhola de assistência e proteção de propriedade intelectual explicou que a patente é uma forma de troca entre o inventor e a sociedade. Uma vez patenteada, a invenção pode ser comprada por uma empresa, fabricada em massa e comercializada. Acontece a inovação quando é colocado em prática uma ideia ou uma invenção. É o que é novo e dá certo no mercado.

(Foto Mariana Rosa)
Dentro de propriedade intelectual, a inovação é a ponta do iceberg. É o ultimo estágio, o contato entre o inventor e a empresa. A especialista em patentes da Clarke, Modet & Co. Marisol Cardoso, explicou que inovação é tudo aquilo que é novo e consumido pelo público. “Compra online, por exemplo, é uma inovação. É novo, as pessoas estão adotando. Mas isso não quer dizer que toda a ideia de compra online vai ser patenteada”, explica Cardoso.
Nem toda a inovação pode ser patenteada, a compra online, por exemplo, não pode, já que é uma ideia totalmente abstrata. Ao mesmo tempo, nem toda patente será uma inovação, pois estar assegurada não garante a sua comercialização. “Nem todos os projetos que chegam na nossa mesa serão comprados por empresas e comercializados. Apenas pelo tempo que demora para a patente ser aprovada pode tornar aquela ideia obsoleta”, acrescentou a especialista.
O efeito dominó e a competitividade brasileira
O centro de pesquisa de administração IMD, lançou em 2014 a nova lista do ranking global de competitividade. A competitividade analisada pelo IMD World Competitiveness Center é a capacidade de um país de gerar tecnologia e inovação e ter voz ativa na balança econômica mundial. Dos 61 países analisados, o Brasil ficou com a 56ª posição, a pior de sua história.
A falta de patentes dentro do mundo acadêmico pode ser responsável pela má colocação do Brasil, já que uma vez que as inovações que surgem dentro das universidades não são patenteadas, não há contato entre a invenção e a empresa. É um efeito dominó. “Uma vez que a invenção é licenciada tem a possibilidade de conseguir contato como uma empresa, que vai trabalhar a pesquisa economicamente. Isso vai aquecer a economia local, e quem sabe mundial, vai gerar empregos, melhores produtos nacionais, melhor qualidade de vida”, explica Alexandre Moraes, coordenador de Propriedade Intelectual da Agência de Inovação UFPR.