O Theatro Municipal de Antonina foi tomado por rosas de papel nesta sexta-feira (11). Durante a apresentação da Téssera Companhia de Dança da UFPR, as bailarinas da Companhia espalharam as flores que se destacaram no chão negro como um importante elemento cênico para o espetáculo Rosas. A produção é uma transposição do conto A Imitação da Rosa, de Clarisse Lispector, para a linguagem da dança.
Coreógrafa da Companhia, Cristiane Wosniak conta que já queria trabalhar com um dos contos de Clarisse Lispector, mas a definição de que seria A Imitação da Rosa foi tomada devido à constituição da Companhia. “Temos um elenco feminino muito bom e a possibilidade de trabalhar com vários casais”, revela.
A Laura de Clarisse Lispector ganha novas versões e sua falta de iniciativa é questionada. “O conto apresenta uma imobilidade da personagem central, por isso pensamos em trabalhar com várias Lauras em cena. São versões caso ela tomasse uma atitude ou outra no decorrer da história”.
Pesquisada por César Sarti, a trilha sonora inclui músicas que vão de Pixinguinha a Sigur Ross e ajudam a criar uma atmosfera diferente para cada cena. “Ao todo o balé tem 50 minutos, mas cada uma das 13 cenas se refere a um momento do conto. A primeira cena, Casa Arrumada, trabalha com a obsessão da personagem por método”, diz Wosniak.
Para a coreógrafa, a proposta do espetáculo é trabalhar com elementos da narrativa de Lispector transpostas para a dança. A introspecção e a narrativa não linear presentes nas obras de Clarisse Lispector ganham uma nova roupagem. “A dança se apropria disso e sugere, coloca metáforas em cena. A Companhia não pretendia traduzir o conto, e sim captar as emoções, os sentimentos e principalmente a memória da personagem feminina”.
Wosniak explica que a característica principal do Conto que influenciou a montagem do balé é o tempo, marcado por ser contado de forma introspectiva e não linear. “Essa possibilidade de leitura do conto que não é fechada em uma coisa óbvia possibilita um trabalho que dá ao publico múltiplas possibilidades de interpretação”, revela.
