seg 15 abr 2024
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RP Negres e Comunica Black discutem sobre as experiências como coletivos nas universidades

No quarto encontro da jornada, os dois coletivos conversaram sobre o processo de organização entre acadêmicos e profissionais

Produção: Nathali King

O quarto encontro da 1ª Jornada de Comunicação e Raça aconteceu na última quinta-feira (26) no canal do Comunica Black no YouTube. Os organizadores, alunos da disciplina optativa de Comunicação e Raça e integrantes do Coletivo Comunica Black, convidaram o Coletivo RP Negres para uma conversa sobre o papel dos coletivos pretos no fortalecimento da comunicação antirracista. 

O Coletivo RP Negres é composto por profissionais, professores e estudantes negros e indígenas de Relações Públicas. Sua criação visa proporcionar um ambiente seguro para que os profissionais da área de Relações Públicas pudessem conversar sobre as questões raciais que envolvem o mercado e os desafios enfrentados pelo racismo. 

Durante a conversa, os dois grupos conversaram sobre como se conheceram e o que os motivou a serem criados. O tema central da discussão foi a necessidade de acolhimento, uma vez que o ambiente acadêmico e profissional é predominantemente branco e, quando todos os não-brancos se juntam, há uma sensação de pertencimento.

Deu-se conta de que as universidades são um local difícil de se ver no outro, especialmente quando o número de professores negros é muito reduzido ou, em muitos casos, nenhum. Além disso, os poucos estudantes negros são aqueles que, em sua grande maioria, conseguem oportunidades por meio de cotas ou programas de auxílio das políticas públicas.

A realidade brasileira mostra as dificuldades dos graduandos negros. Para se ter uma ideia, durante a pandemia, os alunos negros em instituições de ensino superior, públicas e privadas, que vinham crescendo desde 2016, caíram. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em junho de 2023, mostrou que em 2019 os estudantes negros eram 49% nas universidades, mas caiu para 48,3% em 2023.

Os grupos ajudam essas pessoas a não se sentirem isoladas, e a compreenderem que é possível ser bem-sucedidas na esfera acadêmica, gerando um sentimento de esperança. Além disso, tanto os moderadores quanto os convidados veem uma oportunidade nas organizações para trocar experiências, ouvir conselhos e procurar uma mão-amiga em momentos difíceis, até mesmo no âmbito profissional. As pessoas que ali estão podem ajudar com ações práticas.

A conexão entre o RP Negres e o Comunica Black possibilita que as pessoas se descubram e se sintam em um ambiente acolhedor, o que pode ser árduo para pessoas negras. É comum se ter a impressão de que as pessoas negras devem ser sempre fortes e enfrentarem uma constante situação de conflito, mas é negligenciado que elas também necessitam de afeto para prosseguirem com a luta pelos seus direitos. 

Quando questionados sobre qual seria o primeiro passo para criar o seu próprio coletivo, Marcus respondeu que seria necessário, primeiramente, encontrar um a “intenção” para essa vontade, qual seria o objetivo de um coletivo e qual seria a provocação que estaria envolvida. Os coletivos conseguem proporcionar um ambiente onde a convivência em grupo tem um impacto positivo na formação individual. 

Marcus Vinícius, RP há mais de 20 anos, é doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, professor do curso de especialização em Comunicação, Diversidade e Inclusão nas Organizações da PUC Minas, além de ser o cofundador do coletivo RP Negres. Foto: Arquivo Pessoal — Ilustração: Guilherme Carvalho / Comunica Black.

Paloma retoma o argumento de que o afeto é de suma importância, mas não é o único fator. É crucial encontrar alguém que apoie a criação dessa iniciativa. Ela também enfatiza que é importante que os membros estejam em sintonia com os objetivos desta união, para as responsabilidades poderem ser divididas e que ela permaneça, mesmo que os fundadores não sejam mais membros da universidade.

Paloma Rosa, formada em Relações Públicas pela FECAP, tem mais de cinco anos de experiência na área de comunicação, atuando em projetos relacionados a planos de comunicação para o público B2B, incluindo estratégias de posicionamento, construção de imagem e reputação profissional para a chef de cozinha Aline Chermoula. Atualmente, é trainee na General Motors na parte de inovação nas áreas de Marketing, Venda e Pós-Vendas. Foto: Arquivo Pessoal — Ilustração: Guilherme Carvalho / Comunica Black.

Ao mencionar os feitos do grupo, Agnes diz que se sente honrada quando recrutadores de companhias entram em contato para pedir recomendações para vagas de emprego, ou sobre a rede de apoio que foi criada naquele espaço. A conexão estabelecida com membros do grupo gera uma confiança sólida e uma rede de suporte ampla.

Agnes Moura é formada em Relações Públicas pela FIAM FAAM, possui MBA em Comunicação e Marketing pela Universidade Cruzeiro do Sul e especialização em Educação e Relações Étnico-Raciais pelas Faculdades Integradas Campos Salles. Atua há 10 anos no mercado de comunicação e é membro do coletivo desde 2020. Foto: Arquivo Pessoal — Ilustração: Guilherme Carvalho / Comunica Black.

Como mensagem final, os dois coletivos convidam os interessados a se aprofundarem e a fazerem parte das organizações, para as pessoas poderem se aquilombar e confiar em si mesmas. Para participar do Comunica Black, basta entrar em contato com um dos membros ou enviar uma mensagem para as redes sociais nas quais você está inserido. Já para participar do RP Negres, é necessário ser um RP negre ou indígena e contatar o coletivo pelo Instagram ou LinkedIn.


O quinto e último encontro da jornada será no dia 09 de novembro, às 19 horas, na sala Homero de Barros, no primeiro andar do prédio Dom Pedro I, da Reitoria. A conversa neste dia será sobre cultura negra, como samba, hip hop, capoeira e muito mais.

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