sáb 23 out 2021
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“Só viemos ajudar”

Roda de conversa entre médicos estrangeiros, integrantes da Casla, movimentos sociais e cidadãos que quiseram dar as boas-vindas aos recém chegados

Uma semana depois do desembarque no Paraná, o grupo de profissionais trazido pelo Programa Mais Médicos foi recebido com alegria, na última terça-feira (05), na Casa Latino-Americana (Casla). A acolhida contou com café, roda de conversa e com a presença de qualquer um que quisesse lhes dar as boas-vindas.

Dentre os médicos estrangeiros que vieram exercer a profissão na capital paranaense e atender a Rede Básica Municipal de Saúde estão nove cubanos, dois venezuelanos, um colombiano e um egípcio. O programa ainda conta com dez brasileiros. Eles irão compor o grupo de Medicina da Família e a previsão de estadia é de três anos no Brasil, período de duração do registro provisório de Medicina.

Antes de chegar à Curitiba, os médicos passaram por três semanas de treinamentos e avaliações nas cidades de Brasília e Vitória. Já na capital paranaense, irão acompanhar o trabalho dos médicos que atuam nas unidades de saúde. Após esse período, e com o registro em mãos, poderão começar a atuar na unidade a que foram designados, principalmente na região metropolitana da cidade.

Casla de portas abertas

O encontro foi promovido pela ONG Casa Latino-Americana (Casla), que está, há 30 anos, engajada com a integração entre Brasil e outros países latino-americanos. A organização presta auxílio aos imigrantes com necessidade de regularização jurídica no Estado e faz parcerias para a realização de cursos de Língua Portuguesa, por exemplo.

“Estamos abrindo a porta da Casa Latino-Americana para vocês.”, declarou a presidente da Casla, Gladys de Souza, durante a apresentação da instituição para os médicos estrangeiros. Segundo a vice-presidente da ONG, Ivete Maria Caribé da Rocha, toda vez que acontecem grandes migrações, a Casa Latino-Americana se coloca à disposição para ajudar naquilo que for possível.

Ela diz que o principal objetivo do encontro foi fazer com que os médicos estrangeiros se sentissem acolhidos com muita fraternidade. “A finalidade dessa acolhida é mostrar para eles que nós somos irmãos”, afirma.

Palavra de quem chega

Maria Fernanda Fernandes, filha de mãe brasileira, deixou a Venezuela – país que também realizou um programa similar ao programa Mais Médicos do Brasil – para exercer a medicina na Unidade Básica Tarumã, no Boa Vista. “Nosso trabalho vai deixar uma marca, vai romper esse paradigma”, afirma Fernandes, com relação a desaprovação de parte da população à vinda de médicos estrangeiros para o país.

O médico cubano Luis Enrique Fallas também expressou suas expectativas diante do começo do Programa e da reprovação que tem observado: “Espero ficar à altura do que o momento histórico está precisando”.

Dentre a variedade de nacionalidades e perspectivas dos médicos que se apresentavam, um ponto era unânime: a vontade de ajudar. Disseram que a vida não deveria depender daquilo que se pode pagar, que estão no Brasil para mostrar trabalho, excluindo qualquer ideia de competição. Somente muita ajuda.

Saúde garantida, moradia não

 Já é certo que os médicos estrangeiros que chegaram à Curitiba irão contribuir para garantir a saúde da população em 13 Unidades Básicas de Saúde, dentre elas a Salvador Allende no Bairro Novo, Eucaliptos no Boqueirão e Sabará, na CIC. Contudo, esses médicos estão com dificuldade para encontrar uma moradia. Precisam de uma estada perto da região onde vão atender, mobiliada e ampla, pois vão morar em grupos.

Curitiba optou por fornecer ajuda financeira para as despesas com moradia. Entretanto, isso não exclui a dificuldade de achar uma casa. Adversidade essa que ficou por conta dos próprios médicos e da coordenação do Programa. Até o momento do encontro, eles estavam alojados no Ginásio de Esportes Professor Almir Nelson de Almeida, no Tarumã.

Durante o encontro, essa questão foi levantada e pediu-se a cooperação de quem pudesse ajudar, tanto com a disponibilização de algum móvel ou mesmo com a indicação de um local para esses médicos se acomodarem. A presidente da Casla Gladys de Souza, deixando um convite e a instituição à disposição reiterou: “Sejam bem vindos. Se querem descansar, venham. É simples, mas estamos aqui”.

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