sex 22 out 2021
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Suco de laranja potencializado

O Brasil é o maior produtor mundial de laranjas, responsável por aproximadamente 25% de toda a produção. De tudo o que se produz no país, mais de 70% são utilizados para a fabricação de sucos. Uma pesquisa orientada pelas irmãs Juliana e Gabriela Alves Macedo, bioquímicas de alimentos, pesquisadoras e professoras do Departamento de Ciências de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da UNICAMP, analisou a ação da enzima tanase do fungo Paecilomyces variotti em amostras de suco de laranja. Após a avaliação, registrou-se um aumento de 17% no total de polifenóis, além da modificação de alguns de alguns deles para um outro tipo, que possui maior ação antioxidante. Dependendo do método de biotransformação utilizado, essa ação aumentou de 50% a 70%.

O objetivo da pesquisa é aumentar a proporção de polifenóis, substância com ação antioxidante, combatendo radicais livres relacionados à prevenção de doenças crônico-degenerativas, cânceres, diabetes e doenças cardiovasculares. A laranja já possui esse composto, mas ligado a moléculas de açúcar que acabam por limitar seu efeito. A solução encontrada na pesquisa foi utilizar a enzima de um fungo para quebrar essas moléculas e fazer com que as células absorvam os polifenóis com mais facilidade.

O suco de laranja modificado possui o mesmo sabor que o original. Foto:GettyImages

Por que a laranja?

A escolha da laranja se deu porque “ao testar novos substratos, descobrimos que esta nova enzima atua não só em galotaninos (um tipo de polifenol), mas também em flavonoides (outro tipo de polifenol) presentes na laranja e que previnem várias doenças. Além disso, somos o maior produtor mundial”, afirma Gabriela. No entanto, a laranja não foi a única testada. “Já avaliamos também sorgo, cevada, chá verde e mate”, conta.

Os polifenóis são encontrados também em outros alimentos como frutas, legumes e cereais, assim como em diversos chás e sucos de frutas. Abacaxi, banana, mamão, manga e tangerina são apenas parte dos exemplos de onde encontrá-los para consumo. “A enzima pode ser empregada no suco ou no bagaço para usos distintos. Muitos alimentos possuem polifenóis com diferentes composições e funções metabólicas. Esta enzima pode ser usada em vários alimentos diferentes”, diz a pesquisadora. Nos processos utilizados na laranja, foi possível produzir a enzima no bagaço e usá-la no suco para aumentar seu poder antioxidante, sendo este o principal objetivo da pesquisa.

A tanase não apenas separa o fenol da glicose, ela também o transforma em moléculas menores, fazendo com que sejam mais facilmente absorvidas pelo organismo. “São compostos de peso molecular muito variável e quanto maiores, se ligam mais facilmente a proteínas e açúcares. Os trabalhos são sempre no intuito de hidrolisar fenólicos, de glicosilar (adicionar carboidrato a uma molécula receptora) e aumentar a bioatividade”, explica Gabriela.

Gabriela garante que o sabor do suco não muda e que os polifenóis e as glicoses não se aglutinam novamente, nem quando adicionado açúcar. “Ao adoçar, adicionamos sacarose, e não é possível glicosilar novamente a molécula somente adicionando açúcar. Este processo é realizado dentro da célula vegetal”. Então a única diferença é o aumento no teor de antioxidantes. Segundo o Jornal da Unicamp, pesquisas mais recentes perceberam que a hesperitina – polifenol preponderante na laranja – tem efeito de diminuir a proliferação de células cancerígenas. Com a produção economicamente viabilizada, ela poderá ser disponibilizada para consumo em cápsulas. No entanto, o processo de separação do polifenol é muito caro, limitando esta forma de uso. A empresa Citrosuco já demonstrou interesse na produção, mas ainda estão em processo de negociação para a exploração da tecnologia. Por enquanto, o supersuco de laranja só funciona academicamente.

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