sex 22 out 2021
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Tai Chi Chuan: Da arte marcial ao equilíbrio psicológico

A mistura de arte marcial e expressão corporal resulta na prática chinesa conhecida como Tai Chi Chuan. Diferenciado das outras artes marciais, a técnica trabalha também com os movimentos internos do corpo. Assim, você aprende movimentos que lhe dão a chance tanto de se auto defender como também de melhorar sua qualidade de vida, em aspectos de saúde, discernimento mental e de equilíbrio corporal.

A prática cativa muitas pessoas em todo o mundo, e além de aulas ofertadas em academias, há quem ofereça aulas gratuitas ao ar livre. Essa foi a escolha que o mestre e professor de Tai Chi Chuan Levis Litz fez. Todo sábado em que não chova, às dez horas da manhã, a Praça do Japão recebe os alunos de Litz. Nada sério, nada rígido e sem pré-requisitos. Participa quem quer participar.

A qualidade da aula é uma mistura entre a paciência e dedicação de Litz, que tem contato com o tai chi há mais de duas décadas e já foi à China estudá-lo, e a sensação de liberdade que o local da prática proporciona. Com a música instrumental que o professor coloca como plano de fundo e a brisa fresquinha da manhã, não há outro lugar em que você deseje estar naquele momento.

Além disso, você se sente bem-vindo e sem aquela pressão de ter que fazer tudo certo. “Faça no seu ritmo, se precisar descansar, descanse”, diz Litz várias vezes durante a uma hora de tai chi chuan. Dentre os aproximadamente vinte participantes daquela manhã, mais da metade estava ali pela primeira vez. “Como não dá pra fazer uma avaliação individual e os alunos são muitas vezes rotativos, opto por ensinar sempre o básico, mas sem prejudicar ninguém com isso”, explica o professor voluntário. Os elementos envolvendo a aula te relaxam e a experiência se torna única, mesmo que uma leve dorzinha muscular apareça no final.

As aulas têm movimentos mais básicos para conseguir suprir o nível de todos no Tai Chi Chuan.
(Foto: Thais Barbosa)

O médico aposentado Valdir Pierro, de 74 anos, conheceu o tai chi chuan por acaso ao passear pela Praça do Japão e se interessou desde então. Para ele, é uma experiência incrível poder complementar sua medicina tradicional com a medicina oriental. “Eu me encantei, e além disso fez bem para minha saúde física e mental”, conta o aposentado que conseguiu sair da depressão com a ajuda da arte marcial chinesa.

O tai chi chuan é muito estudado e recomendado por terapeutas e médicos, e como explica Litz, na situação atual em que vivemos, de estresse e correria, praticar a técnica se justifica por si só. Professor de Comunicação Social da UFBA – Universidade Federal da Bahia – André Lemos, 52, tem contato com o tai chi há mais de trinta anos e se sente transformado desde então. “É incrível, ainda mais ao ar livre, que é o ambiente mais propício para isso. Já participei de muitas artes marciais, mas foi no tai chi que eu me encontrei”, revela André.

O Tai Chi Chuan pode ser praticado por crianças, adolescentes, adultos e idosos, em casa, no trabalho, na escola, na praça, na academia ou onde você preferir. Os resultados serão físicos – externos e internos, psicológicos e não há contraindicações.

 

História

A prática parte da ideia de que todos podem encontrar uma fonte de energia (o “tai chi”) em seu interior, baseando-se no taoísmo – tradicional filosofia chinesa – e nos movimentos da natureza.

O Tai Chi Chuan é baseado também na medicina tradicional chinesa. Quando praticado os órgãos internos se massageiam e o sistema circulatório é melhor estimulado, aumentando a concentração e diminuindo o estresse, por isso é recomendável para todas as idades. Os movimentos cíclicos e suaves têm relação com o ying e yang – duas energias opostas em equilíbrio – e representam a filosofia e o esforço, o equilíbrio e o movimento.

A história dessa arte marcial tem duas versões, a poética e a factual. Levis Litz conta que, segundo a lenda, um monge criou a técnica a partir da observação do combate entre uma garça e uma serpente. Mas o fato, até registrado pelo governo da China, é que a iniciativa foi de Chen Wangting no século XVII, um general chinês que depois de se envolver com práticas taoístas de meditação e circulação de energia uniu-as com seus conhecimentos marciais.

 

Serviço

Praça do Japão, todo sábado sem chuva, às 10:00.

O mestre Litz é editor da revista Tai Chi Brasil e está escrevendo um livro sobre a arte marcial.
(Foto: Fernanda Tieme Iwaya)
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