seg 18 out 2021
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Talentos que estão além do comum

Segundo a ABAHSD – Associação brasileira para altas habilidades e superdotados – pessoas com altas habilidades/superdotação são aquelas que “apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas”. A psicóloga Delia Ávila, especialista no assunto, explica que hoje se admite a existência de 8 tipos de inteligência no cérebro humano, que abrangem diversas áreas do conhecimento. Os famosos testes de Q.I já não são suficientes para determinar esses casos. “A superdotação não tem uma especificidade, mesmo dentro de uma mesma área as potencialidades podem se diferenciar. A população de superdotados é heterogênea”, afirma.

Como Identificar as Altas Habilidades?

Martina Sohn Fischer tem 20 anos, é dramaturga e cursa o segundo período de filosofia na UFPR. No último ano um de seus textos se destacou na cena teatral do país. A peça “Aqui” foi considerada por críticos como um “acontecimento extraordinário na dramaturgia brasileira contemporânea”. Apesar de estranhar o termo altas habilidades, Martina explica que a escrita sempre fez parte da vida dela. “A minha mãe é professora, então sempre tive estímulo a leitura. Desde pequena sempre fui muito ansiosa para aprender a ler. Isso foi sempre uma paixão, a escrita acabou surgindo como impulso, não foi nada planejado¨, conta.

Bárbara Sardi tem 15 anos e está cursando o ensino médio. Nessa idade ela já cumpriu um dos requisitos que a cultura popular recomenda para uma vida completa: tem dois livros escritos e publicados. Sardi explica que, desde pequena, sempre se destacou no colégio na produção de redação, chegando a ganhar concursos de produção de texto. “Há menos de quatro anos, comecei a notar que algo tão normal para mim, como escrever e gostar disso, era distante da realidade dos meus amigos, que não possuíam os mesmos gostos”.

A observação dessas habilidades é essencial para identificar a superdotação. É importante que os pais e professores estejam sempre atentos ao desenvolvimento das crianças e a possível manifestação de características específicas. Além da facilidade de aprendizado, outras situações podem ajudar a indicar um caso de altas habilidades/ superdotação. “Num primeiro momento o que se percebe são indicativos. Por exemplo,  há o interesse por assuntos que não são muito comuns para a faixa etária. Geralmente eles são muito observadores, fazem perguntas inteligentes e não se satisfazem com qualquer resposta. Em uma idade maior os superdotados podem começar a se interessar por livros mais complexos, apresentam altos níveis de concentração e propõem diferentes olhares sobre o mesmo fato” , explica a psicóloga Delia Avila.

A peça “Aqui” escrita por Marina foi aclamada pela crítica como “acontecimento extraordinário na dramaturgia brasileira contemporânea”. Foto: Guilherme Pupo/Folhapress

O Incentivo é fundamental

É importante ressaltar que inicialmente essas habilidades são potencialidades, ou seja, o estímulo ao desenvolvimento é essencial para que esse talento ganhe destaque.  “Meus pais me ensinaram desde cedo que eu era importante e deveria fazer a diferença, e é isso que sonho: atingir as pessoas de forma positiva por meio da escrita”, conta Bárbara. Os pais, professores e responsáveis precisam acompanhar o jovem na procura de materiais e informações que o ajudem a suprir à sua curiosidade. Se ele se gostar de ciência ou história, por exemplo, é interessante auxiliar na busca de livros, sites e estudos sobre o assunto.

Com apenas 15 anos a estudante Bárbara Sardi já tem dois livros publicados. Foto: Arquivo pessoal

Quem procurar/ Como agir?

É muito importante identificar os quadros de altas habilidades ainda cedo. Dessa forma se torna possível oferecer instrumentos específicos para o desenvolvimento dessa habilidade e também orientar sobre como lidar com isso. A sociabilidade, por exemplo, é um ponto importante a ser observado. Muitas vezes por possuírem maior facilidade de aprendizado ou por pensarem de forma diferente da maioria das pessoas, os superdotados se deparam com dificuldades de entrosamento que acabam afetando sua auto-estima. O contrário também é possível, a exclusão pode vir do sentimento de ser melhor que os outros. Se necessário, existem profissionais especialistas nessa área que podem auxiliar nesse processo.

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