qua 20 out 2021
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Transporte público de Curitiba: exemplo nacional?

Em tempos de grandes preocupações com o meio ambiente e os engarrafamentos, campanhas para reduzir a circulação de carros são comuns. Incentivos para ir ao trabalho a pé ou de bicicleta – pelo bem da saúde, do trânsito e do ar – são constantes. Para quem não tem tempo ou mora longe do destino há uma alternativa: o transporte público. Mas os ônibus curitibanos são satisfatórios o suficiente para substituí­rem o conforto dos carros?
A dona de casa Ester Ferreira não usa ônibus regularmente, mas utiliza-o como saí­da para driblar o tempo. “Pego quando preciso vir ao centro rápido, para pagar contas”, relata. Ela prefere andar de carro, embora reconheça vantagens no transporte público. “É mais fácil do que o carro, porque não preciso me preocupar com estacionamentos”, constata.

Desconforto e insegurança

Uma das maiores reclamações de usuários do transporte coletivo é quanto à lotação. O segurança Antônio Pena usa quatro ônibus por dia, duas linhas na ida e duas na volta. “Quando pego estão sempre cheios”, diz. A estudante de arquitetura Michelle Doraman também reclama: “Pego ônibus duas vezes por dia, são cheios e tenho que esperar muito”.
A falta de segurança é outro ponto apontado pelos usuários. “Tem que ser sempre cuidadoso, não tem segurança para os passageiros nem para o motorista”, adverte o motorista de caminhões Diomar Brizolla. A dona de casa Ester também se sente insegura. “Temos que estar sempre com o pé atrás”, aconselha. Ela tem motivos para a preocupação: “Uma vez estávamos sendo assaltados e demorei a perceber. Pensei que era uma brincadeira, o ladrão conversava com o cobrador como um amigo”, lembra.
Michelle também já teve problemas com roubos dentro de ônibus. “Fui ceder lugar para uma senhora e um ladrão se aproveitou da minha distração. Roubou o meu celular”, conta.

Novidades para melhorias

Segundo a assessoria de imprensa da Urbs, empresa responsável pelo planejamento do transporte público de Curitiba, estão sendo planejadas melhorias como monitoramento por satélite, elevadores e adaptações internas para portadores de deficiências. “O transporte coletivo de Curitiba terá 293 novos ônibus. Os veí­culos entrarão para a frota de quase dois mil ônibus e prometem mais segurança e conforto”, afirmam.
“Algumas linhas terão ônibus mais espaçosos. A Linha Verde começará a funcionar entre o Pinheirinho e o centro com 18 veí­culos. As novidades iniciarão no segundo semestre deste ano”, prevêem.

Tempo e dinheiro

Cada centavo tem um destino certo, como explica a assessoria da Urbs. “A maior parte da passagem é para pagar a manutenção e funcionamento do veí­culo, o que consome 70% do valor”. Nessa porcentagem estão os custos com combustí­veis e pagamento de motoristas e cobradores. Os outros 30% cobrem impostos, custos com a administração e a compensação feita devido isenções e descontos – direitos de alguns passageiros. “O desconto de alguns tem que ser pago por outros” explica a assessoria.
Mesmo havendo uma justificativa para os valores, para os usuários a tarifa não é adequada. “Sai caro pra quem precisa usar sempre”, afirma Brizolla. O sistema de conexões, sempre lembrado como uma vantagem financeira, toma muito tempo do usuário, como observa Brizolla. “O passageiro paga apenas uma passagem, mas precisa dar um volta muito maior para chegar ao destino”, observa.
O desperdí­cio de tempo não é o único problema das conexões: elas não servem para todos os ônibus, lembra Pena. “Moro no bairro, não tenho como usar conexão, por isso gasto o dobro com passagem. Então acho que precisamos de tarifas mais baixas sim”, afirma o segurança.

Curitibano reclama do preço da passagem, mas aprova as conexões entre as linhas
constelar.com.br
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