qui 21 out 2021
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Uma distribuidora da cultura underground

Fora do círculo das grandes produções e grandes nomes da música, do grande cenário da indústria, está a cultura independente. São produtos culturais feitos com pouco, ou por vezes nenhum, recurso financeiro. Mas a falta de  patrocínio na produção não compromete a qualidade dos produtos, que podem ser muito bons.

Para distribuição de cultura underground existem as “distros” – distribuidoras cujo alvo é exatamente esse tipo de produto. A Share This Breath é um exemplo de distro. No ano de 2009, o designer gráfico Lucas Fuschino criou um blog voltado ao underground e, hoje, contando com mais oito pessoas, a Share já divulgou o trabalho de mais de 500 artistas em seu blog. O abrangente acervo conta com CDs, EPs, vinis, quadrinhos, zines, livros, entre outros materiais.

“Como estamos espalhados Brasil afora – Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio [de Janeiro]–, um protocolo de ação é inviável. Funcionamos de forma linear, sem hierarquias. Tudo que fazemos é um consenso, conversado por todos ou pela maioria antes de chegar a público”, explica Lucas, sobre o funcionamento da Share. Ainda de acordo com ele, todos os membros procuram material para a distro, mas este está mais concentrado nas cidades de Curitiba e Brasília.

Em Curitiba, os representantes da Share This Breath são o autônomo Hugo Goss e o instrutor físico Pedro Gouveia da Costa. “Minha proposta foi de expandir a banquinha da Share. Essa ideia foi válida para quem quisesse fazer a banquinha na sua cidade, já que somos um grupo de todos os lugares do Brasil. Comentei com o Lucas de a gente juntar um material bacana de bandas que eu e o Pedro temos aqui em Curitiba e em caso de materiais repetidos poderíamos fazer trocas entre a gente”, conta Hugo.

A venda dos produtos acontece em banquinhas montadas em shows e eventos de bandas. Entra-se em contato com a organização do evento perguntando da possibilidade de montar a banca e, se o sinal for positivo, o material a ser vendido é selecionado de acordo com o tipo de público que irá estar no local. Segundo Lucas, “é selecionar os materiais de acordo com o estilo de som mesmo. Se o evento é hardcore, levamos material de hardcore. Se é feminista, levamos materiais feministas, etc”.

Banquinha da Share This Breath, fazendo divulgação da cultura fora dos circuitos industriais. O logo da distro foi feito pelo próprio Lucas. Foto: Divulgação

Outro critério para montar a banquinha está nos princípios dos integrantes da Share This Breath: eles não serão encontrados em eventos de bandas que possam ferir os valores nos quais acreditam, contra discriminação e violência.

Além das banquinhas e o blog, a divulgação que a Share This Breath faz para o underground está também no facebook: todas as semanas, na página da rede social, é publicada uma agenda de shows em nível nacional. Também acontecem sorteios de cortesias à shows ou de algum tipo de material.

 

Selo Share This Breath

Agora a Share é também um selo musical e alguns produtos já foram lançados. “Por enquanto, lançamos fisicamente os discos do Enema Noise (DF) e o EP novo do Caim (DF/GO). Também relançamos o primeiro EP do ‘Teu Pai Já Sabe?’, porém sem assinar com nosso selo, a pedido da banda”, diz Lucas, que começou a se interessar por cultura underground por volta dos 13 anos, já que não gostava das coisas que tocavam no rádio ou na TV. A produção desses primeiros materiais com selo se deu de maneira praticamente artesanal, utilizando carimbos e estênceis — técnica que utiliza um molde de papel (ou outro material) com um desenho vazado para aplicar tinta por cima. Houve também produção gráfica para as impressões.

“Mais do Menos” é um split das bandas Enema Noise e Valdez,
relançando pelo Selo Share This Breath. Foto: Divulgação

“Posso dizer que nosso foco atual é capitalizar a Share para poder fazer mais lançamentos”, conta o designer gráfico.  Segundo ele, a parte financeira não é tão fácil de ser alcançada com uma distro, uma vez que a maior parte da renda vai para as bandas. Algumas soluções já foram encontradas: um bazar foi feito na Endossa, onde já contam com um ponto fixo, e lanches vegan também já estão sendo feitos para venda.

 

Serviço

Para maiores informações sobre a distribuidora, downloads e material os links de acesso são o facebook e o blog.

 

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