ter 26 out 2021
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Venda do HSBC gera inseguranças em Curitiba

O governador do estado recebeu em seu gabinete, no Palácio Iguaçu, o presidente do HSBC no Brasil, André  Brandão.  (Foto:  Arnaldo Alves / ANPr)
O governador do estado recebeu em seu gabinete, no Palácio Iguaçu, o presidente do HSBC no Brasil, André Brandão
(Foto: Arnaldo Alves / ANPr)

Nesta semana, o presidente do HSBC Brasil, Andre Brandão, reuniu-se com o governador Beto Richa para discutir o futuro do banco no Paraná. Em Junho, a rede HSBC anunciou o encerramento de suas atividades no Brasil e na Turquia, previsto para o final de 2016. Dos cerca de 21 mil colaboradores do HSBC, aproximadamente 8,5 mil trabalham no Paraná. Curitiba, que abriga a sede do banco, tem mais de 7,1 mil empregados direitos. Ainda na capital paranaense existem cinco núcleos administrativos, que empregam em torno de 5,8 mil bancários, de acordo com o sindicato da categoria.

O desemprego e as incertezas econômicas

Após reunião com o presidente do banco, Richa afirmou que a venda poderá causar impactos aos paranaenses. O professor de economia monetária e mercados financeiros da UFPR, José Guilherme Vieira confirma a previsão. Para ele, uma das principais ameaças é o desemprego dos funcionários das sedes administrativas. Isso porque os três bancos considerados grandes candidatos à compra – Santander, Bradesco e Itaú – já têm sedes administrativas no país, fora de Curitiba.

Além disso, parte das agências do HSBC na capital ficam próximas às agências dos favoritos à compra, o que leva a uma previsão de corte dessas unidades. “O processo recente de expansão dos bancos já se faz no sentido de reduzir estruturas. Onde as agências do comprador e do comprado forem próximas ou concorrentes, elas serão fechadas”, afirma Vieira.

A partir dos desempregos, o professor da UFPR preocupa-se com as oportunidade de trabalho que restarão em Curitiba. “Os profissionais com alta qualificação e especializados podem só conseguir emprego em São Paulo ou no Rio de Janeiro com a saída da sede daqui”. Além disso, Vieira foca nos familiares e amigos desses trabalhadores. “O clima negativo transborda para esses círculos também, fazendo com que todos reduzam um pouco suas expectativas de consumo. Isso vai ocorrer em todas as partes do Paraná, em certa medida”.

Caixa da prefeitura

O caixa do município também vai sentir a saída do HSBC. Isso porque o banco é o maior pagador de Impostos Sobre Serviços (ISS) da cidade. Em 2014, recolheu R$ 84 milhões, o equivalente a 1,3% de todas as receitas da prefeitura. Em entrevista à Gazeta do Povo, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), disse que o dinheiro recolhido anualmente pelo HSBC equivale à folha de pagamento anual de 1,3 mil professores municipais, ou então ao custo de construção de 1,2 mil casas populares, ou à manutenção de toda a infraestrutura do transporte coletivo.

O clima é estável para os clientes do banco

Para os correntistas, porém, nada muda. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), “o banco que adquirir os ativos do HSBC à venda no país também vai receber os correntistas e, com eles, herda o contrato de prestação de serviços para os clientes”. Além disso, os clientes do HSBC não são obrigados a ficar no banco comprador, porque existe a “portabilidade bancária”, que permite que o cliente, caso fique insatisfeito com o serviço prestado, leve sua conta, financiamento, seguros e investimentos para outro banco.

Sede do HSBC fica no Palácio Avenida, na Rua XV de novembro.  (crédito: Antônio More/Gazeta do Povo)
Sede do HSBC fica no Palácio Avenida, na Rua XV de novembro.
(crédito: Antônio More/Gazeta do Povo)

Reação dos funcionários e a comunicação interna

No mesmo dia em que foi anunciado o encerramento das atividades, quatro centros administrativos realizaram protestos em Curitiba. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, ficaram fechados os centros localizados no Palácio Avenida, Hauer, Kennedy e Xaxim. De acordo com Antônio Luiz Fermino, secretário-geral do Sindicato, os centros ficaram fechados visando a garantia dos empregos. “Estamos buscando uma transição com garantia de emprego. Vamos dialogar com o Banco Central e com o Cade (Conselho Administrativos de Defesa Econômica)”, contou.

Um funcionário do HSBC de Curitiba, que não pode ser identificado por causa das políticas do banco, contou que ficou sabendo da possibilidade da venda através de um e-mail. “Em maio, informaram via e-mail a possibilidade de mudanças, e que, após uma análise, voltariam a nos comunicar. Em junho, enviaram um novo e-mail falando que eles abririam a possibilidade de venda e caso aparecesse uma boa proposta, a negociação poderia acontecer”.

O funcionário também disse que não há nenhum comunicado oficial sobre o futuro das agências. “Eles apenas pedem que continuemos trabalhando normalmente e que caso alguém queira procurar um novo emprego, que fique a vontade, porque não podem garantir nada”, concluiu.

Entenda o fechamento do banco no Brasil

A instituição britânica pretende, com a operação, realizar um corte de até 50 mil empregos, gerando uma economia de até US$ 5 bilhões. A intenção é acelerar seus investimentos na Ásia. O HSBC é, atualmente, o sétimo maior banco do país e anunciou por meio de nota que deve manter uma atuação mínima aqui, apenas com grandes investidores.

Stuart Gulliver, chefe executivo do grupo, afirmou que a falta de abertura comercial no país foi um dos fatores mais importantes para a decisão de encerrar as atividades no Brasil e na Turquia. No Brasil, por exemplo, o banco tem 853 agências e teve, em 2014, prejuízo de R$ 550 milhões.

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