Por Emilly Silveira
Compreender o ciclo da violência contra a mulher é o primeiro passo para interromper abusos antes que eles cheguem a vias de fato ou à morte. Mapeado pela psicologia, esse processo não acontece de forma isolada. Ele se repete e se divide em três etapas bem definidas que prendem a vítima em uma dinâmica de controle e medo.
A primeira fase é o aumento da tensão. Nesse momento, o agressor demonstra irritação por motivos fúteis, começa a controlar comportamentos cotidianos, restringe o convívio com amigos e familiares e passa a ditar regras sobre o que a mulher pode ou não vestir.
A segunda fase é a explosão. É quando a tensão acumulada se converte em violência explícita, que pode ser física, psicológica, moral ou patrimonial. É o ato de agressão propriamente dito, que muitas vezes deixa marcas profundas ou coloca a vida da vítima em risco imediato.
A terceira e última fase é a chamada lua de mel. Após a agressão, o agressor se mostra arrependido, pede desculpas, chora, oferece presentes e faz promessas enfáticas de mudança. Essa fase cria uma armadilha emocional complexa, gerando esperança na vítima e fazendo com que ela acredite que a situação vai melhorar, o que reinicia todo o ciclo com ainda mais intensidade.
O avanço dos números no Paraná e no Brasil
Essa dinâmica de escalada resulta em estatísticas alarmantes no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou mais de 1.500 feminicídios em 2025.
O cenário nos âmbitos local e regional também acende alertas urgentes. Em Curitiba, foram contabilizados 12 feminicídios ao longo de 2025. Já a Região Metropolitana enfrentou no início de 2026 o primeiro trimestre mais violento dos últimos seis anos, somando 8 assassinatos de mulheres motivados pelo gênero.
O papel do debate e da prevenção
Para transformar essa discussão em políticas públicas efetivas e proteção real, o III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026) reúne especialistas, pesquisadores e forças de segurança para debater o tema. O evento conta com mesas específicas voltadas para a prevenção e o enfrentamento à violência contra a mulher, integrando a programação científica e técnica voltada para a segurança pública baseada em evidências.
SERVIÇO
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, para denúncias, orientações e informações sobre a rede de proteção.
- Ligue 190: Polícia Militar, para situações de emergência e crimes em andamento.
- Participação no FICP 2026: o fórum acontece nos dias 23 e 24 de julho de 2026 no Auditório Mário Schoemberger da UNESPAR, localizado na Rua Barão do Rio Branco, 370, Centro, Curitiba, com inscrições gratuitas pelo site oficial do evento, com encerramento, amanhã, dia 24 e vagas sujeitas a esgotamento.


