ter 25 ago 2026
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Saúde mental na segurança pública é tema de discussões em Fórum Internacional em Curitiba

Por Rebecca Junger, Emily Silveira e Heloísa Duarte 

A atuação no campo da segurança pública é condicionada por fatores de alto estresse, como a exposição constante a situações de risco, a exigência de decisões em frações de segundo e o contato diário com contextos de violência e trauma. Para além dos aspectos operacionais e de inteligência, o adoecimento emocional e os transtornos psíquicos enfrentados por policiais, peritos e agentes penitenciários vêm ganhando centralidade nas análises sobre a gestão da segurança e a eficiência institucional.

O tema integra os debates do III Fórum Internacional de Ciências Policiais (FICP 2026), realizado nos dias 23 e 24 de julho na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), em Curitiba. O evento reúne especialistas nacionais e internacionais, pesquisadores e agentes públicos para discutir a aplicação de evidências científicas e o aprimoramento das políticas públicas voltadas ao setor.

A saúde mental ocupacional foi abordada durante o fórum como uma variável crítica para a preservação da saúde dos servidores e para a manutenção da capacidade operacional das corporações.

Desgaste institucional e o estresse ocupacional

Pesquisas vinculadas ao Programa de Residência Técnica e Pós-Graduação em Gestão da Segurança Pública (RESTEC-GESP), apresentadas em exposição de banners durante o evento, evidenciam a relação entre a rotina de trabalho e os impactos psicológicos nos profissionais.

Em levantamento focado no estresse ocupacional na gestão de equipes de segurança, o pesquisador Bruno Henrique Costa aponta que a combinação entre jornadas intensas, cobranças institucionais e a exigência de estado de alerta permanente atua como fator catalisador para quadros de ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout. O estudo indica a necessidade de programas de suporte psicológico contínuos para mitigar o impacto da rotina operacional.

No âmbito do sistema prisional, a problemática manifesta-se no desgaste diário enfrentado pelos servidores. O pesquisador Alan Gusan analisa os reflexos da rotina carcerária na saúde mental do policial penal, destacando que a gestão do sofrimento psíquico exige o fortalecimento de estruturas institucionais de acolhimento e acompanhamento preventivo.

Enfrentamento do estigma, escuta e políticas preventivas

Historicamente, as estruturas organizacionais das forças de segurança lidam com barreiras culturais que dificultam a busca por auxílio psicológico por parte dos agentes, frequentemente associada a fragilidade funcional. Especialistas presentes no evento ressaltaram a importância de reestruturar a abordagem interna sobre a saúde mental, tratando-a como um componente indispensável da preparação técnica e operacional.

Para o sociólogo e comissário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Sávio Pontes, que participou das discussões do FICP, o acompanhamento deve olhar para todos os envolvidos no cenário de violência:

O participante e mediador de mesas temáticas no FICP, Alexandre Vasconcelos, mestre em Saúde Mental pela UFRJ, defende que a atenção à saúde psicológica deve ser consolidada de forma permanente na gestão pública. Vasconcelos assinala que o cuidado com a saúde mental dos profissionais impacta diretamente a qualidade do serviço prestado e a tomada de decisões em situações de crise.

A promoção de ambientes operacionais mais saudáveis e a mitigação do estresse nas corporações integram o conjunto de propostas discutidas no FICP para a modernização da segurança pública baseada em evidências. Para conferir a cobertura completa das discussões e conferências do evento, acesse as produções especiais do Jornal Comunicação e da Rádio UniFM.

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