Por Ana Cida e Ana Costa
A 34ª edição do Festival de Curitiba começou! Com ela, mais de trezentas peças acontecem do dia 30 de março ao dia 12 de abril. Espalhadas em Curitiba e em diversas cidades da Região Metropolitana, as atrações são realizadas em teatros, casas culturais, auditórios e em diversos tipos de ambientes artísticos. Além dos palcos tradicionais, o Festival também é realizado nas praças da cidade, onde os teatros de rua roubam a cena.
Essa iniciativa acontece dentro do fringe, uma mostra alternativa do Festival. Ele nasceu em Edimburgo, na Escócia, quando artistas que não foram selecionados para um festival decidiram criar uma mostra como forma de valorizar o próprio trabalho. Chegou no Brasil em 1998, na sexta edição do Festival de Curitiba, e dele nunca mais saiu. Assim, o fringe continua sendo um incentivo, uma porta para novos artistas mostrarem que os seus trabalhos também merecem ser vistos.
A mostra fringe, segundo o diretor e dramaturgo da peça Ofídia, Felipe Schier, é a parte mais democrática do Festival e, também, é onde “muitos artistas têm a chance de começar, de apresentar seu trabalho pela primeira vez dentro do fringe, porque o festival é muito bom nisso. Ele divulga muito.”
Nessa edição de 2026, o fringe tem mais de 60 espetáculos dos mais diversos tipos, com dança contemporânea, shows musicais, monólogos, oficinas, comédia e, principalmente, o teatro de rua, o foco dessa reportagem.
Não se sabe ao certo onde o teatro de rua nasceu, mas ele é a maneira mais acessível de levar esse braço da arte para a população. O contato direto com o público torna tudo mais vivo, principalmente em peças como As Bacantes, do Grupo Hápax, em que os atores surgem do meio do público, os efeitos e trilha sonora são feitos ao vivo com diversos instrumentos e o contato é direto, com os personagens há menos de um metro de quem acompanha o desenrolar dessa tragédia grega. O ponto alto são as fantásticas e marcantes máscaras, que tornam a atuação da equipe ainda mais intensa. Nícolas Wolaniuk, o diretor da peça, afirmou para nós que o teatro de rua é, além de tudo, a arte mais acessível do mundo e que é um jeito prático de falar com o público que não frequenta teatro — por falta de acessibilidade, condições financeiras ou conhecimento sobre as peças —, já que muitas saem de casa sem nem pensar em assistir uma peça de teatro, mas se veem assistindo uma em uma praça qualquer da cidade.
Também existem peças que não nasceram nas ruas, mas foram adaptadas para o formato de palco mais informal, como a anteriormente citada “Ofídia”. Com uma pitada do mundo místico, a peça que mistura sonhos e realidade, dança, muita música e performances de tirar o fôlego foi inicialmente pensada para um palco experimental. Mas, a pedido do festival, foi transformada em teatro de rua e assim se consolidou no coração do público curitibano. Felipe conta que, apesar de não ter muito contato com o estilo, o teatro de rua também é importante para ele: “Então, pra mim, o teatro de rua é esse espaço democrático da gente fazer arte onde qualquer um pode, subir num tablado, num palanque, ir lá e fazer, e ainda por cima está muito mais próximo, muito mais conectado com o público.”
Diversas peças ainda serão apresentadas no estilo mais intimista do teatro nos próximos dias. Algumas, serão apresentadas apenas uma vez como A Fome! Isso Não É Um Freak Show, do Circo Encruzilhada, que acontece dia 03 de abril, às 18 horas, na praça Dezenove de Novembro, no centro. Outras serão apresentadas em mais sessões, como Um Fragmento, da Cia. Teatral Pathos, que teve sessões dia 1 e dia 2 e terá a última no dia 4 de abril, às 16 horas na Praça Santos Andrade, no centro. As peças de rua são gratuitas e acontecem, em sua maioria, nas praças do centro de Curitiba ou na rua da cidadania do Tatuquara.
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