sáb 16 out 2021
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“A gente tem que viver o espaço da universidade e para isso é preciso ocupá-lo”

Formada por estudantes que militam nos Centros Acadêmicos da UFPR e por integrantes do Coletivo Rua – Juventude Anticapitalista, a chapa Me Organizando Posso Desorganizar concorre ao Diretório Central dos/as Estudantes. Em entrevista ao Jornal Comunicação, a integrante da chapa e aluna de Direito, Larissa Rahmeier, defende pautas polêmicas como o fim do reitorado e fala em um reencontro dos estudantes com o movimento estudantil.

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Definida como próxima ideologicamente da atual gestão, a chapa Me Organizando Posso Desorganizar defende uma maior participação dos alunos através de reuniões do Conselho das Entidades de Base (CEB), segundo Rahmeier.

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Para vocês, qual o papel do DCE na universidade e no movimento estudantil?

A gente acha que o DCE não tem que ter o protagonismo dos movimentos dentro da UFPR, mas sim os Centros Acadêmicos. São eles quem têm mais contato com os estudantes. Por isso, nossa proposta de promover ações como o banho de lama juntamente com os Cas. Porque assim o DCE vai existir na universidade, não vai ser só um prédio. A gente quer romper com essa ideia de que o DCE é algo só da Reitoria.

A relação com a Reitoria varia dependendo da gestão que assume o DCE. Já houve gestões de enfrentamento e gestões de trabalho conjunto. A atual é conhecida pelo enfrentamento. Que tipo de relação vocês pretendem estabelecer com a Reitoria?

A nossa chapa acredita que o DCE tem que ser autônomo à Reitoria e aos governos. Isso significa ter autonomia política e financeira. A nossa chapa não é financiada por nenhum partido, nenhum governo e nem pela Reitoria porque não queremos ter rabo preso com ninguém. A gente acha que tem que ser combativo no sentido de pautar a demanda dos estudantes. Mas também não dá para deixar de conversar com a Reitoria. A gente quer trabalhar com eles para organizar e ter estrutura no banho de lama e na calourada, por exemplo. Ter esse tipo de suporte.

O prédio do DCE é motivo de discussões frequentes entre o DCE e a Reitoria, principalmente pela questão da falta de segurança do local, que é utilizado para festas. Recentemente houve o episódio do grupo itinerante El Quinto, que se instalou no quinto andar do DCE e passou a desenvolver atividades no local. Vocês são a favor da utilização do prédio nessas condições, inclusive para festas? Como vocês resolveriam essa questão?

Sobre o espaço do DCE, a gente não tem nada fechado. Caso a gente ganhe, vamos debater melhor essa questão. Mas o que temos muito claro é que o prédio precisa ser reformado. Não tem que entregar o nosso prédio pra Reitoria porque ele é um prédio histórico, conquistado pelos estudantes. Não temos um posicionamento consolidado sobre o El Quinto, mas a maioria dos CAs que compõe nossa chapa votaram a favor. A gente acha importante ocupar espaços do DCE.

As instituições públicas têm greves frequentes, visando melhorias na qualidade do ensino superior gratuito. O movimento estudantil tem papel fundamental na articulação dessas paralisações. Há alguma ação planeja por vocês nesse sentido?

Achamos que alguns retrocessos vão acontecer ano que vem. Em 2015, tem um anúncio de não ter mais concursos para professores. E a gente vê uma grande precarização nesse sentido. Na articulação do movimento estudantil nacional, achamos importante pautar a educação pública gratuita de qualidade e socialmente referenciada. Esse ano foi aprovado o Plano Nacional da Educação (PNE), que deve ser implementado num prazo de 10 anos. Com o PNE, 10% do PIB do país deve ser investido na educação. Só que é um dinheiro investido em universidades privadas. O que a gente vê hoje no Brasil é um boom de universidades privadas com pouquíssima qualidade, professores sem qualificação, sem incentivo a pesquisa e sempre mestrado e doutorado. E nelas os estudantes não têm autonomia para se organizar no movimento estudantil. A gente acredita que a educação tem que ser pública e gratuita para todos e não transformada numa mercadoria.

Vocês defendem o fim do atraso nas Bolsas do Probem. Segundo a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantil, o processo seletivo para as bolsas não ocorre logo no início do ano porque a Universidade não fica sabendo de imediato qual será a verba que o Governo Federal destinará para a assistência estudantil. Assim, como vocês pretendem reivindicar isso?

Nada justifica as bolsas do Probem terem atrasado sete meses. Isso fez com que muitos estudantes chegassem a sair da universidade. A verba da assistência estudantil vem do PNAES [Plano Nacional de Assistência Estudantil], que tem investimento de 650 milhões. A gente pauta que sejam investidos 2,5 bilhões. Nossa ideia é pressionar a Reitoria e o Governo. Esse ano a gente achou que o DCE ficou um pouco aquém dessa questão e não prestou esclarecimento aos estudantes. O DCE tem que no mínimo dar alguma resposta e a reitoria é que tem que se virar. Nossa ideia é justamente pressionar a Reitoria.

Integrantes da chapa antes do debate na Reitoria (Foto: divulgalção)
Integrantes da chapa antes do debate na Reitoria
(Foto: divulgalção)

Uma das propostas da chapa Me Organizando Posso Desorganizar que mais chamam a atenção é a do fim do reitorado. Você pode explicar de que maneira isso seria reivindicado e por quê?

A universidade, garantida pela constituição, tem autonomia universitária, mas a gente vê que isso na prática não existe. Nesse ano tivemos a aprovação da Ebserh [Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares], feita de maneira autoritária, com presença da Polícia Federal. A gente acredita que tem que haver mais democracia nas universidades. Hoje, a gente tem uma participação nos conselhos superiores, departamentos e setores de 15% para estudantes, técnicos 15% e professores 70%, como se eles mandassem na universidade, sabendo que a maioria é composta por estudantes. Defendemos a paridade nesses conselhos e instâncias de deliberação: 33% para cada categoria da UFPR.

A pauta do fim do reitorado é algo que a gente pensou para ter algo diferente na campanha, para que as pessoas questionem o que significa a gente ter um Reitor, um homem, branco, heterossexual, sabendo que nunca tivemos uma mulher ou uma pessoa negra como Reitora da universidade. Isso é para que a gente comece a pensar o que significam esses espaços de poder. A gente quer fazer um debate político em torno dessa personalização.

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