qui 21 out 2021
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A tragédia dos Clowns chega à cidade

Joel Monteiro interpreta Hamlet na peça de cenário minimalista
Foto: Pamela Castilho Cohene

“Horácio, há mais entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. A frase é de Hamlet, em uma das mais tradicionais obras para teatro, escrita por William Shakespeare. A peça é considerada pelos críticos e artistas do mundo todo como uma obra aberta, universal, rica e, até mesmo, perfeita. Essa frase, talvez uma das mais conhecidas da peça, também foi imortalizada no Brasil por Machado de Assis, em sua obra “A Cartomante”. E, mais uma vez, Shakespeare retorna ao Brasil. Dessa vez sobre os olhares da Companhia Clowns de Shakespeare, de Natal.

A peça da companhia, que estreou na noite desta sexta-feira (29), no Teatro Bom Jesus pelo Festival de Teatro de Curitiba, fez juz aos ingressos esgotados e à peça original do autor inglês.

De um caráter mais minimalista, com o cenário limitado a um andaime com uma porta de loja, luzes, microfones fixos e cortinas vermelha e preta, a peça encantou e se realçou pela atuação dos atores envolvidos, pelo figurino e a linguagem do teatro. Além disso, o grupo Clowns, de um teor mais cômico, deixou seu lado circense à parte, tangenciando a obra em poucos momentos com essa temática, adaptando a obra original a um estilo fluido e a um espetáculo agradável.

Para o diretor Márcio Aurélio, grandes textos têm a composição com grandes aspectos da linguagem teatral e com técnicas de representação. Segundo ele, o sucesso da peça é fruto do trabalho das duas mãos das cerca de vinte pessoas envolvidas na peça, entre atores, diretores e produção. “É mais fácil realizar um bom trabalho quando se conta com uma boa equipe. A cumplicidade e a contribuição de todos foram sempre bem-vindas”, afirmou.

A Dinamarca é uma prisão

A história se passa numa Dinamarca da idade média, tendo como casa o castelo real dinamarquês. Hamlet, filho do recém-falecido rei, é acometido por um grande luto e um descrédito no mundo e em sua mãe, que se casou com seu tio Cláudio, irmão de seu pai.

A partir de então a trama se complica e Hamlet se vê obrigado a mentir e se fingir de louco para saber sobre a real causa da morte do pai. Mas essa mentira pode trazer consequências para todos da família real, bem como para a Dinamarca.

“Hamlet” é realmente uma peça explêndida, que anda, suavemente, por temas polêmicos que transcendem os questionamentos do entendimento humano como traição, vingança, loucura, incesto, guerra, mentira e honestidade.

Para Joel Monteiro, ator que interpreta Hamlet no grupo Clowns, ser Hamlet é muito diferente e o espetáculo tem um ar de renovação, de novidade a cada apresentação. “A peça é muito rica e, com o Márcio, temos uma liberdade de caminhos, de interpretações. Além disso, viemos de uma temporada de 16 apresentações em Natal, o que deu ritmo à apresentação”, explica o ator. Ele ainda afirma que vir ao festival de Curitiba é sempre muito bom, pois, sendo a primeira vez que a peça deixa o Nordeste, as recepções dos públicos são muito diferentes.

Dudu Galvão, intérprete de Horácio, afirma que a peça conta com a nova linguagem do grupo e afirma estar muito tranquilo com as apresentações. “Curitiba conhece a companhia, o público acompanhou bem e, apesar dessa peça ter sido feita para a nossa sede, num teatro menor, estamos preparados para crescer e aprender com a apresentação num teatro maior”, explica.

Recepção

O público,  ao fim da peça , se mostrou satisfeito com o espetáculo que lhes foi apresentado. Com um número quase nulo de cadeiras vazias, o Teatro Bom Jesus assistiu a “Hamlet” atentamente e aplaudiu de pé, ao fim da apresentação.

A estudante Julia Santos elogiou a companhia Clowns de Shakespeare e a peça. “Gostei desse lado um pouco mais sério da companhia”, afirma.

Para o administrador Pedro Robson Ferreira, que leu o texto original de Shakespeare, as expectativas eram bem altas e foram correspondidas. “Esperava muito dos atores e não me decepcionei: a atuação, o figurino, a carga dramática, foi tudo muito bom”.

O diretor artístico da peça, Fernando Yamamoto, se mostrou satifeito com a apresentação em Curitiba, a primeira fora do nordeste. “Essa peça estreou em janeiro e ainda está num processo de crescimento interno. A vinda a Curitiba só teve no que acrescentar”, explica.

A peça terá uma outra apresentação na noite de hoje (30), às 21h, também no Teatro Bom Jesus. Depois disso deve voltar  ao Nordeste e seguir por João Pessoa, Teresina, Maceió e Aracaju. Os ingressos, no entanto, estão esgotados. Mas quem já garantiu o seu pode ir na certeza de ver mais um dos bons espetáculos do festival.

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