ter 26 out 2021
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Ações da prefeitura provocam discussão sobre a estrutura da cidade para o ciclista

No dia 15 de março foi instalado o primeiro de uma série de paraciclos que serão distribuídos nos terminais de ônibus de Curitiba. A iniciativa é uma medida de incentivo ao uso da bicicleta e visa fortalecer a integração entre modais de transporte.

Curitiba tem hoje 181km de malha cicloviária (Foto: Mariana Rosa)
Curitiba tem hoje 181km de malha cicloviária
(Foto: Mariana Rosa)

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) o primeiro critério no planejamento de novas instalações de estruturas cicloviárias é a integração para a multimodalidade. “O projeto visa a formação de uma malha conectada ao transporte coletivo, buscando a integração entre a bicicleta e o ônibus”, declara o Instituto.

Doutora em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da UFPR, Márcia Bernardinis acredita que o que falta hoje em Curitiba é a integração entre os diversos meios de deslocamento. “Não adianta nada grandes projetos estruturais se forem inseridos de forma isolada dos outros meios. Ele tem que vir integrando, complementando”, analisa.

Para a cicloativista Patricia Valverde, não houve grandes avanços na estrutura que possam ser comemorados. “A bicicleta tem sido reconhecida em outros lugares do mundo, e Curitiba, como modelo ecológico, não está atendendo isso da forma que deveria, e o preço são vidas”, diz. A capital paranaense registrou seis mortes de ciclistas no trânsito, de janeiro até abril de 2015, segundo levantamento da prefeitura.

De acordo com Pedro Coelho, que há um ano e meio usa a bicicleta como meio de transporte, “qualquer cidade é apropriada para os ciclistas, mas faltam paciência e educação da população para compartilhar as vias com outros modais”. Já Ivan Saab Lima, ciclista há quinze anos, acredita que Curitiba ainda está longe de ser adequada para quem usa bicicleta. “Um pouquinho mais de vontade do poder público ajudaria muito”, critica.

Plano Diretor e Lei da Bicicleta

A implantação dos paraciclos faz parte da comemoração dos 322 anos do município e está determinada na Lei da Bicicleta (n° 14594), sancionada em janeiro. A lei define a bicicleta como transporte regular de interesse social, e determina que 5% das vias urbanas serão destinadas a construção de ciclofaixas e ciclovias, de maneira integrada ao transporte coletivo. A implantação da Via Calma na Avenida Sete de Setembro foi uma ação acarretada por esta lei. Inspirada em modelos adotados em outros países, a via é um espaço para ser ocupado por diversos veículos.

A prefeitura de Curitiba declara que pretende investir R$90 milhões para a execução do Plano Diretor Cicloviário. O objetivo é a implantação de 300 quilômetros de vias cicláveis e a instalação de bicicletários nos terminais de ônibus, no intuito de integrar bicicletas e ônibus. Destes 300 quilômetros de vias cicláveis, 170km devem ser de ciclorrotas e vias calmas, que agregam diferentes modais. A medida foi anunciada em 2013 e a conclusão está prevista para final de 2016.

Além da criação de novas vias cicláveis, também está prevista a recuperação ou requalificação de alguns trechos da estrutura cicloviária já existente.

Curitiba tem hoje 181km de malha cicloviária, 54km a mais do que tinha quando o plano foi anunciado.

Entenda a diferença entre tipos de vias cicláveis

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Entenda os tipos de vias cicláveis (Arte: Maria Luiza Petranski / Jornal Comunicação)
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