qua 27 out 2021
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André Vianco lota auditório na 34ª Semana Literária do Sesc

Apesar de sua “cara emburrada e sombria”, como ele brinca, André Vianco possui uma surpreendente veia cômica, como o público descobriu na 34ª Semana Literária Sesc. O título dado para a palestra do autor, “Eu queria ser lido pelas pedras”, homenagem ao poeta Manoel de Barros (1916-2014), acabou tendo um significado irônico, pois, como o próprio Vianco afirmou, ele não quer “ser lido pelas pedras. Eu quero ser lido pelas pessoas e não tenho vergonha disso”.

E lido pelas pessoas ele é. Crescido em Osasco, é um dos principais nomes da literatura nacional nos gêneros de terror e fantasia. Autor de quatorze livros publicados até o momento, entre eles as séries de vampiro “Os Sete” e “O Vampiro-Rei”, já vendeu mais de setecentos mil exemplares desde que se lançou na carreira de escritor, em 1999. Segundo Vianco sua missão “é tentar contar uma história de algo que você já conhece, mas com ingredientes que você nunca viu”.

Diante de um auditório lotado, o autor contou sobre seu complicado início no mundo literário, pois seus dois primeiros livros, “O Senhor da Chuva” e “Os Sete”, foram recusados pelas editoras e ele teve que inicialmente publicá-los por conta própria. Falou também sobre seus novos projetos, como o livro de fantasia “Dartana” e o de terror “Estrela da Manhã”,

Após a palestra, Vianco distribuiu autógrafos, e também pôde dar uma entrevista ao Jornal Comunicação. Acompanhe abaixo o bate-papo.

André Vianco é um dos maiores escritores de literatura fantástica do Brasil (Foto: Divulgação)
André Vianco é um dos maiores escritores de literatura fantástica do Brasil
(Foto: Divulgação)

 

Jornal Comunicação: Pra você, o que faz uma boa história de terror?

André Vianco: Uma boa história de terror precisa ter um bom drama no meio. Não é só aquela coisa de tripa voando pra tudo que é lado, o terror gore não me atrai. Eu gosto quando tem um bom drama. Um menino que sofre bullying e não tem ninguém tentar contatar o pai no além e ser ouvido por outra criatura, aí começa uma intriga. Tem um bom drama, tem uma boa história.

JC: Como você vê o cenário da fantasia brasileira atual?

AV: Muito pródigo. O cenário da fantasia em especial passa por um momento bem diferente porque os autores estão sendo, além de mais lidos, mais ouvidos pelas editoras. O gênero que está vendendo mais hoje no Brasil é essa literatura de ficção de fantasia.

JC: O que você acha que mudou no cenário editorial desde que você começou a publicar?

AV: A maior influência veio por conta da internet, como forma de se comunicar com as editoras e com o público, mas principalmente num espectro que vai além da arte de escrever, que é como a literatura vem sendo comercializada ultimamente. O maior impacto está em como a internet está mudando a forma de comercializar o livro. Hoje o autor tem mais liberdade, se a editora diz não, você pode postar o livro grátis e depois ser descoberto por uma editora, ou você pode publicar diretamente pela Amazon, por exemplo. Tá aí nesse campo a mudança mais profunda.

JC: Qual você acha que é o perfil do leitor brasileiro de terror e fantasia?

AV: O leitor de terror e fantasia é bem abrangente, ele começa na adolescência e eu recebo nas tardes de autógrafo senhores e senhoras de sessenta anos fácil. É uma literatura que atrai uma faixa muito ampla de leitores, que estão cada vez mais ávidos por essa literatura nacional.

JC: Qual você acha que é a importância do clichê na literatura?

AV: O clichê, em alguns gêneros, como o de terror, é necessário. Quando eu digo que você precisa buscar algo diferente, não é esse apagamento do clichê, eu digo buscar outra ótica para iluminar uma leitura, um mito, de uma forma que ninguém viu ainda. Mas você vai se apoiar no clichê para contar a história. As minhas histórias começam, às vezes, com um clichê. Uma caixa com sete vampiros onde está escrito “Não abra”: No gênero de terror, as pessoas vão abrir, o vampiro vai escapar, vai querer sangue, é o clichê. É o que você faz com o clichê que importa, fazer ele ser intrigante.

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