qui 21 out 2021
HomeAmbiente & SustentabilidadeAtuação brasileira no Haiti conta com colaboração da UFPR

Atuação brasileira no Haiti conta com colaboração da UFPR

A UFPR esteve presente no auxí­lio às ví­timas do terremoto que atingiu o Haiti. Entre os dias 14 e 22 de fevereiro, o paí­s caribenho recebeu a ajuda de uma equipe do Centro de Apoio Cientí­fico em Desastres (Cenacid), órgão especial do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Nimad). Em dez anos, o Cenacid já realizou diversas missões, com cerca de 70 pesquisadores e especialistas vindos de variadas áreas de conhecimento, não apenas da UFPR.
O objetivo é apoiar cientificamente comunidades que se encontram em situações de emergência devido a desastres ambientais. O diretor do Nimad e professor de Geologia da Universidade, Renato Lima, integrou a equipe que viajou ao paí­s. Ele conta detalhes da missão da equipe, fala sobre o papel do Brasil no processo e analisa o futuro desta situação.
Comunicação On-line: Como foi a escolha da equipe que participou da missão? Havia algum aluno da UFPR?
Renato Lima: A equipe foi composta por três professores. Eu e George Kaskantzis aqui da UFPR, dos departamentos de Geologia e de Engenharia Quí­mica, e Tiago Badre, professor de Geociências da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Qualquer interessado em participar do Cenacid pode se incorporar ao órgão como membro colaborador.
O candidato passa então por um treinamento, através de seminários e estudos, que visa à atuação em situações de desastres ou ainda na prevenção destes. Após este perí­odo, torna-se membro efetivo do órgão. É claro que na missão do Haiti buscamos levar uma equipe bem preparada, para que pudéssemos ajudar e não atrapalhar.
Comunicação: E qual era o objetivo do Cenacid no Haiti?
Renato: Viajamos para consolidar o apoio brasileiro e reconstruir a assistência comunitária haitiana. Não atuamos individualmente, buscamos passar uma avaliação cientí­fica do processo e dos diagnósticos após o terremoto. A ideia é que a atuação brasileira, inserida na conjunta, evolua para a reconstrução do paí­s. Como em qualquer caso de grande desastre, essa recuperação leva anos.
Comunicação: Como era esse diálogo com as entidades brasileiras? Quem deu as condições necessárias ao Cenacid para a viagem?
Renato: Conversamos com o embaixador para direcionar nossas atuações no Haiti. Viajamos ao Rio de Janeiro pela UFPR (que também cuidou das despesas diárias), e de lá voamos para Porto Prí­ncipe com um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).
Comunicação: Quais foram as maiores dificuldades?
Renato: O Haiti já vivenciava uma situação problemática antes mesmo do terremoto, com problemas de alimentação e saúde, mas o governo sofre especialmente com a questão sanitária. O desastre agravou a realidade do paí­s, já desestruturado, e o governo não tinha condições de manter a reconstrução. A ajuda internacional se fez necessária. Para dar uma ideia, nosso encontro com o Primeiro Ministro foi dentro da Delegacia da Polí­cia Militar, onde seguem com o trabalho.
Comunicação: De que forma a população haitiana, enquanto sociedade civil, se organiza perante os problemas anteriores ao desastre e ao agravamento que ele trouxe? A relação com o povo haitiano é boa? Como recebem as tentativas de ajudas vindas de outros paí­ses como o Brasil?
Renato: A melhor organização dos haitianos que vi foi um acampamento de refugiados, na sede do grupo escoteiro, e essa organização colabora com a ajuda de fora.
O povo haitiano tem muita simpatia pelo Brasil. Antes de nos conhecer, um grande grupo se formou enquanto chegávamos, e nos receberam gritando “Blanc! Blanc!”. Apesar da diferença de lí­nguas, a relação se tornou mais amistosa quando viram que éramos brasileiros. Ao verem a nossa bandeira, a aproximação foi outra.
Comunicação: Qual a conclusão do processo, e que ações serão tomadas diante das condições atuais?
Renato: Quanto ao terremoto, a tendência é que nos próximos meses haja a diminuição dos tremores. Mas pela avaliação desse momento, há forte risco de deslizamentos de terra, devido à época de chuvas frequentes. Isso pode agravar a situação haitiana, é preciso preparo neste sentido.
Outra preocupação é quanto a tempestades ou eventuais furacões, que são mais imprevisí­veis, mas estão dentro de nosso controle. Nossa maior expectativa é poder contribuir efetivamente na reconstrução do paí­s, consolidando a assistência de que a comunidade haitiana carece.

Equipe da UFPR agiu com apoio do exército brasileiro
Cenacid

Renato Lima visita o local onde faleceu Zilda Arns, Coordenadora Internacional da Pastoral da Criança
Cenacid
Grupo atuou junto à comunidade em favelas de Porto Prí­ncipe, capital do Haiti
Cenacid
NOTÍCIAS RELACIONADAS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Populares

Comentários recentes