seg 18 out 2021
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Calouros de Jornalismo ainda sofrem com a matrícula tardia

Calouros de Jornalismo já estão matriculados e cursando suas aulas regularmente no Decom, porém ainda enfrentam problemas consequentes do posicionamento inicial do MEC  (Créditos: Daniel Mota Lopes da Conceição)

A liberação do ingresso de calouros para o curso de Jornalismo dividiu opiniões de professores e alunos. O boicote ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), realizado em 2009 e 2012, visava a busca de maior atenção da UFPR e do próprio Ministério da Educação (MEC) ao negligenciado campus de Comunicação Social. Uma manifestação compreensível, vinda de estudantes sem melhores alternativas de alertarem sobre suas condições acadêmicas. O resultado do protesto veio na forma de uma medida arbitrária e inconveniente.

A proibição do ingresso de novos alunos aos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo veio como um choque para todos dentro da universidade. O boicote ao Enade nunca teve como intuito impedir que pessoas novas entrassem na faculdade. Especialmente considerando que esses novos integrantes cumpriram a sua parte do acordo, realizaram a prova do vestibular e obtiveram as notas mais altas. A liberação da matrícula de Publicidade, ocorrida pouco tempo após a notícia do seu cancelamento, resolveu parte do problema do Departamento de Comunicação, o Decom. O drama do Jornalismo se estendeu até o mês de março, quando, após uma nova visita de fiscais do MEC, foi constatado que o curso estava em condições de receber os jovens integrantes.

Justificativas

O conceito baixo na prova aplicada pelo MEC, juntamente com uma estrutura precária e um número não impressionável de professores no Decom, legitimaram a decisão do Ministério de impedir a entrada dos calouros. Após a nova visita dos fiscais são notáveis as melhorias no campus, derivadas dos esforços do departamento para reverter essa situação. Novos professores já foram contratados, e a biblioteca – que já havia sido reivindicada inúmeras vezes – está saindo do papel e se tornando realidade. A intervenção do órgão de ensino foi importante para o desenvolvimento da faculdade. Porém, importante também foi a liberação da matrícula como decisão final.

Consequências da liberação tardia

É evidente que a revogação do cancelamento da matrícula era a determinação correta a ser tomada. O erro foi a demora da divulgação de um veredito tão óbvio. Os novos estudantes tiveram suas vidas paralisadas por três meses antes de poderem desfrutar de um direito adquirido no dia do resultado do vestibular da UFPR. Os prejuízos, porém, não param por aí. Tendo iniciado o ano tardiamente, os calouros de Jornalismo terão de enfrentar ajustes de calendário e aulas fora de época.

As consequências mais sérias, no entanto, vieram para alunos como Daniel Lisboa, de 18 anos. O posicionamento final do MEC só foi revelado após o estudante já estar instalado em Ponta Grossa, onde agora cursa Jornalismo na UEPG. A paralisação da matrícula teve um impacto tão forte na vida de Lisboa que sua família toda se mudou de Curitiba, sem esperanças de que a situação fosse mudar na UFPR.

Futuro prejudicado       

Por mais nobres que possam ter sido as intenções do MEC em tentar resolver os problemas do Decom a partir do atraso da matrícula de Jornalismo, o ato fez mal e bem nas mesmas proporções. Enquanto as melhorias estruturais e docentes facilitaram a vida dos estudantes que conseguiram efetivamente se matricular no curso de Comunicação Social, o longo período de espera por uma posição final fez com que muitos procurassem novas alternativas. Estes se tornaram, no fim das contas, extremamente prejudicados.

É lamentável que a única forma encontrada pelo corpo educacional de conquistar mudanças no Decom tenha sido tão drástica. Deveriam existir formas menos radicais   para efetivar a comunicação com a Reitoria e com o próprio Ministério da Educação. Ainda mais inaceitável é que estudantes, como Daniel Lisboa, que têm na UFPR o sonho de uma vida sejam obrigados a deixar esses sonhos de lado e buscar seus futuros em outros lugares.

 

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