qui 29 fev 2024
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Cemitério de Piên é cenário de histórias

Com mais de 150 anos, o cemitério da cidade causa opiniões controvérsias nos moradores

O aspecto tranquilo e seguro de Piên, com apenas 13 mil habitantes, atrai muitos visitantes. Por volta dos anos 1850, uma família de imigrantes portugueses saiu de Morretes, uma cidade próxima, em busca de um local definitivo para morar. Fundaram Piên e plantavam grãos como fonte de renda. O cemitério do município, localizado na entrada da cidade, é um local de memórias e homenagens e foi estabelecido no final do século XIX. 

O coveiro Romeu Bueno (51) diz que trabalhar em um cemitério não é fácil, mas é grato pela chance de ajudar a população. Fundou, em 2017, uma empresa de marmoraria com sua esposa, e desde então este se tornou o negócio da família, com um dos filhos ajudando nos serviços. De pias a lápides, a marmoraria presta muitos serviços aos residentes de Piên e arredores.

Romeu trabalha “com amor e carinho por lidar com sentimentos”, uma vez que não é fácil para familiares e amigos enterrar um ente querido. O mais duro, ele diz, é quando deve cavar um túmulo para uma criança. A profissão, essencial para a sociedade, é uma mistura de profissionalismo e tato. Por lidar com a dignidade do corpo de um ser humano, afirma que o atendimento é sempre o mesmo, independente da demanda.

Fundado no final do séc. XIX, o cemitério de Piên é um local de homenagens e memórias / Foto: Maíra Becker

O coveiro, também ex-candidato a vereador, declara não se arrepender nem um pouco do que faz. Com esse emprego aprendeu a valorizar a vida e tratar cada pessoa respeitosamente. Segundo ele, cada dia pode ser o último, por isso todos devem viver de acordo com essa premissa. “No fim, todos voltaremos a ser pó. De que adianta tratar este melhor que aquele? Somos todos iguais perante Deus”.

A lojista Josiane Lesniowski (41) critica a localização do cemitério. Crê que atrapalha o fluxo da clientela, uma vez que está do outro lado da rua de sua loja, e propõe uma mudança de local. “O cemitério quebra a cidade”, desabafa a lojista. Ela, que mora em Piên há 20 anos, afirma que seria melhor para todos se o cemitério fosse para as margens da cidade, onde não influenciaria no ir e vir das pessoas. Segundo a lojista, se houvesse um local de lazer ou comércios na localização atual do cemitério, um fluxo muito maior de possíveis clientes existiria.

No centro da cidade, a localização do cemitério causa divergências entre os moradores / Foto: Maíra Becker

A visão da residente Tânia Mendes (44), que sempre morou na frente do cemitério, é diferente. Quando criança, brincava entre os túmulos e, às vezes, com os ossos que afloravam da terra depois da chuva. Acredita que a localização seja agradável, “são vizinhos tranquilos”, brinca. Tânia nasceu na mesma casa onde mora atualmente, e não vê problemas no cemitério estar no centro da cidade.

Desde 2017 o cemitério de Piên passou por regularizações e melhorias que aumentaram o terreno para sepultamentos e planejaram um paisagismo adequado ao local. O governo pretende, assim, manter a memória de todos que estão ali enterrados e preservar a identidade do município.

Edição por Raíssa Trevisan

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