ter 04 out 2022
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Centro reabilita fauna marinha no litoral paranaense

Após dois meses de cuidados, tartaruga-verde foi solta em frente ao Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná em Pontal do Paraná

Quem viu a soltura de uma tartaruga-verde juvenil, no mês passado, em frente ao Centro de Estudos do Mar no município de Pontal do Paraná, não imagina o trabalho prévio realizado pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), iniciativa que produz pesquisas e monitora, principalmente, mamíferos, aves e tartarugas marinhas no litoral do Paraná.

Segundo a equipe veterinária, o animal estava com diversas complicações de saúde. Na semana anterior à soltura, a tartaruga apresentou sinais clínicos bons, o que garantiu a possibilidade de retorno à natureza. O acompanhamento do animal durou 55 dias. No dia 17 de março, quando chegou ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde de Fauna Marinha (CRED) da UFPR, estava desidratado, com várias lesões e tumores na pele.

A equipe veterinária diagnosticou pneumonia e fibropapilomatose, doença caracterizada pela presença de diversos tumores na pele, que também podem atingir os órgãos internos do animal. O quadro de saúde da tartaruga levou a uma desnutrição grave. Após o tratamento e diversos exames, a soltura foi liberada. Para ser realizada, a tartaruga passou pelo processo de anilhamento, forma de registrar o animal para identificação. 

A ação integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que realiza o monitoramento das praias, presta atendimento veterinário aos animais vivos e faz necropsia dos animais encontrados mortos nas praias desde Laguna, em Santa Catarina, até Saquarema, no Rio de Janeiro. O LEC é responsável pelo trecho de praias dos municípios de Guaratuba, Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba, no estado do Paraná. O PMP-BS é um dos projetos de monitoramento de praias que existem no Brasil, outros monitoram diferentes faixas do país.

Na semana passada, a tartaruga apresentou sinais clínicos bons e foi possível realizar a soltura. Foto: Chananda Lipszyc Buss

“O sentimento é de muita alegria quando a gente consegue retornar o animal para o ambiente natural, fazendo com que essa espécie ainda tenha possibilidade de voltar a se reproduzir e fazer parte do ciclo biológico que esses indivíduos sempre têm que pertencer”, assegura Fábio Lima, médico veterinário responsável técnico do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos. Ele explica que esse caso foi mais uma ajuda para a conservação das espécies, mas também é um auxílio nos estudos para entender o perfil dos encalhes da região.

Alguns visitantes do local se interessaram pela movimentação e observaram a soltura da tartaruga-verde. Um desses casos é o Valdecir Borgo, comerciante de 58 anos e morador de Pontal do Paraná. Ele conta que já tinha acompanhado a soltura de outros animais e nessa ocasião estava caminhando e viu o acontecimento por acaso. “Sempre uma emoção. É como um ressuscitar, né? O bichinho às vezes está ferido, quase morto e eles fazem um trabalho de recuperação. A nossa menina acabou de sair hiper saudável”, relata.

A equipe do laboratório orienta que caso alguém veja qualquer animal marinho vivo debilitado ou morto nas praias do Paraná, entre em contato pelos números de telefone 0800 642 3341 ou 41 9213-8746. “Com muita seriedade, é um trabalho a ser executado para que a gente consiga de forma efetiva ajudar na conservação das espécies”, diz o veterinário. 

Chananda Buss
Estudante de Jornalismo na UFPR
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