seg 18 out 2021
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Cheerleading na UFPR traz discussões sobre o machismo

Dois debates marcaram o final do mês de março no Centro Politécnico da UFPR.  O primeiro, realizado pelo C7 (centros acadêmicos de Engenharias e Arquitetura da UFPR) no dia 24, discutiu temas como a mulher no esporte e a mulher na engenharia. No dia 25, a discussão realizada pelo DCE tinha como tema o “Machismo na Universidade”.

Os dois debates tiverem como motivação a criação de um grupo de cheerleaders do C7 para competir no Engenharíadas – maior competição esportiva universitária entre os estudantes de engenharia do Brasil – que, neste ano, abriu espaço pela primeira vez para a modalidade de cheerleading.

A criação do grupo acabou causando muita polêmica quando, no dia 15 de março, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade publicou uma nota com o título “Cheerleaders – Líderes de Torcida: a naturalização do machismo na UFPR”. Com o apoio de vários centros acadêmicos, a nota afirmava que a prática da animação de torcida, acaba reproduzindo o machismo através da erotização e objetificação da mulher.

Segundo Jennifer Oliveira Martins, estudante de psicologia e integrante do DCE, o C7 é uma instituição historicamente machista, o que pode ser visto nos trotes dos cursos e nas músicas da bateria. “Nas músicas, várias vezes, a mulher é colocada de forma inferior aos homens ou ainda como uma figura sexual mesmo. Nós achamos necessário incitar o questionamento nesses cursos, onde tem tanta gente que, mesmo levando em frente esse tipo de prática, ainda acredita que não é machista”, afirmou Jennifer.

O flyer incentivou a publicação da nota emitida pelo DCE que considera a criação da equipe de cheerleaders perpetuação do machismo na faculdade (Foto: Divulgação)

Marina Jordana Linck, estudante de Engenharia Civil, é integrante do Diretório Acadêmico de Engenharia Civil do Paraná (DAEP) e coordenadora da equipe de cheerleaders. Ela incentivou a criação da equipe porque teve a experiência de líder de torcida em um intercâmbio. A estudante acredita que o DCE, antes de publicar a nota, poderia ter falado com as integrantes e se informado melhor sobre o assunto. A equipe ficou sabendo da nota em uma reunião do DCE em que Marina e mais duas alunas – também cheerleaders- representavam o DAEP. “Eles leram a carta como um informe,  nem ia ser aberto à discussão. Tivemos um breve tempo para questionar e apontar as incoerências, o que não foi suficiente, e a carta foi publicada. Foi como um ‘soco na cara’, ver que talvez as pessoas tivessem uma ideia tão negativa do grupo. Nada daquilo condiz com a intenção de quem participa”, defende Marina.

Jennifer concorda que o DCE poderia ter se informado mais, mas ainda acredita ter sido necessária a publicação da nota. “O que chegou pra gente foi uma foto com meninas que se encaixam naquele padrão de beleza imposto pela sociedade, que mostrava basicamente os atributos ‘sensuais’ delas. Hoje a gente vê que a carta poderia ter sido mais bem escrita, admitimos que talvez o discurso tenha ganhado um tom até ‘paternalista’, mas a intenção era discutir o assunto para que as meninas num futuro possam não enfrentar esse machismo em questão”, explica Jennifer.

Cheerleading

O cheerleading, ou “Animação de Torcida”, foi criado em 1884 na Universidade de Princeton e, incialmente, era praticado apenas por homens. Na primeira metade do século XX,  as mulheres já começavam a participar em equipes mistas. Como técnicas, o esporte utiliza música, dança, elementos de ginástica e de stunting – movimentos de elevação das atletas. Durante muito tempo a modalidade foi apenas um coadjuvante de outros esportes, em especial do futebol americano, mas na década de 1980 começaram as competições exclusivas.

Apesar da longa história do Cheerleading, algumas imagens foram associadas às atletas, principalmente devido ao cinema norte-americano, como a de “símbolos sexuais” e de meninas fúteis. Hoje, no Brasil, existe a União Brasileira de Cheerleaders (UBC) – afiliada à International Cheer Union, um dos órgãos gestores do esporte nos Estados Unidos- que dá suporte às novas equipes.

 

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