seg 18 out 2021
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Coletivos curitibanos promovem guerrilha artística

A Casa Selvática busca colocar o público em contato direto com a arte (foto: Helena Salvador)
A Casa Selvática busca colocar o público em contato direto com a arte (foto: Helena Salvador)

Nos últimos anos, artistas de Curitiba encontraram espaço na capital para formar organizações independentes que promovem eventos e performances, a fim de discutir e incitar novos padrões de arte contemporânea. O Selvática Ações Artísticas e o Água Viva Concentrado Artístico são exemplos de coletivos que procuram promover essa nova consciência de produção reflexiva a partir da mistura de linguagens artísticas não convencionais.

Formado por doze artistas de diferentes estados, o coletivo Selvática fica no bairro Rebouças, em uma casa rosa, logo ao lado da Paróquia Sagrado Coração de Maria. Os quartos são abertos a performances, as salas acomodam festas e as paredes exibem fotografias e peças de arte, permitindo que o público tenha contato direto com a produção artística. Antes da abertura do local em 2012, alguns grupos de performance, teatro e dança já se articulavam e pensavam em abrir um espaço cultural. “Um lugar onde as coisas podem acontecer com uma programação contínua e aberta aos grupos e artistas interessados”, define Ricardo Nolasco, artista residente do coletivo.

Apesar dos principais frequentadores da casa serem estudantes de arte, as modalidades artísticas praticadas pelo coletivo também interessam a outros públicos. “É um espaço de liberdade que trata de temas principalmente ligados às minorias”, afirma a atriz e dramaturga, Leonarda Gluck. Segundo ela, as questões de gênero, do hibridismo e do “diferente” são abordadas pelo coletivo com uma linguagem provocadora e reflexiva.

Os integrantes da Selvática dizem ser visível o interesse das pessoas por espaços alternativos em Curitiba e que as intervenções na rua ajudam na descoberta de novos espaços artísticos não oficiais. Além disso, Gluck aponta o crescimento do coletivo como maneira de enfrentar possíveis preconceitos. “Conforme o coletivo cresce, é impossível negar a sua existência”, diz.

Mas as produções não se limitam ao ambiente da casa. Ou mesmo Curitiba. Em janeiro os artistas da Selvática, em parceria com o Elenco de Ouro, apresentaram a peça “Cabaret Glicose” em Sacavém e Apelação, duas cidades do distrito de Lisboa, em um evento de arte e inclusão chamado “O Bairro e o Mundo”. A  obra, um retrato satírico da dinâmica colonial, agradou não só os imigrantes vindos das antigas colônias portuguesas, como também um grupo de freiras da região. “Poder ver que o que a gente faz não é uma loucura, que tem um contato com o outro, que as outras pessoas gostam, vão, entendem e se identificam, é a maior prova que o que produzimos é algo sério”, destaca Gluck.

A cena vive

Ex-universitários e estudantes de arte, os integrantes do coletivo Água Viva compartilham de uma visão semelhante quanto a abertura de Curitiba para a cena artística alternativa. “Estamos num grande momento de encontro entre as produções independentes. Eu sinto um momento interessante em que  a cena está bem porosa”, afirma Tamíris Spinelli, artista do coletivo, ou “concentrado de arte”, como se auto denominam. A partir da máxima “Expandimo-nos no encontro com o outro”, os jovens artistas do Água Viva promovem encontros de troca e discussão artística constante na sua sede, a duas quadras do Museu Oscar Niemeyer.

O Encontro de Compositores é um exemplo da ação agregadora e do esforço da troca de estímulos e produções organizados pelo coletivo. Bia Figueiredo, artista integrante não só do Água Viva como também do BATTON – Organização de Dança, relata que o objetivo do coletivo pode ser descrito como “o esforço de criar um ambiente de troca, já que a troca potencializa a criação artística. Não só entre os membros do coletivo mas entre várias camadas de receptores” .

Responsáveis pela Mostra de Performances Transborda, uma ocupação da casa que já conta com três edições e já migrou para outros espaços, os membros do coletivo promovem agora uma mostra de música e intervenções artísticas na Capela Santa Maria, a “Sonora Cena”, parte da Mostra de teatro. São cinco dias de apresentações na capela e um sarau na rua São Francisco no sexto dia. Luciano Faccini, também membro do coletivo e integrante da banda E/OU, descreve a atividade dos coletivos de arte como uma guerrilha constante na qual a receptividade se constrói no trânsito e na troca. “Tem muita gente pensando na arte coletiva como uma maneira de sobreviver em Curitiba”, finaliza.

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