qui 21 out 2021
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Curitiba Rock Carnival é palco para diferentes estilos

A banda curitibana Abraskacadabra representou o skacore no festival

Não é só com samba que se faz um carnaval, o Curitiba Rock Carnival é prova viva disso. O evento é um desdobramento do já clássico Psycho Carnival, festival voltado especialmente para o gênero psychobilly, e ocorre entre os dias 1 e 3 de março no estacionamento da Câmara Municipal de Curitiba. A entrada é gratuita mas o clima é o mesmo de qualquer outro festival pago: barracas de alimentação, estandes com camisetas, bottons e uma variedade de acessórios à venda, e claro, o  público característico.

Para onde quer que se olhe há topetes, cabelos coloridos, moicanos, bandanas e lenços, boinas e camisetas de bandas. Mas o que realmente chama a atenção é a variedade na idade geral do público. Famílias inteiras marcaram presença no primeiro dia de Rock Carnival, de crianças a idosos. Não foram poucos os casais que se viam com crianças de colo vestidas a caráter com pequenas camisetas dos Ramones e lenços amarrados no pescoço.

Isso ilustra um pouco a proposta do Rock Carnival que, ao contrário de seu evento-mãe, o Psycho Carnival, oferece uma programação que vai além do psychobilly, trazendo bandas de punk, funk rock, skacore, rock steady e rock clássico. A idealização do evento se deu de uma parceria entre a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e Vladmir Urban, principal idealizador do Psycho Carnival. Já fazia tempo que Urban intencionava aumentar o número de eventos gratuitos vinculados ao Psycho Carnival e a FCC vinha ajudando de maneira mais tímida. No entanto, esse ano surgiu o interesse da Fundação de se vincular a Urban para fazer um evento gratuito de maior porte. Ideia que foi muito bem recebida e acabou culminando no que hoje é o Curitiba Rock Carnival.

Do underground à notoriedade internacional

Em meados dos anos 90 Curitiba já era palco de um festival voltado à cena psychobilly: o Psychobilly Fest. Mas foi Vladmir Urban quem acabou criando por acaso o que viria a ser o Psycho Carnival. Segundo Vladmir, a primeira edição do evento aconteceu quando uma banda de alguns amigos franceses seus veio passar o carnaval no Brasil, por volta de 1997, e ele resolveu realizar um pequeno festival, de apenas um dia de duração, para recebê-los. Devido à proximidade do carnaval o evento foi batizado, de brincadeira, de Psycho Carnival. Porém, foi somente depois de Os Catalépticos – banda da qual Urban fazia parte – tocarem na Europa e se depararem com os festivais de psychobilly de lá, que surgiu a ideia de ampliar o festival para três dias, o deixando no molde dos festivais internacionais voltados para a cena.

Hoje o Psycho Carnival já firmou bem suas raízes e todo ano traz em torno de oito bandas do exterior para tocar por aqui. Esse ano, no entanto, só haverá quatro bandas internacionais participando do evento, devido ao fato de ter sido ampliado o quadro de apresentações gratuitas, restringindo o orçamento. Fato interessante é que duas dessas bandas bancaram seus próprios custos, só para poderem tocar no Brasil. Isso não é exclusivo desse ano e tampouco incomum. “Isso é uma coisa legal do Psycho Carnival, vem banda do mundo inteiro se bancando só pra participar do festival, por causa da notoriedade que o evento tomou no mundo psychobilly”, comenta Vladmir.

Fortalecendo o cenário local

Mas se existe um espaço especial para bandas internacionais no Rock/Psycho Carnival, as bandas da cena local protagonizam o evento. A preferência da curadoria é para bandas que toquem músicas autorais, sejam elas já consagradas dentro do cenário curitibano ou estejam apenas começando. “É muito legal que aconteçam esses festivais porque eles são a força motora das bandas independentes, das bandas de música própria que querem fazer alguma coisa diferente” diz Vladmir, “esse é o grande momento de comunhão dessa cena em torno da música.”. Segundo Urban os festivais são uma maneira de dar horizonte para essas bandas e tornar o sonho de fazer música mais palpável. Seu esforço em realizar um evento com essa ideologia é apreciado pelos músicos locais e serve como inspiração e motivação para as bandas autorais. Um exemplo é Tiago de Sá Jorge, saxofonista e vocalista da banda Abraskadabra, que se apresentou no primeiro dia do Rock Carnival. “A gente cresceu ouvindo coisas como Os Catalépticos e querendo ou não isso influenciou bastante”, comenta Tiago. Sobre a proposta do festival acrescenta “qualquer evento que vá influenciar a galera a vir ver música da cidade deles, de banda autoral, é sempre válido e sempre uma atitude muito nobre das pessoas”.

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