seg 18 out 2021
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Dispositivos a base de polímeros semicondutores são criados em parceria entre UEL e UFPR

Alunos de graduação, mestrado e doutorados trabalham no laboratório desenvolvendo pesquisas

O grupo de Óptica e Optoeletrônica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem desenvolvendo estudos sobre as propriedades ópticas de polímeros semicondutores há alguns anos. Recentemente, com a aquisição de um equipamento que permite fazer a evaporação térmica de metais, é que foram obtidos avanços nas pesquisas. Baseado nesses polímeros foi possível construir um dispositivo dentro da universidade, o que incentiva o aumento dos trabalhos na área e coloca a UEL dentro do grupo de poucos laboratórios capazes de produzir inteiramente um dispositivo, do qual a UFPR já faz parte.

Após a confecção do dispositivo, o grupo da UEL agora está empenhado em melhorar a infraestrutura do laboratório para continuar desenvolvendo os estudos. Além disso, o grupo ganhou visibilidade. “A partir desse ano estamos entre as instituições que participam do INEO – Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica, com sede na USP-São Carlos, que é um dos Institutos Nacionais do governo federal que objetivam o desenvolvimento científico e tecnológico do país em diversas áreas do conhecimento”, conta Edson Laureto, professor orientador das pesquisas realizadas.

Bruno Rostirolla, um dos alunos que desenvolveu seu mestrado sobre o tema da confecção de dispositivos a base de material orgânico, conta que passou uma semana aprendendo e aperfeiçoando as técnicas de fabricação e caracterização de células solares orgânicas no laboratório de física da UFPR. Ao retornar, ele e Laureto desenvolveram diversos dispositivos na UEL. O objetivo da pesquisa era investigar como a introdução de um corante sintético poderia melhorar a coleta da luz solar, aumentando a eficiência dos dispositivos. “Aproximadamente 90% do dispositivo foi elaborado e fabricado em Londrina e o restante foi feito durante minha estadia em Curitiba. Atualmente é possível construir um dispositivo orgânico inteiramente na UEL, mas para fazer a caracterização nos padrões internacionais ainda dependemos de outros centros como Curitiba”, relata Rostirolla.

O salto feito pela pesquisa abre oportunidade para que os próximos alunos possam levar o trabalho para frente, complementando ainda mais o aprendizado teórico na prática. Segundo Rostirolla, o trabalho feito deixou muitas brechas a serem seguidas e trabalhadas e a pesquisa por substitutos do silício como material básico para a produção de dispositivos eletrônicos é uma tendência mundial e cresce exponencialmente. Avançar nessa área é uma vantagem para o Brasil, visto que muitas empresas estão se especificando nesse ramo e a tendência é que elas se multipliquem. “Seria uma pena se o Brasil ficasse dependente de outros países para a produção de bens tecnológicos dessa área”, diz Rostirolla.

Dispositivo criado no laboratório da UEL, que representou um salto no desenvolvimento de pesquisas e deu visibilidade para a universidade

Outro ramo de pesquisa do laboratório a ser seguido e que pode ser mais um grande salto é a produção de um OLED (diodo orgânico emissor de luz) branco, uma tecnologia que permite telas planas muito mais finas e potencialmente mais baratas que os LEDs (diodo emissor de luz) convencionais. Conquistar resultados positivos na área tecnológica é um caminho a ser trilhado pelo Brasil. Programas como o Ciência sem Fronteiras já incentivam os alunos a desenvolver pesquisas e fazer com que esse mercado cresça nacionalmente. “Recentemente fui aprovado pelo programa Ciência sem Fronteiras para continuar meus estudos em eletrônica orgânica no País de Gales e espero poder voltar ao Brasil e acelerar o crescimento dessa área”, conta Rostirolla. Para o professor Laureto, o objetivo é continuar aprendendo com as pesquisas, aproveitando o que já foi conquistado. Dentro da UFPR, alguns grupos de pesquisa têm dado contribuições relevantes para o desenvolvimento de trabalhos científicos com polímeros, tanto nacional quanto internacionalmente, fortalecendo o crescimento do assunto.

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