ter 30 nov 2021
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Em cartaz no MON, “Mens Rea” faz dos visitantes detetives

Inaugurada em agosto, a exposição reúne fotografias e instalações que despertam a curiosidade de quem passa pela Sala 11 do Museu Oscar Niemeyer

Caminhar por uma exposição de arte é sempre fascinante. Em cada visitante, inúmeras possibilidades de interpretações e sensações surgem ao apreciar uma obra. Em Mens Rea: A cartografia do mistério, do artista visual Mac Adams, há um adicional na proposta: desvendar crimes dos anos 1980.

Em cartaz até novembro no Museu Oscar Niemeyer, onde também acontece a mostra dos grafiteiros “OSGEMEOS”, a exposição tem curadoria de Luiz Gustavo Carvalho e apresenta ao público fotografias e instalações que supõem cenas de crimes. Nesta mostra, o visitante é ao mesmo tempo espectador e detetive.

Pela primeira vez no Paraná, a exposição chegou ao Brasil em 2018 e já passou por Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Mens Rea vem do latim “mente culpada” e constitui uma das teorias sobre os elementos necessários para que um delito seja identificado e haja responsabilização criminal.

As obras, que em sua maioria são composições de fotografias, fazem parte das séries Mistérios e Tragédias Pós-Modernas; há também instalações que criam um jogo de sombras. Cenas de crimes envolvidas pela simplicidade do cotidiano preenchem a exposição – como em Chaleira (1987), na qual o objeto principal da foto é uma chaleira de metal que espelha, em primeiro plano, uma criança empunhando uma arma.

Em Chaleira (1987), fotografia da série Tragédias Pós-Modernas, uma chaleira de metal espelha, em primeiro plano, uma criança empunhando uma arma. Objeto do cotidiano com detalhe que assusta. Foto: Mariana Souza.

Outra obra instigante é a instalação Cartografia de um Crime, uma mesa composta por inúmeras fotografias do arquivo do Museu Nicéphore Niépce (França), um dos mais importantes da Europa. Uma taça e uma xícara sujas também estão presentes, além de cigarros, lupa e uma luminária. É o como o escritório de um detetive que ficou horas investigando suspeitos.

Mac Adams é britânico, naturalizado norte-americano, e uns dos fundadores da Arte Narrativa. Os romances de Arthur Conan Doyle, o cinema noir e de Alfred Hitchcock são algumas de suas referências. Criou a série Tragédias Pós-Modernas em 1980, refletindo as políticas econômicas desenvolvidas no Reino Unido e nos Estados Unidos, respectivamente por Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

Segundo o curador, a reflexão do artista “deixa-nos a liberdade para nos tornarmos testemunha, voyeur ou até mesmo cúmplice do crime, e nos alerta para a necessidade de enxergar o que não se vê”. No universo de Mac Adams, as convicções e juízos de valor do espectador completam a obra de arte. “Sua obra desperta a curiosidade e tem a capacidade de colocar o espectador dentro dela, numa interação contínua que enriquece e faz pensar”, completa a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika.

Escultura “Vidas Paralelas. Cachorro e ossos” (1996) que cria um jogo de sombras com a projeção de partes de esqueleto humano e palha. Foto: Mariana Souza.

Serviço

Para visitar a exposição, é preciso adquirir um ingresso na bilheteria física ou virtual do museu. Os valores são R$20 e R$10 (meia-entrada) e o bilhete dá acesso às outras exposições em cartaz também. Entrada franca em todas as quartas. A classificação indicativa da mostra é 12 anos.

Mariana Souzahttps://marianasouzajor.wixsite.com/portfolio
Graduanda em Jornalismo na UFPR. É extensionista no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-UFPR). Já fez parte do Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP-UFPR) e do Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS-UFPR). É interessada em temas como cultura, política e saúde.
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Mariana Souzahttps://marianasouzajor.wixsite.com/portfolio
Graduanda em Jornalismo na UFPR. É extensionista no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE-UFPR). Já fez parte do Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP-UFPR) e do Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS-UFPR). É interessada em temas como cultura, política e saúde.