qui 29 set 2022
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Coletivo promove debate sobre presença feminina na literatura

Escola da Política busca incentivar debate público sobre igualdade de gênero desde 2018. Em agosto, tema de discussão foi a atuação de mulheres como escritoras

Em agosto de 2021, o grupo Escola da Política conduziu um debate em Curitiba acerca da participação das mulheres na literatura. O coletivo, criado há três anos, tem como objetivo promover diálogos com especialistas sobre temas atuais, conduzidos sempre por mulheres e sob uma perspectiva feminista.

No evento, a escritora Vanessa C. Rodrigues e a historiadora Jessica Stori lideraram a discussão, delineando um panorama da literatura brasileira escrita por mulheres. As palestrantes ressaltaram o desconhecimento das escritoras no país. Apesar de representarem cerca de 53% dos leitores brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), suas obras são menos lidas e discutidas — quando se tratam de escritoras negras, o percentual é menor ainda. Dessa forma, a ideia do evento foi mostrar que há mulheres que escrevem muito bem e têm potencial para tal. 

Uma das autoras apresentada no encontro foi Carolina Maria de Jesus, considerada uma das maiores escritoras negras da literatura brasileira. É autora de Quarto de despejo: diário de uma favelada, que reflete o cotidiano triste e cruel de uma mulher que vive na favela. O livro tem sido incluído nas listas de vestibulares de universidades relevantes, como a Universidade Estadual de Campinas e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 

A jornalista e colunista da revista Ideias Jessica Stori esteve presente na discussão da Escola da Política e discorreu sobre a importância de Carolina para o feminismo negro. “Há alguns anos as estudiosas negras retomam seus escritos e mostram Carolina além das imagens feitas sobre ela pela mídia hegemônica e por alguns críticos da época”, expôs.

Pautas como esta são discutidas por outros grupos feministas, como o movimento Read Women, iniciado pela escritora Joanna Walsh em 2014, o qual ganhou visibilidade no mundo todo. No Brasil, o movimento foi traduzido para Leia Mulheres. O grupo está presente em mais de cem cidades brasileiras e se reúne uma vez por mês para discutir um livro publicado por uma escritora. 

Ana Cristina Gomes da Silva
Estudante de Jornalismo da UFPR.
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