qui 21 out 2021
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Escolaridade influencia na adesão à internet

Ronaldo, morador de área rural de Santa Catarina, teve seu primeiro contato com a internet aos 20 anos, quando ingressou em um curso técnico. Foto: Franciele Schramm

Uma pesquisa publicada pelo Ibope revela que os índices de adesão à internet não estão prioritariamente ligados a fatores econômicos, como se acreditava. Em vez disso, os números estão diretamente relacionados a escolaridade de seus usuários.

Constatou-se que, em famílias com a mesma renda, a penetração da internet se apresentava maior quando havia um membro da família com ensino superior comparada às famílias em que o chefe do domicílio era analfabeto ou com baixa escolaridade.

O professor de Economia da UFPR, Fábio Scatolin, acredita que isso resulte em uma mudança na perspectiva social. Para ele, a adesão à internet está ligada a uma necessidade informacional. “Hoje, no mundo, a informação é essencial”, afirma. Para Scatolin, os benefícios da difusão do acesso a rede trazem rendimentos crescentes, uma vez que a educação é um bem cumulativo. “Conhecimento é um bem tão específico que pode ser distribuído sem prejuízos, diferente de outros bens físicos”, explica.

Segundo ele, esse tipo de acesso contribui para uma mudança positiva. “Quanto maior o nível de educação, maiores são chances de oportunidades de melhoria da condição de vida da pessoa”, fala.

Infraestrutura da internet no Brasil

Para chegar ao resultado, o Ibope analisou o comportamento de 20 mil pessoas localizadas entre as 10 maiores regiões metropolitanas do Brasil, além de cidades do Sul e Sudeste com mais de 50 mil habitantes. As regiões avaliadas se deram pela eficiência da infraestrutura, que possibilitou deixar mais clara a relação entre o uso da internet e a escolaridade.

Segundo o professor de Engenharia Elétrica da UFPR, Carlos Marcelo Pedroso, as regiões pesquisadas podem ser consideradas portadoras das melhores condições de rede para acesso à internet nos país devido a situação econômica. Por esse motivo, o nordeste seria uma das regiões mais carentes na penetração da rede.

Ele também explica que, em geral, existem cidades menores com boa infraestrutura, mas isso não é regra. “São necessários grandes investimentos para promover acesso em alta velocidade, e, em muitos casos, o retorno previsto faz com que este investimento não seja realizado”, comenta. No Brasil, o serviço ofertado ainda é de baixa velocidade e com preço elevado, se comparado com outros países.

Renda é menos importante que escolaridade para adesão à internet. Fonte: Pesquisa Target Group Index Brasil

Primeiro contato com o serviço

O engenheiro de produção Ronaldo Manrich teve seu primeiro contato com a internet há oito anos, quando iniciou um curso técnico. Ele utilizava a conexão para pesquisas, realização de provas online e trabalhos em grupo. Como na época não tinha o acesso em casa, o rapaz procurava se conectar nas salas de informática do curso ou em lan houses.

Atualmente, Manrich mora em uma pequena cidade do interior de Santa Catarina e instalou o serviço de internet há 10 meses em sua residência. Mesmo depois de formado no ensino superior, ele considera a rede uma importante ferramenta para sua formação profissional. “A gente precisa estar atualizado. Com a internet temos acesso às informações, novidades em tecnologia, que são coisas que preciso também no meu emprego”, diz.

A única opção disponível para trazer o serviço até a área rural foi adquirir a internet via rádio. Para conseguir captar o sinal, foi necessária a instalação de três antenas no local. Apesar de ter acesso à rede também no trabalho, Manrich considera importante se conectar a partir de sua casa. “Aqui a gente tem mais liberdade de procurar algumas coisas, tem mais tempo disponível. Então aproveitamos esse espaço pra procurar, além da parte de trabalho, algo a mais para nosso crescimento pessoal”, esclarece.

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