qui 21 out 2021
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Escolas de Samba de Curitiba movimentam o fim de semana

De volta à Marechal Deodoro depois de 15 anos, o carnaval surpreendeu até os curitibanos mais céticos nesse sábado, 1, e madrugada de domingo, 2. As arquibancadas, que tinham capacidade para 2.600 pessoas, já estavam lotadas uma hora e meia antes de começar o desfile. Assim, diversos foliões se acomodaram perto das grades para acompanhar os blocos e as oito escolas de Samba, que brigariam pelo título do Carnaval de 2014.

Abertura

O primeiro bloco da noite foi o Afoxé, cujos integrantes são membros da Umbanda e Candomblé. A motivadora do bloco e mãe de santo, Mãe Cris Oxum, relata que o objetivo do grupo ao abrir o carnaval curitibano é, além de procurar dar maior visibilidade para as duas religiões, fazer um carnaval com tranquilidade; purificar o sambódromo; e pedir para Exu abençoar os foliões.

Cristiane Rodrigues, outro membro do bloco, comentou que já sofreu preconceito por causa da sua fé: “Não consegui emprego por causa da minha religião. As pessoas, às vezes, tem receio de tocar em mim por causa da roupa africana. Saio na rua com a roupa e sofro muito preconceito, já chegaram a jogar água em mim. Espero que o Afoxé mude pelo menos um pouco essa situação”.

Cristiane Rodrigues e David Dalaguacy, membros do bloco Afoxé. Foto: Anna Elisa Jardanovsky

Depois do desfile do Afoxé e do bloco Derrepente, foi a vez do amado Rancho das Flores, composto por 400 vovôs e vovós cheios de energia. O enredo “25 anos de alegria na Copa do Mundo” celebra o vigésimo quinto aniversário do grupo.

Teresinha Cândido Costa Santo e Joaquim Barbosa Santo contam, com entusiasmo, que são casados há 60 anos, desfilam com o Rancho há 12, e têm uma grande torcida nas arquibancadas: O casal possui o total de 70 netos e bisnetos. Com tamanha experiência e sabedoria, a terceira idade encerrou a passagem dos blocos.

Bloco Rancho das Flores. Foto: Vinícius Carvalho

Escolas de Samba

Os jovens também têm grande interesse pelo carnaval curitibano, foi com a ajuda deles que a Mocidade Azul espalhou suas cores pela Marechal Deodoro. Myllena Lima, 19 anos, participa do desfile desde pequena junto à Mocidade Azul: “Eu não lembro, ao certo, o ano que entrei, mas não desfilei esses anos todos a fio, fui alguns anos, parei por outros, acabei voltando”.

Ela entrou graças à família. Seu pai, Clodoaldo, começou a desfilar em 1985, fazendo parte de algumas alas, e depois, ingressou na bateria, de onde não saiu mais. Já a mãe, Luciane, sempre desfilou nas alas junto da avó e tias de Myllena. A jovem que normalmente desfilava nas alas, juntou-se ao pai para tocar na bateria este ano.

Com relação à falta de tradição no carnaval da cidade, ela é realista sobre a infraestrutura, mas não menos otimista. “O carnaval curitibano ainda consegue ter seu brilho. Existem pessoas que dizem que em Curitiba não tem carnaval, mas tem sim. É difícil pelo fato de não ser bem valorizado assim como São Paulo e Rio de Janeiro; com a verba de uma alegoria das grandes escolas de lá, conseguimos montar um desfile inteiro aqui. Usamos muito da reciclagem, tudo é reaproveitado, senão fica inviável”, analisa Myllena Lima.

A jovem acredita que no fundo, até quem diz não gostar dessa festa brasileira, acaba entrando no clima: “Há quem diga que não gosta de carnaval, mas desce todo ano pra praia para ver os blocos carnavalescos, dança, canta todas as marchinhas e tudo mais. Ninguém é obrigado a gostar, mas querendo ou não, é uma festa brasileira, uma tradição nossa, que vai continuar sendo seguida por muitos anos enquanto existirem admiradores”.

 

Campeãs do desfile

A apuração dos votos do desfile aconteceu sob clima tenso no último domingo, 2, no Memorial de Curitiba. A escola de samba Mocidade Azul foi a grande campeã, somando 199,10 pontos, seguida da escola Acadêmicos da Realeza com 196,70 pontos. Em terceiro lugar, com 194,90 pontos, ficou a escola Embaixadores da Alegria.

Controvérsias reinaram na aceitação dos scores da Embaixadores, o que levou um integrante do grupo a ficar indignado com uma nota no quesito Mestre Sala e Porta Bandeira. Depois de diversas agressões verbais ao presidente da Comissão de Carnaval da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), Jaciel Teixeira, foi necessário a retirada do homem pela Guarda Municipal.

O desfile da Mocidade Azul deu um show com o tema “do mal”, que teve como enredo “Quero brincar de ser mau!!! Mocidade faz buuu… Neste carnaval!!!”. Vilões como Coringa, Cruela e Capitão Gancho chamaram a atenção na avenida. A escola Acadêmicos da Realeza homenageou diversas nacionalidades com o samba enredo “E o mundo vem dançar no compasso da realeza”, lembrando trajes típicos de cada país nas fantasias dos integrantes. A Embaixadores da Alegria fez homenagem às artes, e inovou com um artista pintando um quadro em cima de um carro alegórico durante todo o desfile.

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