Estudantes de Comunicação da Universidade Federal do Paraná promovem exposição virtual de fanzines — revistas amadoras, experimentais, sem fins lucrativos e, em geral, produzidas de forma artesanal — ligadas a movimentos artísticos e à cultura. As revistas produzidas por eles têm temas diversificados e agora o acervo está disponível no Jornal Comunicação.
Os temas escolhidos pelos 80 estudantes da disciplina de Fundamentos da Comunicação Visual — ofertada para alunos dos segundo e terceiro períodos dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas — dialogam com ficção, cultura, esporte e temáticas sociais, como gênero e consumismo. Essa variedade temática renova a tradição das fanzines surgidas na década de 1930, nos Estados Unidos e voltadas, em especial, para temas ficcionais.
As revistas abordam variados temas com cores e imagens atraentes aos olhos em um número menor de páginas que o livros, por exemplo. Isso as torna ferramentas educativas importantes, pois proporcionam uma experiência divertida e prazerosa para os leitores. Ao considerar que o Brasil registrou a diminuição no número de leitores entre 2015 e 2020, as fanzines ganham destaque por servirem como boas introdutoras à leitura.
Confira os materiais produzidos.
A maldição do DECOM – Relatos de um calouro esquecido
A fanzine traz a temática paranormal para dentro da UFPR. A narrativa se desenrola pela visão de um calouro, estudante do Departamento de Comunicação (Decom), que começa a perceber situações inusitadas no campus. Atiçado pela sua curiosidade, ele resolve investigar o que está acontecendo.
Por meio de um relato ficcional simples e ilustrações da narrativa, a obra busca dar vida a algumas histórias e lendas contadas por estudantes da universidade. A atmosfera de suspense é construída com elementos expressionistas e surrealistas.
Produção de: Bruno Czelusniak Maba, Felipe Veiga Gabardo, Isabela Inácio Misocami, Letícia Cristina Ferro, Mariana Luiza Moreira Passos, Matheus Primo Fenelon e Thamiris Regina Mottin.
Cultura
A música e o cinema foram destaques na escolha dos temas da disciplina. Confira as produções sobre o tema:
Fancine
A revista é sobre os cinco movimentos cinematográficos europeus mais importantes do século XX. A produção busca trazer autenticidade para o conteúdo ao incorporar as peculiaridades visuais que caracterizam cada movimento que marcaram sua época. A Fancine faz o leitor se sentir parte daquele universo ao ler sobre cada uma das vanguardas cinematográficas.
Produção: Cecilia Sizanoski Sanchez, Chananda Lipszyc Buss, Ghislain Clovis Hounwanou, Giulia Michelotto Cordeiro, Juliana de Medeiros Sehn, Maria Eduarda Mischiatti de Marco, Matheus Brotto Natario, Matheus Rodrigues dos Santos e Michel Carlos Vier.
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Funk Brasileiro: Um Movimento Cultural da Periferia
O projeto tem o intuito de valorizar e contar a história do movimento do funk. Mesmo com um enorme crescimento, o gênero musical ainda é discriminado por parte da sociedade. Os elementos visuais e escritos da fanzine ajudam a mostrar que o funk se tornou muito mais do que apenas um estilo musical. A estética do produto se inspira em movimentos artísticos, como Pop Art e Surrealismo, para construir um visual que envolvesse o público.
Produção: Ana Cristina Bertão, Eduarda Eberhardt, Emerson Araújo, Isis Bahl, João Vitor Barbosa, Jully Ana Mendes, Luis Conceição e Pedro Pepplow.
O cinema de Tarantino
A fanzine busca elucidar, por meio das imagens, possíveis mensagens subliminares e os contextos aplicados pelo autor e diretor Quentin Tarantino em suas nove obras: Reservoir Dogs (1992), Pulp Fiction (1994), Jackie Brown (1997), Kill Bill (2003/2004), Death Proof (2007), Inglourious Basterds (2009), Django Unchained (2012), The Hateful Eight (2015), e Once Upon a Time in Hollywood (2019).
A revista realiza um trabalho estético de colagem que traz características de antigas fanzines mescladas ao conceito tecnológico de exposição à leitura digital.
Produção: Àlex Büllow, Feliphe Ferrari e Vitor Kloss
Cinemazine
A Cinemazine conta a história do cinema através de postagens no Instagram, inovando o formato. O mundo do cinema, lúdico e aberto para novas possibilidades, é retratado no trabalho com elementos visuais da Pop Art.
Produção: Amanda Maria Rodacovski dos Santos, Julio Gabriel Taborda Vidal, Kerollyn Rafaela Jonas Ribeiro, Ludmyla Azevedo de Souza e Munira Sampaio de Almeida Bark.
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Temas Sociais
Assuntos como consumismo e questões de gênero também foram abordados pelos estudantes. Confira as produções:
Fanzine Kallos: A história da arte e a evolução dos padrões de beleza
A fanzine Kallos pretende contextualizar a evolução do padrão de beleza imposto às mulheres em comparação com os movimentos artísticos de cada época. O tema é relevante uma vez que a busca pelo padrão de beleza inalcançável é prejudicial física e emocionalmente, em especial, para as mulheres de 18 a 30 anos, público-alvo da publicação. A perspectiva histórica e artística permite perceber a efemeridade do considerado belo, de maneira que a beleza, como construção histórica e cultural, está associada à arte de cada época.
Produção: Julia de Andrade Ternoski, Julia Oliveira Freire, Luiza Giordani Medeiros, Mariana Harmatiuk Camargo, Marina de Assis Almeida, Marina Gabriely Pereira Galdino e Marina Siqueira do Amaral.
História das Mulheres na Comunicação
A fanzine aborda a história das mulheres na comunicação e os desafios pelos quais elas passaram para conquistar direitos e chegar às lutas atuais. A produção trata do tema com influências do Pop Art, movimento que apresentou as primeiras tentativas de representar as mulheres fora do olhar machista.
Produção: Camila Ristow Andrade, Caroline Gonçalves da Costa, Letícia Carpi Baggio, Leticia Negrello Barbosa, Maria Clara Xavier de Souza, Patricia de Oliveira Ribeiro e Sara Restier Leite.
Família Consumo
A fanzine Família Consumo alerta sobre o consumo excessivo e o descarte indevido de bens de consumo da população brasileira. As discussões acerca do tema são realizadas a partir da rotina de uma família fictícia. O intuito de mostrar o consumo e produção de lixo dos personagens individualmente, em diversas atividades durante uma semana, ajuda na exemplificação dos hábitos de consumo atuais e os prejuízos que acarretam. O material é voltado para todas as faixas etárias e grupos sociais, inclusive crianças.
Produção: Ana Beatriz Carrijo, Anneliese Berneck, Camila Ferreira, Gabrielle Cordeiro, Leticia Horst, Milena Colomby, Miriah Zanão, Nariman Bark e Nicolle Schumacher
Teorias da Conspiração
Assim como as Fake News, ou notícias falsas, as teorias da conspiração habitam o ecossistema informativo da Era Digital. O produto Teorias da Conspiração aborda essas ficções em quatro categorias: celebridades, Teorias x Ciência, Viagem no Tempo e Visitantes de Outro Mundo. A fanzine proporciona uma leitura de entretenimento que incentiva a imaginação do leitor. Esteticamente, o material estabelece uma relação com vanguardas artísticas, como o Dadaísmo, Surrealismo e a Pop Art.
Produção: Carolina Serra Genez, Felipe Kosuta de Azambuja, Jessica Rafaella Correia de Holanda, Julia Chagas Zanin Pereira, Luisa da Costa Mattos Silva, Marina Chioca Anater, Paula Bulka Durães e Thiago Fedacz de Anastacio.
Esporte
O trabalho aborda a história do futebol enquanto movimento social, sustentando para tanto, uma linha cronológica e cultural do desenvolvimento do esporte até seus moldes atuais. Para tanto, o fanzine se aproxima de uma experiência de museu utilizando os sentidos auditivos e visuais para uma experiência completa. A revista insere o leitor no imaginário futebolístico e sua história.
Produção: Carlos Ciszewski, Ingrid Gabrielle e Yêssera Viana Salvalaggio.