sex 22 out 2021
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Etiqueta nas redes sociais

Imagem: Ana Carolina Rodrigues

Postagens até a exaustão, overdose de fotos e comentários inoportunos. Há uma grande probabilidade desses pontos, isolados ou em conjunto, aparecerem em série nas atualizações da sua rede social. Isso porque, de acordo com pesquisas realizadas pela E.life em julho de 2012, 28% dos internautas brasileiros passam seis horas do seu dia na web. Nesse tempo, as páginas mais acessadas são as de redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut.

Todo esse tempo dedicado ao perfil virtual modificou muitos conceitos, inclusive o de amizade. Um estudo realizado pela Universidade norte-americana de Denver, no Colorado, constatou que quase metade dos usuários evitaria na vida real uma pessoa que deixasse de ser seu amigo no Facebook. O estudo foi realizado com base em 582 respostas reunidas pelo Twitter. O estudo ainda revelou quais são as quatro principais causas de cancelamento de amizades no Facebook: publicações irrelevantes; posicionamento extremo com relação à religião, política, etc.; comentários racistas, sexistas ou homofóbicos; posts chatos sobre o dia a dia, falando de filhos, comida, cônjuge, entre outros.

Para evitar esse tipo de postagens existe uma série de cursos que oferecem bom senso para os internautas, a chamada Netiqueta. A palavra pode ser considerada como uma gíria, decorrente da fusão de duas palavras: o termo inglês net (que significa “rede”) e o termo “etiqueta” (conjunto de normas de conduta sociais). Trata-se de um conjunto de recomendações para evitar mal-entendidos em comunicações via internet, especialmente em e-mails, chats, listas de discussão, etc.

Gafes e mais gafes

Para a professora e coordenadora do curso de Etiqueta Social e Corporativa do Centro Europeu, Silmara Ribeiro, uma questão desgastante são comentários feitos sem a devida reflexão. “Gafe é falar sem pensar em qualquer situação. Você tem que pensar sobre a internet em um cenário um pouco mais abrangente. Estamos em uma imensa aldeia, somos observados o tempo todo”, afirma a professora.

Disto já podemos retirar a primeira lição sobre comportamento na internet: medir opiniões e afirmações, cuidando para não ser agressivo ou ofensivo demais. “Eu sempre digo que, às vezes, as pessoas me parecem um pouco menos educadas na internet que na vida real. Porque, quando estão atrás do computador, elas se sentem falsamente protegidas. Dá uma sensação que você pode falar tudo o que pensa, tudo aquilo que não diria pessoalmente”, conclui a Ribeiro.

A Social Media Hellen Pacheco passa o dia todo conectada. Ela concorda com a professora de etiqueta quanto a ser discreta na rede e procura não criar ou se envolver em polêmicas. Além disso, ela também evita lotar a timeline alheia com publicações que considera irrelevantes. “Mas, às vezes, tem aquela piadinha que não dá pra deixar de compartilhar”, brinca.

Quanto a isso, a especialista em etiqueta Silmara Ribeiro avisa: quem posta demais passa a impressão de ser desocupado. “Em determinada rede social, se você posta o dia todo, o que se pode pensar em um primeiro momento é ‘Puxa vida, mas essa pessoa não trabalha?’”, alerta. Depois, uma quantidade elevada de postagens pode irritar os amigos. Para a coordenadora do curso de etiqueta corporativa, publicações demais se assemelham a um monólogo. “Não digo que deva haver um número exato de posts, se não fica muito engessado. Acaba com a espontaneidade. É preciso bom senso para saber se está incomodando os outros ou não”, aconselha a professora.

Outra gafe corriqueira são os textos creditados de forma errada. Tornou-se comum atribuir a grandes autores frases que jamais escreveram. Quanto a isso, Ribeiro é bastante clara: caso tenha gostado de uma frase, mencione seu autor. “Ou, se você gosta de uma frase e não se lembra de quem é, coloque que certa vez a ouviu, mas não se lembra de quem. Agora, se apropriar da obra de outros não é bom”. Também é incômodo repassar informações sem verificar sua procedência. “Como, por exemplo, aquelas fotos de gente desaparecida, que nem desapareceu, ou aqueles textos de que o Facebook vai ser pago”, aponta a Social Media Hellen Pacheco.

Sobre as fotos divulgadas nos perfis, o importante é evitar se expor demais. “Por mais que você malhe o dia inteiro e tenha um corpão maravilhoso, não precisa colocar uma foto de biquíni. Você iria assim a uma festa da empresa? Por que então, colocar aquela foto a qual toda a empresa tem acesso?”, pergunta a instrutora de etiqueta. A escolha ideal seria uma fotografia mais alegre, que seja coerente com a personalidade do proprietário do perfil. Segundo Silmara, também se deve evitar a postagem frequente de fotos com copos e bebidas alcoólicas. “Preserve-se”, avisa.

#Partiu

É possível saber através de publicações, os passos diários de determinados perfis. As mensagens de “partiu” povoam as atualizações e descrevem as ações de certos usuários. O que resta saber é se os acontecimentos realmente interessariam os colegas de rede social. “Quando a gente é criança, o que mais queremos é não precisar dar satisfação para mãe e pai. Quando você cresce e entra em uma rede social, por que vai dar satisfação de tudo o que faz pra pessoas que, muitas vezes, são desconhecidos ou pouco chegados?”, questiona a professora de etiqueta. “A sensação que tenho é de que essa pessoa está querendo chamar muita atenção pra ela”, palpita a professora.

A Social Media Hellen Pacheco é capaz de listar questões que geram aborrecimento nas redes. “Odeio pessoas que não sabem usar hashtags. Acho que, na verdade, as pessoas não entendem a função das tags e ficam marcando qualquer palavra nas fotos”, desabafa, citando ainda mensagens escritas em caixa alta e erros gramaticais como motivos de irritação nas postagens alheias. Para ela, ajudar a divulgar instituições e causas sociais é importante, mas as militâncias vãs, que pedem likes para supostamente angariar fundos, seriam desagradáveis. “O Facebook não vai doar dinheiro para o tratamento de ninguém!”, alega.

Use com moderação

Como uma dica para não sufocar seus amigos na rede social, Hellen recomenda contenção. “Acredito que as pessoas que usam as redes sociais têm que ter em mente que tudo que é em excesso cansa: tristeza demais irrita seus amigos, felicidade demais também irrita, piadinhas de mais, fotos de comida de mais, cachorrinhos de mais, tudo que vem em grande quantidade acaba ficando chato”, diz.

Silmara Ribeiro concorda. O exagero é enfadonho e pode gerar bloqueios e deleções, podendo até mesmo afetar um relacionamento fora dos limites virtuais. Sobre o comportamento nas páginas da internet, a professora e coordenadora afirma que é influenciado pelas atitudes sustentadas na vida real. “A gente tem aquele velho ditado que diz: costume de casa vai à praça. Se você sabe se comportar em diferentes situações, tem bom comportamento na sua vida social, com seus amigos e familiares, então sabe se portar na internet também”, conta. Para ela, as personalidades dentro e fora das redes sociais são indissociáveis e devem condizer sempre.

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