dom 24 out 2021
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Fanzines e impressos independentes ganham espaço em Curitiba

Star Sequels, de 2014. Créditos: Mariana Benevides
Star Sequels, de 2014: colagem feita por Mariana Benevides na fanzine Amargo. Créditos: (Mariana Benevides)

As fanzines surgiram na década de 1930 nos Estados Unidos. Essas produções eram feitas por fãs de quadrinhos e impressos em geral, que utilizavam recortes de revistas para produzir uma nova publicação a partir dessas montagens. Surgiram assim várias produções diferentes, como quadrinhos, livros e fotomontagens. A influência das fanzines no público é grande, tanto culturalmente quanto na criação de novas histórias, como a do Superman:  os criadores do famoso quadrinho, Jerry Siegel e Joe Shuster, anos antes da publicação oficial montaram uma fanzine em que o personagem apareceu pela primeira vez como um vilão. Em versões posteriores, já como um quadrinho convencional, surgiu o Superman como ele é hoje.

Apesar dos aparatos tecnológicos existentes atualmente, ainda há quem continue trabalhando com a criação de fanzines. É o caso da estudante de jornalismo Mariana Benevides, que faz colagens e produz uma fanzine chamada “Amargo”. Mariana diz que, para ela, o processo de produzir à mão os seus trabalhos se tornou uma terapia: “Eu gosto muito de colagem artesanal, porque é um processo bastante orgânico e, para mim, terapêutico. Acho que por computador as coisas iam se tornar muito mais fáceis, e consequentemente não ia ter muita graça”.

Risografia e feira de impressos

A Selva Press é uma pequena empresa que fomenta em Curitiba o mercado de produções independentes, principalmente com fotozines e fanzines. O empreendimento foi criado pelas amigas Estelle Flores e Greice Kelli Leal, que compraram uma máquina que imprime no estilo chamado risografia, o diferencial da empresa criada em 2014. Uma impressora de risografia estampa uma cor de cada vez no material a ser produzido. Se um desenho tem as cores azuis e vermelhas, por exemplo, a máquina coloca primeiro o que há de azul e em outra impressão muda-se a tinta para o vermelho. É um trabalho que exige paciência, pois as folhas necessitam ficar um dia todo secando até receberem outra camada de tinta.

Parte dos trabalhos impressos na Selva Press (Créditos: João Heim)

A empresa começou prestando serviços a amigos e artistas próximos, e hoje imprime também para fora. A Selva Press trabalha na organização e exposição em feiras das fanzines e fotozines que seus clientes produzem. “Há várias outras pessoas que a gente nem conhece e estão em contato, interessados na risografia, na impressão em si. Quando eles vêm aqui pra impressão de um cartaz, um pôster, no diálogo a gente começa a incentivar a fazer um zine. Às vezes a pessoa tem um material, quer produzir mais coisas. Então, conseguimos atingir tanto esses amigos, mas também as pessoas que entram em contato e não conhecíamos” explica Greice.

A empresária revela a intenção da gráfica em aumentar os serviços e assim poder ajudar o mercado de produções independentes a crescer: “Temos a ideia de comprar outra máquina, e também de trabalhar como uma editora, para estimular o pessoal a fazer negociações normais desse tipo de negócio, conseguir vender e produzir mais, que é o principal. Para as pessoas serem estimuladas a fazer mais, porque terão mais para vender. Sabemos como é difícil para uma pessoa viver da arte, da ilustração” conclui Greice.

Mesa de trabalho e edição de materiais de Roberto Pitella  Créditos: João Heim
Mesa de trabalho e edição de materiais de Roberto Pitella (Créditos: João Heim)

O mercado das impressões de arte

O fotógrafo Roberto Pitella, em 2013, criou a Quaseditora, uma editora de produções independentes, principalmente relacionadas à fotografia. Roberto já ajudou na criação de trabalhos de 14 artistas e viaja pelo Brasil expondo e vendendo as produções de sua editora. Ele explica como surgiu a ideia de uma editora de impressos independentes: “No Brasil há essa cultura que livro de arte e fotografia tem que ser uma coisa luxuosa e muito cara. Então, vou fazer as publicações que eu acredito. Vou publicar de uma forma que seja acessível e as pessoas possam comprar”, afirma.

Roberto fala sobre os objetivos futuros que tem com a editora e do mercado de vendas: “A editora está prestes a se bancar. Muito em função desse circuito de feiras, que é onde fica mais conhecida, onde vende mesmo. Não tem um ponto de venda, as livrarias ainda não abriram os olhos pra isso, banca de jornal também. Então vende em feira”, explica.

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