qui 21 out 2021
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Feira de artesanato aproxima a cultura de vários países

A trigésima quarta edição da FeiArte em Curitba, que aconteceu entre os dias 16 e 25 de maio no pavilhão Expo Renault, no Parque Barigui, contou com representantes da América, Ásia, África e Europa e propôs uma volta ao mundo por meio do artesanato.

A feira já tem sua fama entre os artesãos. Eles vêm de várias partes do mundo, a maioria por conta própria, para vender seus produtos. São, ao todo, 200 expositores, metade deles estrangeiros.

A diretora de marketing do evento, Marta Mazeeini, explica que a demanda é muito alta e nem sempre há vagas para todos os artistas que desejam comercializar seu trabalho. Esse ano, por exemplo, teve até fila de espera. Por isso, a seleção é criteriosa o expositor que deseja participar tem a liberdade de trazer o que quiser para vender, mas quanto mais diferenciado seu produto, maior será a chance de conseguir uma vaga.

No entanto, há alguns casos específicos como o de Cheik Sene, artesão que trabalha com joias feitas de pérolas naturais. A grande demanda pelo seu trabalho fez com que a própria FeiArte se encarregasse de convidá-lo a participar.

A forma irregular das pérolas mostra que os colares produzidos por Cheik Sene são naturais
(foto: Luiza Guimarães)

É a quarta vez que Cheik Sene está presente na FeiArte. Ele faz colares e pulseiras usando pérolas, corais e pedras de água doce que variam de 20 a 10 mil reais, dependendo da raridade do material utilizado. Algumas joias ele trouxe consigo do Senegal, outras, ele monta na hora, de acordo com o pedido do cliente. “Em dez minutos faço uma pulseira, colar demora no máximo vinte”, afirma o artesão, enquanto personaliza um colar de pérolas brancas para uma cliente.

Mesmo sendo um dos artistas convidados, Cheik Sene paga os custos da viagem e estadia do próprio bolso, como a maioria dos feirantes. Marta Mazeeini, explica que mesmo com as despesas de viagem, a feira ainda é um bom negócio para os artesãos. “Muitos nos procuram porque a feira dá um bom retorno financeiro. Tem alguns governos, a maioria na África, que inclusive paga a viagem”, esclarece.

 

Diversidade Cultural

Muhammet Pala veio da Turquia para a FeiArte para ajudar o tio com as vendas. Já é a terceira participação dele na feira, mas o tio traz os negócios da família desde 2005. Eles vendem uma variedade de artigos que vão desde pequenos olhos gregos, objetos de sorte na Turquia, até vestidos e coletes de cores vivas e com desenhos bordados em fios dourados.

Os tecidos turcos são todos bordados a mão, alguns com pequenas pedras. Eles são vendidos sem uma funcionalidade definida, cabe ao comprador decidir o que fará com eles – pode ser uma toalha de jantar ou um vestido de festa, eles são próprios para as duas ocasiões. Além de tecidos, a Turquia também estava representada por taças de cristal pintadas a mão com detalhes dourados, mostrando a rica cultura do país.

O Brasil também estava presente por meio de doces mineiros, comida baiana, roupas do Rio Grande do Sul, artesanato em madeira do Paraná e até mesmo três representantes indígenas vendendo flautas, apitos e acessórios trançados e com penas.

os vidros soprados de perfume vêm da Tunísia e ajudam a dar uma aparência exótica ao produto
(foto: Luiza Guimarães)

Além dos estrangeiros e brasileiros há também quem fica no meio termo. É o caso de Bianca Maia, uma das vendedoras de produtos artesanais da Tunísia. Junto com outros dois colegas, ela vende pratos de cerâmica pintados a mão e perfumes naturais em frascos que, por si só, são uma obra de arte, feitos com vidro soprado. Os três são brasileiros, sócios de um tunisiano e responsáveis por revender os produtos no Brasil. “Todos os anos além da gente vem o sócio da Tunísia. Só nesse ano que ele não pode vir”, afirma Bianca Maia. O grupo participa da feira há tanto tempo que não consegue lembrar exatamente, mas acreditam que esse foi o décimo segundo ano que estiveram presentes.

O clima de interculturalidade e a qualidade dos produtos é o que faz da FeiArte uma feira de artesanato diferente, um lugar onde se tem a chance de conhecer a cultura de países que parecem longe, como o Senegal, ou admirar o trabalho dos próprios paranaenses.

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