qui 29 set 2022
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Fotografia analógica ganha adeptos em Curitiba

Cidade está entre principais players brasileiros quando assunto é retomada da fotografia analógica. Fenômeno tem crescido expressivamente ao redor do mundo nos últimos cinco anos, especialmente entre pessoas entre 25 e 35 anos

De alguns anos para cá, foi possível perceber um movimento mundial de retomada do uso da fotografia analógica, especialmente entre os pessoas de 25 a 35 anos. Seja por questões técnicas, estéticas ou comportamentais, essa retomada também se mostra expressiva no Brasil, inclusive em Curitiba.

A volta da fotografia analógica entre os millennials pode ser atribuída a diversos fatores. Um deles é a influência de celebridades que passaram a usar câmeras analógicas e a compartilhar as fotos em suas redes sociais. A modelo Kendall Jenner, por exemplo, tem hoje 212 milhões de seguidores no Instagram e foi uma das primeiras personalidades a fazer aparições públicas com uma câmera analógica.

Análises no Instagram demonstram que há de fato um registro considerável de postagens com as hashtags mais populares utilizadas para identificar fotografias feitas com filme. Dentre elas estão #35mm, com mais de 31,6 milhões de menções; #filmisnotdead, com 20 milhões de menções; #analogphotography, com mais de 11,5 milhões; #ishootfilm, com 9 milhões; e #filmcommunity, com quase 6 milhões.

Em declaração à alemã Deutsche Welle, a Kodak Alaris afirmou que, desde 2016, houve um aumento na demanda por produtos ligados à fotografia analógica. A companhia também compartilhou que cerca de um terço dos consumidores de filme são da faixa-etária abaixo dos 35 anos.

No Brasil, o panorama é muito similar, segundo um levantamento realizado pelo fotógrafo Neto Macedo, em abril do ano passado, com cerca de 25 mil pessoas. Os resultados apontaram que 74,1% do público analisado tinha entre 18 a 35 anos, e que 11% residia no Paraná (número superior aos 10% do Rio de Janeiro, por exemplo).

Vitor Leite é laboratorista fotográfico e fundador do LabLab, fundado em Curitiba, em 2019. Atualmente, a empresa recebe uma média de 800 rolos de filme por mês de toda a América Latina, dos quais cerca de 25% são da capital paranaense. Para ele, Curitiba é sem dúvidas um dos pólos da fotografia analógica no Brasil, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ele assimila isso à relação da cidade com as artes e à faixa-etária da população curitibana: “Eu sinto que Curitiba tem uma abertura muito grande para a arte urbana e para as artes visuais no geral, inclusive foi um dos motivos pelos quais deixei meu escritório de design em São Paulo e vim para cá. Além disso, a cidade tem uma população muito jovem, o que com certeza também ajuda a manter esse movimento vivo”.

Leite acredita que, para além do hype gerado pelas celebridades, a retomada dos jovens pela fotografia analógica tem muito a ver com todo o ritual que ela demanda. “Pessoas na média dos 25 anos, que na infância e adolescência já tinham acesso à fotografia digital, buscam no analógico essa experiência de colocar o filme, fotografar todas as poses, mandar revelar e receber as fotos”, diz. Além disso, ele aponta para as diferenças técnicas entre os formatos digital e analógico, que acabam influenciando o resultado estético da imagem captada.


O Jornal Comunicação garimpou o trabalho de alguns fotógrafos e fotógrafas inseridos na onda curitibana de fotografia analógica para ilustrar o movimento na cidade. Confira.

Camila Lima
Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.
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Camila Lima
Estudante do curso de Jornalismo da UFPR.