ter 04 out 2022
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Grandes marcas de moda estão destruindo a Amazônia

Caso JBS expõe responsabilidade de marcas e consumidores no desmatamento do maior bioma brasileiro

Após ler uma matéria publicada no ano passado pelo Instituto Modefica, a qual expõe a relação de marcas de moda com o desmatamento da Floresta Amazônica, algo me veio à tona: as grandes marcas estão destruindo a Amazônia!

A reportagem se baseia em um levantamento realizado pela Stand.earth, organização responsável por pressionar governos e corporações de nível mundial para que coloquem o meio ambiente em primeiro lugar. A entidade analisou a cadeia de custódia de uma matéria-prima amazônica — identificando a posse e a transferência do produto em redes produtivas complexas, responsáveis pelo desmatamento desenfreado da Floresta Amazônica. E qual matéria-prima tão prejudicial é esta? O couro.

Ao expor dados de alfândegas (não só brasileiras), sites de processadores de couro, relatórios de Governança Ambiental, Social e Corporativa, postagens em mídias sociais e lista de fornecedores de grandes marcas de moda, a Stand.earth concluiu que a principal culpada pelo desmatamento do bioma é a JBS, a maior empresa de gado e couro do Brasil. 

Grandes marcas da moda estão ligadas direta ou indiretamente à JBS por meio de processadores de couro e também têm seus papéis no desmatamento. Algumas companhias analisadas pelo relatório são: Adidas, Calvin Klein, Dior, Givenchy, Guess, H&M, Kipling, Lacoste, Louis Vuitton, Nike, Prada, Puma, Tiffany & Co, Versace e Zara. Elas fazem parte de um grupo de 186 corporações que possuem alguma relação com a empresa de gado e couro brasileira.

Uma vez que as marcas envolvem tanto o ramo de grife quanto de fast-fashion, é importante estar sempre atento aos produtos que se consome, já que todos os cidadãos podem contribuir direta ou indiretamente com o desmatamento e o colapso da Amazônia.

É muito provável que, em algum momento da vida, compramos ou desejamos produtos de tais marcas, pois são bastante conhecidas. Entretanto, é necessário atenção acerca de tudo que envolve a produção destas peças. Além de contribuir para o desmatamento, a confecção também pode envolver trabalhadores não remunerados ou forçosamente levados para as fábricas. São muitas as variáveis que envolvem a compra de uma nova peça de roupa. 

Muitas vezes, as marcas são consumidas por simples apelo social. Como diria Max Weber: quem utiliza seus produtos busca o puro status, a fim de pertencer a determinado grupo. Dessa forma, abre-se espaço para a discussão: quão ético é ceder à compras por impulso ou simplesmente por serem de empresas de renome?

Pesquisas e estudos acerca da cadeia produtiva envolvendo a produção de roupas são cada vez mais necessários antes de comprá-las. É preciso saber como e por quem a peça foi feita, quais foram seus fornecedores, se a marca é transparente, etc., pois, querendo ou não, o consumidor é responsável pelo que consome.

Luiza Opuszka
Estudante do curso de Publicidade e Propaganda da UFPR.
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Luiza Opuszka
Estudante do curso de Publicidade e Propaganda da UFPR.