sex 22 out 2021
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Gulins têm 5 das 11 empresas que controlam o transporte público em Curitiba

Os Gulins estão no centro do conflito em torno da tarifa de ônibus em Curitiba. Das 11 empresas vencedoras do processo licitatório de concessão do serviço, 5 são da família, que participa da exploração dos três lotes nos quais a cidade foi dividida, cada um ganho por um consórcio diferente. Além disso, dirige as entidades patronais da área, o Setransp – Sindicato das empresas de Transportes de Curitiba e Região Metropolitana – e a Fepasc – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Paraná e Santa Catarina, presididos respectivamente por Maurício Gulin e Felipe Busnardo Gulin.

Manifestantes caminharam em direção à Prefeitura (Foto: Douglas Maia)
Protesto contra o aumento da tarifa em Curitiba.
(Foto: Douglas Maia)

Segundo o relatório da CPI – Comissão Paralamentar de Inquérito – da Câmara de Vereadores, aprovado em 2013, os Gulins tem 68,7% das ações das empresas de ônibus concessionárias do serviço de transporte de passageiros em Curitiba. Apesar disso, o Setransp nega a concentração econômica. Além dos Gulins, as famílias Hoelzl, Brunatto, Chipon, Zem, Romani/Vianna e Bertoldi têm uma empresa cada um.

As empresas

A empresa Viação Tamandaré pertence a Marli do Rocio Corleto, Fernanda Corleto Hoelzl, Andrea Corleto Hoelzl e Rodrigo Corleto Hoelzl. A Autoviação São José dos Pinhais é de Hermínio Brunatto Filhos, Idylia Brunatto Franceschi, Maria Helena Franceschi Peneroli, Donato Dal Negro, Neyd Torres Brunatto, José Carlos Ayres Pineroli e Dante Luiz Franceschi. A CCD Transporte Coletivo, sociedade anônima, é dirigida por José Eduardo Chipon, Hilton Chipon e João Abu Jamra Neto. A Viação Cidade Sorriso pertence a uma rede de empresas de participações, capitaneada por Donato Gulin. Estas quatro formam o consórcio Pioneiro, concessionário do lote 3, o maior, no valor de R$3,28 bilhões (veja aqui).

A Autoviação Redentor é também de uma rede de participações, com proeminência das famílias Cury e Gulin. A Expresso Azul Leonardo Zem, Thaila Zem Strapasson e Ronaldo Bittencourt como proprietários. A Araucária Transporte Coletivo é administrada pelo sócio Hairton Romani, mas também pertence á SBV Participações, da família Vianna. Elas formam o consórcio Transbus, vencedor do lote 2, no valor de R$2,54 bilhões (veja aqui).

A Transporte Coletivos Glória e a Autoviação Marecha repetem a estrutura de participações das empresas dos Gulins. Representadas por Dante José Gulin e Marco Antônio Gulin, pertencem, ambas, à Glória Participações, à Ybacoby Participações e Administração e à Resister Pa

rticipações e Administração, todas da família. A Autoviação Santo Antônio é representada por Wilson Luiz Gulin que administra também Stabile Participações, uma das empresas sócias junto com a Vivelo Participações, também dos Gulin. A Orlando Bertoldi e Cia pertence a Orlando Bertoldi Jr, Edison Bertoldi, Marilene Pinheiro Bertoldi e Thetralda Bertoldi. As quatro formam o consórcio Pontual, que explora o lote 1, no valor de R$2,76 bilhões (veja aqui).

Concorrência

Estas 11 empresas não enfrentaram nenhuma concorrência no processo licitatório (veja lista de empresas qualificadas para a concorrência aqui), por conta de diversos dispositivos do edital. Não houve disputa nem entre elas, já que as regras da disputa permitiam a formação de consórcios. Cada empresa praticamente ganhou as linhas que já explorava.

A licitação, de técnica e preço, exigia conhecimento e estrutura adequada para o serviço a ser ofertado, o que por si só já restringia a concorrência. A qualificação tinha peso de 40%; o preço, 60%. Sem adversários, as 11 empresas locais ofereceram o preço quase no limite orçamentário previsto para o pagamento do serviço. No lote 1, o valor era de R$2,79 bilhões. Fechou em R$2,76 bi. O lote 2 tinha orçamento de R$2,56 bilhões e foi ganho com uma oferta de R$2,54 bi. O lote 3 também baixou pouco. Oferecido por R$3,3 bilhões, teve contrato fechado em 3,28 bi.

Entidades sindicais

A direção dos Gulins na área se materializa também no controle das direções das entidades sindicais patronais da área. O Setransp, além de presidido por Maurício Gulin, tem José Luiz de Souza Curi, Lessandro Milani Zem, Rodrigo Corleto Hoelzl, Ronaldo Bittencourt, entre outros na direção (veja aqui).

A Fepasc não foge à regra. Além do presidente Felipe Busnardo Gulin, tem Marco Antonio Gulin na presidência da seção Paraná (veja aqui).

Receita Federal

Consulte a propriedade das empresas de transporte de Curitiba no site da Receita Federal, aqui.

Veja os CNPJs:

Viação Tamandaré: 77.525.673/0001-90

Viação Cidade Sorriso: 84.924.448/0001-91

Autoviação São José dos Pinhais: 81.305.377/0001-50

CCD Transporte Coletivo: 76.097.062/0001-25

Autoviação Redentor: 76.549.856/0001-82

Expresso Azul: 76.576.313/0001-54

Araucária Transporte Coletivo: 75.528.208/0001-87

Transporte Coletivo Glória: 76.491.109/0001-30

Autoviação Santo Antônio: 75.703.215/0001-78

Autoviação Marechal: 76.557.867/0001-04

Orlando Bertoldi e Cia: 76.538.412/0001-41

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