qui 23 abr 2026
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História de luta latino-americana em cena 

Com peça que se baseia no clássico “As Veias Abertas da América Latina”, o evento proporciona ao público mais uma discussão relevante

por Amábili Gomes e Emanuelle Viana 

Nesta semana, ocorrem os últimos espetáculos que compõem a 34ª edição do Festival de Curitiba. O evento, que tem encerramento marcado para domingo (12), tem uma programação variada, incluindo peças que passam de comédia à temáticas que estendem aos participantes a reflexão sobre a resistência vivenciada por determinados grupos da sociedade. 

Esse é o caso de “Veias Abertas 60 30 15 seg”, peça dirigida por Marco André Nunes e inspirada no livro “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor Eduardo Galeano. O livro apresenta uma análise crítica da história da América Latina, mostrando como o continente foi marcado, desde a colonização europeia, pela exploração econômica e pelo domínio político. A obra é considerada por muitos uma referência para compreender a história latino-americana.  

Composto por figurinos, músicas e máscaras tradicionais, o espetáculo revisita a história de luta e feridas não cicatrizadas do continente latino-americano. A trama gira em torno de um casal, formado por um militar e um funcionário da United Fruit Company, que se conhecem durante uma aula de dança e decidem se casar. O casamento dos personagens se desenrola em meio ao Massacre das Bananeiras, em 1928, na cidade de Ciénaga, na Colômbia. No período, o exército reprime uma greve trabalhista, que resulta na morte de mais de 2 mil trabalhadores.  

O título da peça, além de carregar o nome do clássico que inspirou a sua criação, explica o ritmo em que a trama se desenvolve: 80 quadros curtos, que variam de 15 a 60 segundos. O formato se baseia na maneira rápida e fragmentada como as informações são consumidas atualmente. 

A estreia de “Veias Abertas 60 30 15 seg” acontece nos dias 10 e 11 (sexta-feira e sábado), às 20h30, no Teatro SESC da Esquina. Os ingressos e mais informações sobre a obra podem ser conferidos aqui.  

Roda de conversa  

Além da peça, na mostra “Interlocuções” do Festival, Pedro Kosovski — dramaturgo, diretor teatral e professor de artes cênicas da PUC-RIO — conduz a roda de conversa “As Veias Abertas da América Latina: Redestinar”, também no dia 11, para discutir o livro de Eduardo Galeano. A conversa partirá de uma declaração feita por Galeano durante a 2ª Bienal do Livro de Brasília, em 2014: o escritor afirmou que não leria mais a própria obra, por considerá-la simplista e por não ter mais forças para sustentar uma prosa de “esquerda tradicional”. 

A proposta do encontro é analisar tanto o livro quanto a fala do autor, retomando esses dois momentos a partir do olhar da dramaturgia. A ideia é discutir como o corpo e as imagens podem reler a obra e recuperar a história da América Latina. Além disso, a roda abre um debate sobre a possibilidade de olhar para outras obras como forma de compreender o continente latino-americano.  

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