seg 25 out 2021
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Mulheres buscam mais espaço na ciência

“Acho que todos os círculos científicos em que eu ando são, infelizmente, dominados por homens”, comenta Elisa Orth, pesquisadora, professora do Departamento de Química da UFPR e uma das sete ganhadoras do prêmio Mulheres na Ciência 2015. O prêmio é uma iniciativa da L’Oréal Brasil em parceria com Unesco Brasil e com a Academia Brasileira de Ciências (ABC). A professora Elisa foi reconhecida por suas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de catalisadores – substâncias que aceleram reações químicas – que podem atuar em duas vertentes: no corpo humano, auxiliando na resolução de problemas genéticos ou em armas químicas, visando destruir substâncias tóxicas.

Fonte: Arquivo pessoal

A percepção de Orth acerca da predominância masculina nos ambientes científicos pode ser comprovada por números: ainda que mulheres já componham 49% dos pesquisadores cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Academia Brasileira de Ciência conta com apenas 13,5% de mulheres — número muito semelhante ao de professoras no corpo docente do Departamento de Engenharia Mecânica (Demec) da UFPR, onde apenas 13,3% dos docentes são do sexo feminino: há 52 professores e só 8 professoras.

As mulheres que conseguem entrar no mundo da ciência sofrem preconceito. O bioquímico Tim Hunt, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia 2001, fez o seguinte comentário durante uma convenção em Seul, na Coreia do Sul: “Três coisas acontecem quando há mulheres no laboratório: você se apaixona por elas, elas se apaixonam por você e elas choram quando são criticadas”. Depois de ser duramente criticado por seu comentário o cientista pediu demissão do cargo de professor honorário na University College London (UCL).

Mulheres incentivando mulheres

Há esforços sendo feitos no sentido de incentivar a participação de mulheres no campo científico. Além de servir de modelo devido às suas conquistas, Elisa Orth participa do projeto “Meninas e Jovens Fazendo Ciências Exatas, Engenharias e Computação”, programa da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR) em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o CNPq e a Petrobras. No projeto, professoras cientistas vão às salas de aula de colégios públicos falar sobre ciência para meninas entre 15 e 16 anos. O projeto prevê a oferta de bolsas juniores e visitas aos laboratórios das Universidades, estreitando o contato das meninas com a ciência. “Essas políticas são bem importantes e neste sentido não só com mulheres, mas principalmente com mulheres porque existe mais esse estigma” ressalta a professora Elisa.

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