sáb 16 out 2021
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Mulheres vêm conquistando espaço no universo das HQs

Quadrinistas tentam mudar a representação das mulheres nos HQs (Ilustração: Etiene Pellizzari)

A série de reportagens feita pelo Jornal Comunicação sobre as histórias em quadrinhos (HQ’s) já mostrou que o mercado brasileiro de HQs encontra-se no seu melhor momento em anos e que os quadrinhos são uma importante forma de narrativa. No entanto, ainda há questões que precisam ser discutidas e pontos a serem melhorados nesse universo, como a representatividade feminina.

Esse ambiente, bastante voltado ao público masculino desde seu início, hoje vem sofrendo mudanças. Diversas mulheres estão engajadas na luta para acabar com o estereótipo de que HQs são produzidas por homens e para homens. Mas ter a mesma visibilidade que eles em suas produções ainda é um desafio. A ilustradora Etiene Pellizzari enfatiza os esforços que estão sendo realizados. “As mulheres não estão paradas esperando que olhem por elas”, diz. “Existem vários coletivos de mulheres que buscam publicar e mostrar seus trabalhos de maneira independente. Essa união é importante.”

Segundo pesquisa realizada pelo ComicsBeat, cerca de 50% do público de quadrinhos nos Estados Unidos é feminino. Muitas mulheres, porém, não se sentem representadas pelas personagens devido a diversos fatores, dentre eles a hipersexualização. Personagens femininas aparecem, em grande parte das vezes, com uniformes e poses sensuais, enquanto os masculinos são retratados como líderes, heróis e recebem mais atenção. Bianca Pinheiro, quadrinista, diz que há uma tendência de igualar as personagens. “Em quadrinhos de super-herói, de humor escrachado, geralmente feito por homens, e em alguns mangás, eu vejo uma tendência a deixar as mulheres iguais, sexualizadas e sem personalidade”, analisa.

Etiene conta porque a forma que as mulheres são retratadas é problemática. “A representação ainda é falha quando insistem em colocar as mulheres dentro de dois arquétipos: o de vilã ou de mocinha”, diz. Ela ainda acrescenta que, para quem discorda dessa representação, existem produções alternativas. “Há opções para quem entende essa realidade distorcida e não se identifica. Já tem muita personagem mulher que não é apenas uma bela donzela bobinha precisando de socorro”.

Lady’s Comics

Sob o lema “HQ não é só pro seu namorado”, o Lady’s Comics é um portal de divulgação dos trabalhos produzidos pelas mulheres no universo dos quadrinhos. Mariamma Fonseca, jornalista, ilustradora e integrante do Lady’s, conta como surgiu a ideia que motivou a iniciativa.“Percebemos que não havia muitas mulheres produzindo quadrinhos. Depois de um tempo de pesquisa, constatamos que na verdade essas mulheres existiam, porém não tinham o devido reconhecimento e visibilidade”, relembra.

Com o aumento dos acessos, o portal criou o Encontro Lady’s Comics e o BAMQ! (Banco de Dados de Mulheres Quadrinistas). Mariamma enfatiza a importância do Lady’s para as próprias quadrinistas e ilustradoras: “Hoje percebemos que além de um site somos também uma rede de apoio para as autoras de quadrinhos”. Outra iniciativa que ajuda na divulgação das produções femininas é o Mulheres nos Quadrinhos. Com mais de 100 mil curtidas em sua página no Facebook, o portal oferece um meio alternativo para quem procura algo além das HQs mais comuns. Além disso, foram viabilizados pelo Catarse dois volumes da coletânea “Mulheres nos Quadrinhos”, livro que reúne material exclusivo de 24 quadrinistas mulheres.

 

Essas iniciativas estão mudando o panorama do universo dos quadrinhos, mas ainda há desafios a serem vencidos. Segundo Bianca, as produções das mulheres ainda sofrem certo preconceito, algumas vezes de forma inocente. “Já li frases do tipo “é feminino, mas é bom” em resenhas sobre meus quadrinhos”, comenta. “Muitas pessoas acreditam que autoras mulheres tendem a fazer quadrinhos mais delicados e com temas que envolvam o “universo feminino””, acrescenta Mariamma. E quanto às possíveis soluções para melhorar a representação das mulheres nos quadrinhos, ela opina: “É necessário ter mulheres produzindo para que elas possam ajudar nessas mudanças”.

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