qui 21 out 2021
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Música erudita brasileira ainda encontra formas de provar que está viva

A música clássica, originada na Europa, chegou ao Brasil por meio da colonização portuguesa. Assim como todas as outras formas de cultura trazidas de fora, esse estilo foi incorporado à realidade brasileira e as produções nacionais, surgidas a partir do século XIX. Compositores como Villa-Lobos apresentavam características evidentes da nossa cultura.

Por muito tempo a música erudita foi uma das maiores formas de expressão musical no nosso país e no mundo todo. Com o passar dos séculos e a consolidação de outros estilos musicais, no entanto, esse gênero perdeu força, e hoje sobrevive em um segundo plano, escondido por trás da cultura pop.

Aula de música erudita no Instituto Baccarelli, em Heliópolis, considerada a maior favela de São Paulo  Créditos: Marcos Bizotto (site do Instituto Baccarelli)
Aula de música erudita no Instituto Baccarelli, em Heliópolis, considerada a maior favela de São Paulo
Créditos: Marcos Bizotto (site do Instituto Baccarelli)

O cenário erudito atual

Dalto Fidencio, professor de artes marciais e apreciador de música erudita, faz uma análise sobre os motivos da perda de público para o estilo. “Esse não é um gênero facilmente abraçado pelo capitalismo. O eruditismo não combina com o caráter altamente comercial das músicas que fazem sucesso atualmente”, declara. Para ele, viver de música clássica é uma luta diária, especialmente no Brasil.

Essa perda de força é considerada, por muitos especialistas, algo natural. Janete Andrade, coordenadora de música erudita da Camerata Antiqua de Curitiba, encara a posição em que o estilo se encontra como algo compreensível quando se analisa o mundo extremamente instantâneo e tecnológico de atualmente. “O nosso trabalho é algo muito artesanal”, define, “hoje se encontram aplicativos para tudo, mas para se tornar um grande músico não existem atalhos, é preciso praticar por várias horas todos os dias”. Essa mudança no perfil da sociedade, para ela, justifica a perda de público para a música clássica.

Foto 2: Concerto erudito da Orquestra Sinfônica Heliópolis Créditos:  Alex Albino (site do Instituto Baccarelli)
Concerto erudito da Orquestra Sinfônica Heliópolis
Créditos: Alex Albino (site do Instituto Baccarelli)

Boas notícias

Apesar do cenário pouco favorável, o estilo se encontra em um momento melhor do que há alguns anos no Brasil. Os investimentos em novos músicos e espetáculos voltam a aparecer com mais força, e existem muitos projetos de integração social ligados à música erudita. Um exemplo desse tipo de projeto é o Instituto Baccarelli, localizado em Heliópolis, na cidade de São Paulo. Janete Andrade conta sobre a infraestrutura e as conquistas dessa organização. “É uma instituição sem fins lucrativos, localizada no meio da maior favela de São Paulo, que conta com equipamentos de ponta e professores qualificados. Dessa forma, é possível tirar os meninos da rua e dar algum tipo de perspectiva para eles”, opina a coordenadora da Camerata. A Orquestra Sinfônica Heliópolis conta com 80 músicos que recebem auxílios em dinheiro, e faz concertos ao redor de todo o Brasil e em outros países também.

Além das iniciativas sociais ligadas à música clássica, o ensino do estilo em escolas e faculdades de música ainda é levado muito a sério. Dalto Fidencio afirma que isso é fundamental para que se mantenha o gênero vivo. “É fundamental que esse ensino continue presente, caso contrário, a música erudita se transformará em um estilo ainda mais segmentado do que já é”, aponta. Dalto apresenta alguns atrativos desse gênero e explica o motivo de, após tantos séculos, ele nunca ter desaparecido. “A música erudita é algo divino, pois parece sempre ter existido. Ao contrário de outros estilos, ela não pode ser datada, é completamente atemporal”, conclui.

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