qui 21 out 2021
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O humor feminino

Paloma Santos, Mhel Marrer, Carol Zocolli e Adriana Nunes foram as quatro mulheres convidadas a se apresentar no Risorama. No total, mais de 40 humoristas fizeram parte da mostra do Festival de Curitiba que é dedicada exclusivamente ao stand-up. O número reduzido de mulheres no espetáculo é reflexo das poucas representantes do sexo feminino no cenário humorístico, o que levanta a pergunta: o humor é machista? Para discutir o assunto, o Comunicação conversou com a comediante Paloma Santos. Mineira, ganhadora do Prêmio de melhor humorista stand-up pelo Sesc-MG em 2010, ela é co-fundadora do Queijo, Comédia e Cachaça, primeiro grupo de stand-up de Minas Gerais, no qual, por ser a única mulher, se encarrega de responder as piadas dos homens e de brincar com fatos da rotina feminina, como a famosa TPM.

Paloma e os demais integrantes do Queijo, Comédia & Cachaça: Edgar Quintanilha, Gabriel Freitas e Bruno Berg. Créditos: divulgação

Comunicação – O que você acha do público curitibano?

Paloma – Já estive na cidade algumas vezes e apesar da fama parecida com a do mineiro de ser “desconfiado”, comigo o público curitibano sempre foi muito caloroso. Sem contar a cidade que é maravilhosa!


Comunicação – Você foi uma estudante de jornalismo, você já utilizava o humor para abordar as notícias? Como você migrou para o stand-up?

Paloma Santos – Desde a época de colégio me interessei muito por aula de artes e teatro, tudo que tivesse expressão corporal. No Colégio Arnaldinum São José (em Belo Horizonte) a campanha da fraternidade era em forma de gincana e uma das provas era produzir uma peça com o tema do ano. (..) Eu sempre ficava responsável pela roteirização e atuação das peças. que sempre tinham a linha cômica.
 Isso é basicamente o que faço hoje: escrevo meus textos e vou pro palco toda semana apresentá-los.

Acho que descobri minha veia artística na adolescência, mas não vamos entrar em detalhes como anos, décadas e séculos passados porque perguntar idade de mulher dá azar. Profissionalmente mesmo comecei faz cinco anos. Foi quando ajudei a criar o grupo Queijo Comédia e Cachaça, o primeiro grupo de comédia stand-up de Minas.


Não houve uma ruptura de jornalismo para o humor. Eu tranquei o curso dois anos antes de pensar em formar um grupo de stand-up.


Comunicação – No cenário humorístico há uma predominância de comediantes homens. No Risorama, por exemplo, dos mais de 40 humoristas, 4 são mulheres. Qual é a razão?

Paloma – Há quem diga que mulher não gosta de se expor e/ou não tem senso de humor.
 Acredito que esse é um questionamento muito pessoal e não tive acesso a nenhum tipo de pesquisa daquelas: “A Universidade Massachusetts Texas Ohio constatou que 43% das mulheres entrevistadas afirmam já estarem envolvidas em outros projetos, 22% dizem que a TPM as impedem de investir na área e blá blá blá”.

Na comédia stand-up é ainda pior, que eu saiba só eu estou fazendo lá em Minas, o que me deixa triste. Já me perguntaram se de certa forma não é vantagem. Bom, (…) é reserva de mercado:
 quando o contratante quer um show para um evento majoritariamente feminino a demanda vem pra mim.
 Muita gente fala que os homens são machistas quando o assunto é mulher, mas se não tem nenhuma mulher retrucando as piadocas dos homens como afirmar que é de fato machismo? É difícil defender a classe sozinha, mas estou tentando!


Comunicação –Você considera que o humor é machista?

Paloma – Acredito ser uma pergunta muito individual, mesmo porque cada um cria seu material de acordo com suas referências de vida, de amizades, de faculdade e etc. O que eu posso achar machismo outras pessoas podem achar que não é, e vice versa.

O humor machista, eu acredito ser uma muleta do comediante que não sabe/consegue escrever boas sacadas. Assim como usar minorias como reforço de estereótipos para ganhar a plateia. A comédia de cara limpa se pauta justamente pelo cotidiano e comportamento humano. (…) Nossa profissão, assim como qualquer outra, precisa estar sempre se recriando, estudando. Quem não acompanha essa evolução tende a ficar para trás.

De modo geral acho que a plateia é que define se somos machistas, engraçados, sem graça e etc. Se seu show começar a esvaziar é melhor rever seus conceitos e piadas.

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