ter 26 out 2021
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“O medo devora a alma” recebe pouco público na Corrente Cultural

O Filmclub é um evento que ocorre há anos no Instituto Goethe, onde são exibidos filmes alemães de graça. Como as obras são geralmente transmitidas em dias úteis, o público varia muito: Em algumas sessões, o auditório fica cheio; em outras, porém, é possível contar nos dedos o número de entusiastas que aparecem. Esse mês, a exibição de O medo devora a alma (1974) coincidiu com a Corrente Cultural, e entrou na programação desta. O que não foi suficiente para chamar a atenção das pessoas, e o filme foi exibido para um público de apenas oito pessoas.

A obra utiliza-se de cenários minimalistas e atuações dramáticas para expor preconceitos (Foto: jonathanrosenbaum.net)
A obra utiliza-se de cenários minimalistas e atuações dramáticas para expor preconceitos (Foto: jonathanrosenbaum.net)

O longa foi dirigido por Reiner Werner Fassbinder (1945-1982), um dos mais importantes nomes do Novo Cinema Alemão – período no qual vários cineastas alemães, até então desconhecidos, começaram a fazer filmes artísticos de baixo orçamento, a maioria deles bem recebidos pela crítica e pelo público.

Amor além de fronteiras

A história gira em torno do amor entre Emmi (Brigitte Mira), uma faxineira alemã de 60 anos, e Ali (El Hedi bem Salem), um imigrante marroquino bem mais jovem do que ela. Um dia, buscando abrigo da chuva, Emmi entra em um bar frequentado principalmente por árabes. As pessoas dentro do bar, querendo se divertir à custa da senhora, pedem que Ali a convide para dançar. Enquanto dançam, os dois começam a conversar e formam uma amizade, que se consolida quando Ali acompanha Emmi até a casa dela. Esta o convida para uma taça de conhaque. Rapidamente, os dois se apaixonam e se casam, para enorme desprezo de todos os conhecidos do casal.

O filme, a princípio, pode causar certa estranheza às pessoas que não estão acostumadas com seu estilo mais minimalista e dramático, características que seriam de se esperar, considerando que ele foi filmado em apenas quinze dias e com um orçamento mínimo. Porém, é possível perceber, ao longo do filme, como Fassbinder utiliza esses elementos aparentemente negativos a seu favor: O minimalismo dos cenários dá uma beleza particular ao filme, baseada quase unicamente nos jogos de iluminação e fotografia de Fassbinder. E, se as atuações e diálogos são por vezes bem dramatizados, isso serve para expor os preconceitos não apenas dos personagens do filme, mas também da sociedade em que eles vivem, abordando de forma simples a xenofobia.Essa abordagem faz com que o público tenha mais empatia pelos personagens do filme do que seria possível se ele utilizasse uma estética mais realista, o que lhe daria um ar de mero registro de seu tempo.

Participação de público

Já a mesa de aperitivos fez sucesso  (Foto: David Ehrlich)
Já a mesa de aperitivos fez sucesso
(Foto: David Ehrlich)

 

Após a exibição do filme, que foi acompanhado de uma mesa de aperitivos, o pequeno público conversou na porta do auditório, elogiando a obra e esperando o tradicional sorteio do filme alemão que acontece na última sessão de cada semestre. Ao conversar com os presentes, foi possível notar que boa parte deles não foi atraído pela Corrente Cultural, tendo tomado conhecimento da exibição de outras formas. “Quando eu estudava alemão, sempre queria participar dos eventos, daí comecei a ver filmes aqui [no Instituto Goethe], (…) e como sou muito bem recebida, virei freguesa”, disse a professora Celina Lacerda Ferreira. Isac Nunes, tradutor fã de Fassbinder, que ganhou no sorteio um DVD do filme “Triângulo amoroso” (2010), afirmou que soube do evento acompanhando o blog Cinema em Curitiba, e disse que achou a iniciativa muito interessante: “É preciso mostrar o cinema alemão. Nos anos 1980, todo mundo via muito filme alemão, e, hoje em dia, quase não veem aqui. Tem sido muito pouco divulgada a filmografia alemã, e ela é riquíssima, importantíssima”.

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