Com o aumento de abandonos e a queda nas doações, a ONG Salvando Dogs lançou a campanha do R$ 1 para conseguir manter ração, medicamentos e atendimentos veterinários. A iniciativa tenta criar uma espécie de vaquinha contínua, em que pequenas contribuições ajudam a sustentar o trabalho cotidiano com os animais.

Aos poucos, Viviane percebeu que o resgate de um animal puxava o do próximo. Os pedidos aumentaram, as histórias também, e o que era um gesto individual virou trabalho de todos os dias. A Salvando Dogs cresceu assim, acompanhando cães acolhidos e comunitários e tentando dar conta do que aparece.
A história da Salvando Dogs não começou com a ideia de montar uma ONG. Começou com um choque. Viviane viu um homem espancando uma cadelinha na rua. Ela ainda respirava, mas não conseguia mais andar. Ela levou a cachorrinha para casa, cuidou como pôde e, dali em diante, não conseguiu mais ignorar o que via. Aquele resgate abriu a porta para todos os outros.
Ela sempre teve cães desde criança e sempre se doeu mais do que os outros diante do sofrimento animal. Na casa da família, os bichos apareciam, ela cuidava, mas o pai não deixava ficar por muito tempo. Hoje ela entende que era outra época, mas ficou a sensação incômoda de que poderia ter sido diferente. Talvez por isso, adulta, tenha decidido agir.
O tempo foi passando e os resgates, que eram poucos, se multiplicaram quase sem que ela percebesse. Vieram os cães da vizinhança, os abandonados na chuva, os atropelados, os que envelheceram sozinhos nas ruas. A pandemia ampliou tudo: mais abandono, mais procura, mais gastos. Viviane parou até de viajar. Com 50 anos, sente o corpo cobrar. E os filhos, já crescidos, veem a rotina apertada, mas entendem que esse trabalho é parte dela.
Foi quando percebeu que, sozinha, não dava mais conta. A cidade tem serviços públicos, mas o volume de animais abandonados e as ninhadas que surgem a cada esquina tornam qualquer resposta lenta demais para quem está no meio da urgência. As despesas cresceram, os medicamentos ficaram mais caros e as feiras já não resolvem sozinhas. Então veio a decisão de formalizar o que ela já fazia: nasceu a Salvando Dogs.
Hoje ela cuida de 34 cães sob responsabilidade direta e indireta. Limpa, alimenta, organiza bazares, pede ajuda, negocia parcerias com clínicas, leva e busca animais. O salário inteiro vai para eles, e ela ri ao contar que não há tomada, coberta ou móvel que realmente sobreviva por muito tempo.

Apesar do cansaço, Viviane fala dos animais com um cuidado que não se disfarça. Diz que não é só amor, é compaixão. É saber que, sem alguém para intervir, muitos deles terminariam a vida invisíveis, ignorados como já começaram. E é por isso que continua.
Desta forma, ela pede ajuda da população com doações de qualquer valor pela chave PIX 41988176805 (Caixa Econômica). Acompanhe o projeto Salvado Dogs pelo Instagram @salvando_dogs.


