qua 20 out 2021
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Paralisação dos professores chega ao fim, mas categoria continua em estado de alerta

Nesta última segunda-feira, 9, uma assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato) suspendeu a paralisação dos professores que já durava 29 dias. A categoria decidiu voltar às salas de aula, após dois dias reservados para a organização escolar. Porém, os professores permanecem em estado de greve permanente, o que significa que continuam atentos para qualquer descumprimento do governo ao acordo.

Greve
A reunião, que lotou pela segunda vez o estádio Durival Britto e Silva, mais conhecido como Vila Capanema, foi convocada após a liminar do Desembargador Luiz Mateus de Lima do Tribunal de Justiça do Paraná. Despachada na sexta-feira, 6, o documento exigia o encerramento imediato da paralisação e estipulava multa de 20 mil reais para o sindicato por dia de descumprimento (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo).

A liminar, que atendeu ao pedido do Governo do Estado, é uma ordem judicial provisória que teria como objetivo resguardar os direitos dos alunos, que sofreriam danos e prejuízos com a eventual demora na resolução do conflito. A medida deveria ser obedecida no dia útil seguinte à notificação oficial, segunda-feira.

O professor que leciona história em Apucarana, Edmilson Rodrigues da Silva, porta-voz do acampamento em frente à Assembleia, afirma não acreditar que a liminar colocou fim à greve. “Foi decisão de uma categoria que lutou e que derrotou o governo em várias situações, principalmente quando o arrancamos da zona de conforto, do poder executivo, fazendo com que recorresse ao judiciário. Foi uma grande vitória da categoria. Não foi total, perdemos em alguns pontos, é claro, mas o resultado foi esse, por conta da união”, explica.

Ao suspender a paralisação e reinstalar o estado de greve, a assembleia estadual definiu que, ao voltarem as aulas, recepcionariam os pais e estudantes para agradecer formalmente ao apoio e a compreensão que tiveram e prestar esclarecimentos em relação à greve e sobre a reposição de dias letivos perdidos. Além disso, um dos pontos da deliberação é a continuidade no uso de camisetas, bótons, adesivos e outros materiais relacionados à greve e à campanha “Eu tô na luta” pelos professores e alunos.

O professor de 41 anos, mais 15 dedicados à educação, enfatiza o caráter mais importante da greve. “O movimento grevista como um todo é também um movimento educacional. Quando nos unimos para lutar pelo o que acreditamos, pelo o que temos direito, estamos dando exemplo aos alunos, os educando civicamente, ensinando que podem conseguir o que acreditam, se organizarem e unirem-se. E esta vitória ampliou tudo ainda mais” diz.

Entenda a greve

A greve, que começou no dia 9 de fevereiro, eclodiu depois do envio de dois projetos de leis do Governo do Estado à Assembleia Legislativa. Se fossem aprovadas, alterariam o regime previdenciário e as futuras aposentadorias, além de restringir promoções, reajustes de benefícios e licenças para aperfeiçoamento.

Nesses 29 dias de paralisação, professores, educadores, funcionários contaram com o apoio massivo da população exigiram seus direitos. De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa do APP-Sindicato, a greve durou todo esse tempo justamente pela posição firme que o sindicato manteve para forçar o diálogo e a democracia.

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