qua 28 fev 2024
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Pedal de Quarta abre Feira de Mobilidade Urbana Sustentável em Curitiba

Criado por coletivo de ciclistas, o movimento mistura lazer, esporte e militância ao promover pedaladas semanalmente

A segunda edição da Feira de Mobilidade Urbana Sustentável (MUS) iniciou nesta quinta-feira (21). O evento, que tem como objetivo debater alternativas ecológicas e inclusivas para a utilização e planejamento das cidades, conta com a participação de coletivos como o Fixed Gear CWB, organizador do “Pedal de Quarta”. A pedalada desta semana abriu simbolicamente esta edição da feira. Os ciclistas saíram às 20h da esquina da 7 de Setembro com a Marechal Floriano Peixoto, como de costume, e partiram rumo ao Bar Frigideira Torta, em frente a Praça Santos Andrade, local onde está sendo realizada a MUS 2023. 

A iniciativa do movimento “Pedal de Quarta” surgiu em 2017 como forma de negociação do ciclismo com o espaço público. Organizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o grupo se reúne toda quarta-feira e segue uma rota diferente, que sempre termina em confraternização em um bar. 

Para se locomover pelas ruas da capital, os ciclistas se organizam em blocos, fechando os sinais de trânsito. A estratégia é uma maneira da bicicleta se impor no espaço urbano compartilhado. Apesar disso, a ideia é não oprimir. Adotando o que chamam de pedal de conciliação, o movimento ocupa uma única faixa das vias públicas e dá prioridade a motociclistas. 

Roberto Lagarto, representante do Fixed Gear, ressalta que o pedal antecede o grupo, e não o contrário: “o Pedal de Quarta é uma entidade”. Segundo ele, o que começou como uma pequena confraternização entre amigos, cresceu no cenário pós-pandêmico. Em um contexto de crise sanitária, pedalar tornou-se uma alternativa mais segura de lazer e atividade física. Somado a isso, o fator econômico também tornou o meio de transporte mais viável.

Roberto Lagarto, um dos organizadores da Fixed Gear CWB
Roberto Lagarto é um dos organizadores da Fixed Gear CWB, que promove o Pedal de Quarta / Foto: Eduardo Perry

Hoje, o grupo agrega uma média muito maior de pessoas semanalmente – aproximadamente 80 ciclistas estavam presentes na última quarta. Lagarto afirma que parte desse crescimento pode ser atribuído à deselitização do movimento. Antes majoritariamente branco e de classe média, o pedal agora é bastante diverso em todos os sentidos – gênero, raça, classe e sexualidade.

Uma pesquisa realizada pela Associação Transporte Ativo em parceria com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Labmob-UFRJ) mostrou que, na capital paranaense, 2% das viagens são feitas de bicicleta e o meio de transporte vem se tornando cada vez mais comum entre os jovens, que demonstram uma tendência de abrir mão da carteira de motorista e optar por soluções mais sustentáveis.

Ciclista e fotógrafo, Bruno (40) é novo no movimento do “Pedal de Quarta”. Seguindo a recomendação de um amigo, começou a participar há três semanas, mas não é nenhum novato no ciclismo, tampouco na causa pela maior inclusão da bicicleta no espaço urbano. Já viajou o Brasil de bicicleta, sendo o trajeto mais longo uma “pedalada” de Curitiba até a Chapada dos Veadeiros, que durou um ano. 

Bruno, ciclista
FOTOLEGENDA: Entusiasta do ciclismo, Bruno é adepto ao Pedal de Quarta há 3 semanas / Foto: Eduardo Perry

Segundo ele, os pedais são tanto uma ótima oportunidade de socializar e fazer networking, quanto de se posicionar em favor da causa da gestão urbana sustentável. “Ocupamos as ruas principais de Curitiba”, conta. Em outra ocasião, em 2017, foi atropelado por um automóvel durante uma pedalada coletiva. Ele quebrou o pé, mas foi assistido por um outro ciclista, que o acompanhou até em casa num trajeto de quase 20 quilômetros. 

Apesar dos 252,1 quilômetros de malha cicloviária, a vida sobre duas rodas sofre com problemas de integração, buracos, roubos, falta de iluminação e conservação precária das vias destinadas às bikes. Iniciativas como a Feira MUS e os coletivos são tentativas de reivindicar melhores condições e chamar atenção para aqueles que desejam usar a bicicleta como meio de locomoção.

Por Eduardo Perry e Flávia Cé Steil
Edição por Raíssa Trevisan

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