sáb 16 out 2021
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Poesia conquista a periferia de Curitiba com Coletivo Mongaba

Recita Mongaba ajuda a expor o trabalho dos participantes do coletivo. Foto: Brayan Henrique

Paulo Leminski faria 70 anos em 2014, não fosse sua morte prematura em 1989. Mesmo assim, a poesia ainda vive em Curitiba nos pequenos gestos e ações. Um exemplo é o Coletivo Mongaba, composto por escritores, poetas, artistas visuais e atores da periferia curitibana, que realiza recitais de poesia a cada dois meses.

Fundado em maio desse ano por Nuno José e Gil Jesse, o Mongaba surgiu da necessidade de “consolidar o horizonte da construção da literatura marginal e periférica na cena literária de Curitiba”, como aponta José. Seja de forma escrita, falada, tracejada, musicada ou aquarelada, o Mongaba tem como objetivo espalhar e incentivar a produção poética em regiões carentes da cidade. Por ser um coletivo independente, ele ainda não tem lugar fixo, o que faz com que as reuniões sejam itinerantes. O objetivo, no entanto, é ter um lugar definitivo em breve.

“Esse lugares carecem não somente de estrutura, mas de um mecanismo que coloque em relevo as palavras aprisionadas nas linhas dos cadernos”, afirma. A cada dois meses o coletivo realiza o Recita Mongaba, um sarau poético que aborda, sem nenhuma orientação partidária ou governamental, as mais variadas manifestações da arte urbana, dentre elas o Hip Hop.

“Quando Gil Jesse e eu começamos a pensar nesse projeto queríamos que, antes de ser uma intervenção, esse coletivo incentivasse a produção e leitura poética”, comenta José. O primeiro contato de Nuno com a poesia começou com o rap, em meados de 2000, quando conheceu e se inspirou pelo trabalho de Gabriel, O Pensador.

“Na minha concepção, poesia era aquela junção de palavras difíceis e refinadas ensaiadas para serem apresentadas em forma de jogral, na escola” diz. “Todos nós sonhamos, e são esses sonhos que se traduzem no ser poesia.”

Xinha Callejera, de 25 anos, conheceu o Mongaba quando se inscreveu para recitar e expor seus trabalhos visuais no primeiro recital. Assim como Nuno, seu primeiro contato com a poesia foi através do rap, quando tinha 10 anos. Segundo ela, o coletivo foi uma experiência de libertação, e desde então ela acompanha de perto todas as movimentações e atividades do coletivo, além de ajudar na organização. “Mongaba me deu a voz, e continua buscando dar voz a todos aqueles que querem abrir suas palavras construídas pela mente, mão e coração. Mongaba é, para mim, a voz poética da resistência”, declara.

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