sáb 23 out 2021
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Poesia nas águas

A leitura de poemas no Passeio Público contou com a segurança do Corpo de Bombeiros. Na foto, Maria de Jesus lê poemas da antologia Fantasma Civil para sua ouvinte. Foto: Maíra Roesler

A edição 2013 da Bienal Internacional de Curitiba trouxe as letras mais perto do povo curitibano. Intervenções urbanas como leitura de poemas em ônibus, projeções em paredes de museus e instalações sonoras mostraram o peso da literatura na edição. Uma destas atividades aconteceu no último sábado (19), no Passeio Público e reuniu a experiência da leitura integrada ao envolvimento com o ambiente. A antologia Fantasma Civil foi declamada por Wanda Bondan e Maria de Jesus, em trajetos de barco gratuitos pelo lago do Passeio. A ação contou com o apoio do Corpo de Bombeiros, que disponibilizou o bote e garantiu a segurança no percurso.

A antologia no coração da cidade

O passeio contemplou a antologia Fantasma Civil, que reúne 42 poemas de 42 autores que nasceram, passaram, mantém ou mantiveram alguma ligação com Curitiba. O conceito de afetividade e a criação de uma “cartografia sensível” da antologia estão acima de que qualquer discurso publicitário da cidade. É a observação delicada como possibilidade de memória afetiva aprofundada pela poesia.

Ricardo Corona, curador da antologia, quis levar a poesia ao coração da cidade, por isso a escolha do local para a ação. “Temos dois poemas que falam do Passeio Público e este é um espaço que está no corpo da cidade e na memória de qualquer pessoa que tenha alguma relação com Curitiba”, conta.

As declamadoras

Os agradáveis passeios de barco foram acompanhados de declamações feitas por vozes doces e aconchegantes. As senhoras de mais de 70 anos Maria de Jesus e Wanda Bodan se revezavam nas leituras no percurso que durava cerca de 20 minutos. Para Ricardo Corona, eram as melhores vozes possíveis: “É a voz do afeto, a mais próxima da poesia e a mais distantes do discurso normativo. Uma casa é cheia de vozes imperativas: pai, mãe, tia, criança. A voz da avó traz outra ressonância, uma possibilidade de acesso à poesia”.

Wanda Bodan gosta de declamar poesia desde criança – tanto que fez questão de declamar uma de suas preferidas da antologia durante a entrevista. Ela se lembra das atividades do dia 7 de setembro, quando gostava de se apresentar. No passeio, teve nova oportunidade de fazer o que mais gosta.

Maria de Jesus, uma das declamadoras da ação no Passeio Público. A paixão por poesia vem desde a infância. Foto: Maíra Roesler

Maria de Jesus sempre cultivou a paixão pela poesia e os poemas estão presentes em sua vida desde a fase de alfabetização. A última vez que Maria declamou em público foi na infância, e conta que ficou muito feliz com a oportunidade de repetir a experiência depois de tanto tempo. Seus autores preferidos são Castro Alves e Gonçalves Dias, e, na juventude, adorava a obra de Vinícius de Moraes e J. G. de Araújo Jorge. Hoje, ela lê tudo o que cai em suas mãos. E alerta para a importância essencial da leitura. “Uma sociedade não vive sem literatura. Podemos aprender a realizar atividades práticas na vida, mas a teoria e a essência estão nos livros”, afirma Maria.

Experiência inigualável para o público

Maria Bertolo foi uma das pessoas que prestigiou a ação. Ela conta que se sentiu muito bem com a experiência e, por ser curitibana, se identificou com todos os poemas, ainda mais por serem lidos no Passeio Público, espaço tão emblemático da cidade. “Foi uma experiência excepcional que talvez nunca mais se repita”, conta Maria, que lamenta que essas ações não possam ser praticadas com maior frequência no local.

Serviço

A antologia Fantasma Civil é uma publicação composta de folhas soltas com poemas e imagens guardadas em uma caixa. Exemplares da antologia estarão disponíveis em bibliotecas paranaenses, incluindo a Biblioteca Pública do Paraná em Curitiba. As Tubotecas da cidade também receberão exemplares.

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