seg 18 out 2021
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Projeto voluntário transforma animais em um santo remédio

O “amigão” Zaca é um golden retriever que possui apenas 30% da visão.  Foto: Mário Teixeira

 

Um ano antes de o hospital paulista Albert Einstein virar notícia em 2009, quando abriu suas portas para terapia mediada por animais, o projeto curitibano Amigo Bicho já fazia esse trabalho no Hospital Pequeno Príncipe, na capital paranaense.  Apesar de controvérsias, a presença animal em ambientes cuja higiene é rigorosamente controlada parece estar trazendo mais benefícios do que alergias.

Segundo a veterinária Letícia Castanho, criadora e coordenadora do projeto Amigo Bicho, chegar com um cão no ambiente hospitalar é um momento de alegria para os pacientes. Eles esquecem as dores, insatisfações e a própria doença por alguns instantes. “O contato com o pelo do cão, de 5 a 10 minutos, ajuda o corpo a liberar endorfina, que melhora a resposta ao tratamento e diminui o tempo de internamento”, explica a profissional.

Além de dois hospitais – o psiquiátrico Nossa Senhora da Luz e o do idoso, Zilda Arns –, o Amigo Bicho, atualmente frequenta a Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo, o Instituto Paranaense de Cegos e três escolas especiais.

Dentre essas instituições, está a Escola de Educação Especial Nabil Tacla, que atende alunos com Deficiência Física Neuromotora, Deficiência Intelectual e Múltiplas Deficiências. A diretora Josimere Faria da Rocha relata que a interação dos animais com as crianças tem dado fortes resultados de autoestima, felicidade e prazer. “Todos esses aspectos são importantes não só na vida pessoal, mas na vida acadêmica também”, ressalta.

A confirmação desses resultados está na expressão de felicidade da estudante Cauane Santos,  de 8 anos. “Eu amo o Zaca”, exclama a garota ao se referir ao golden retriever do projeto Amigo Bicho. A veterinária Letícia Castanho adotou Zaca, após ele ter sido abandonado, assim como 60% dos cães e gatos que são trazidos por seus donos para ajudar no projeto. “O Zaca é chamado de amigão pelas pessoas no instituto de cegos, porque ele enxerga em torno de 30%”, conta a veterinária.

Para a diretora da Escola de Educação Especial Nabil Tacla, o convívio com os animais melhorou a autoestima e o desempenho acadêmico das crianças. Foto: Mário Teixeira

 

Como funciona

Fundado em 2005, o Amigo Bicho começou como uma iniciativa de Letícia Castanho, que se interessava pela terapia assistida por animais desde a época de faculdade. É um trabalho com potencial de fazer companhia a pacientes solitários, incentivar a fisioterapia de indivíduos parkinsonianos e até a fonoaudiologia de crianças especiais.

Segundo a veterinária, há uma rigorosa triagem comportamental entre todos os bichos, para que eles possam realizar as visitas. Apesar de ela dizer que qualquer raça pode participar, reconhece que existem algumas mais agressivas que outras, como rottweilers e pitbulls. Por isso, ela assegura que se o animal demonstrar qualquer sinal de agressividade é impedido de fazer parte do projeto.

Além do comportamento, cães e gatos são para alguns motivo de espirro e dificuldade para respirar. A médica especialista em alergias, Loraine Landgraff, chama atenção para o fato de que os pelos dos animais abrigam uma série de micro-organismos e, portanto, torna-se essencial lavar as mãos imediatamente após o contato. “Principalmente nos cães e gatos, há uma grande presença de ácaros – a primeira causa de alergia no Brasil – que podem ser reduzidos com tosa e banho frequentes”, instrui Loraine.

Alergia ao pelo dos animais é o único caso de contato desaconselhado por Letícia, mas ela garante que todas as precauções são tomadas no que diz respeito à higienização. “Todos eles tomam banho antes das visitas e estão com vacina, vermífugo e anti-pulga em dia. Trabalho num hospital bem completo, então consigo fazer todos os exames necessários”.

Para manter todos as visitas em dia, o Projeto Amigo Bicho conta com 33 voluntários. O motivo pelo qual a estudante Evelyn Lima, 17 anos, teve vontade de se voluntariar é o mesmo da maioria: o amor dos animais pelas crianças e vice-versa.

A pequena Cauane Santos, de 8 anos, diz amar o golden retriever do Projeto Amigo Bicho.
Foto: Mário Teixeira
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