ter 26 out 2021
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Respeitável artista

Elvis Damasceno, 30 anos, casado, tem uma filha de 36 dias de idade que ele ainda não conhece por causa de sua profissão. Elvis tem casa em Palmas, mas seu lar é a estrada, viajando com o Circo Cassali, onde é palhaço.
A pressão familiar fez Elvis pensar em largar o circo e tentar levar uma “vida normal”, procurar um emprego, ficar perto de sua famí­lia, mas não foi possí­vel. Ele não tem experiência comprovada em nenhuma área. Nunca teve registro em carteira. Acabou voltando para a arte. Elvis é um retrato muito próximo da situação do circo no Brasil: desamparo.
O Circo Cassali conta com um elenco familiar, sete artistas contratatos e cinco leões. Segundo Elvis, a trupe enfrenta muitas dificuldades ao chegar em cada cidade, com a burocracia (custos com alvarás e licenças) e, principalmente, com a falta de valorização do artista circense. Além de tudo isso, precisam escolher o lugar e montar a lona.
Rafael Barreiros, o Palhaço Alí­pio, e Milene Dias, a Palhaça Sombrinha, vivem situações totalmente diferentes. Artistas integrantes da Cia 2 Palhaços, são atores há 8 anos e optaram por tirar seus sustentos da atividade e dos estudos da arte circense. São exceções no mundo do circo. Ontem (07), os dois palhaços apresentaram o espetáculo Circo S/A no Festival de Inverno.
Segundo Rafael, o circo já foi um espaço de apresentação de novidades, mas hoje há uma exigência artí­stica com a atividade, o que facilita o surgimento de fenômenos como o Cirque du Soleil.
Além disso, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas companhias brasileiras é a visão “infantilizada” que a atividade tem no paí­s, que foi muito influenciada pelos palhaços dos programas de TV.

Arte circense
As atividades circenses sempre foram muito valorizadas na maioria das edições do Festival. Este ano, porém, aconteceu uma coincidência: apenas um espetáculo circense se inscreveu o Circo S/A da Cia 2 Palhaços e nenhuma oficina com foco nas práticas circenses participou da seleção.
Tanto os artistas do Circo S/A, que trabalham com o circo como fonte de estudos e sustento, quanto Elvis Damasceno, que é palhaço de uma companhia simples e tira seu sustento dessa atividade por falta de outra oportunidade, têm uma reclamação em comum: a falta de apoio à arte circense. Grupos que tinham tradições familiares no ramo estão sendo destruí­dos pela falta de recursos e excesso de burocracia.
Para Rafael Barreiros o circo não está ameaçado de extinção, apenas pede socorro e tenta se redescobrir para adequar-se às exigências contemporâneas.

Hendryo André
Professor do curso de Jornalismo da UFPR. Orientador do Jornal Comunicação.
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